Ir para o conteúdo principal

JSON Variables

Aʙsɪɴᴛᴏ — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Absinto

(Heb. לַעֲנָה, laʿănâ; gr. ἄψινθος, apsinthos.)

Absinto é a designação convencional do referente vegetal expresso pelo hebraico לַעֲנָה (laʿănâ) e, em Ap 8.11, pelo grego ἄψινθος (apsinthos). A identificação botânica situa a planta, com elevado grau de probabilidade, entre espécies do gênero Artemisia, embora a determinação de uma única espécie para todas as ocorrências bíblicas não possa ser estabelecida com segurança. Entre as identificações propostas encontram-se Artemisia herba-alba, A. judaica e A. absinthium (Hepper et al., 1982: 948; Knapp, 1988: 4.1117).

A propriedade que domina o emprego bíblico não é uma classificação taxonômica precisa, mas o intenso amargor associado à planta. Essa característica fornece a base concreta para sua transformação em imagem literária de consequências dolorosas, sofrimento, julgamento e perversão moral. Por isso, laʿănâ aparece em contextos tão diversos quanto a consequência final da sedução sexual (Pr 5.4), a infidelidade religiosa (Dt 29.18), o juízo sobre Judá (Jr 9.15; 23.15), a experiência da aflição (Lm 3.15, 19) e a corrupção da justiça (Am 5.7; 6.12). A associação entre a planta e esses campos semânticos decorre de seu sabor proverbialmente amargo (Hepper et al., 1982: 948).

Em Ap 8.11, a tradição lexical reaparece em contexto apocalíptico: “Absinto” é o nome da estrela cuja queda torna amargas as águas. O texto não exige que a cena seja compreendida como descrição botânica de uma substância vegetal dissolvida na água; a força da designação depende antes da associação tradicional entre absinto, amargura e calamidade. A distinção é relevante porque o caráter amargo da planta não deve ser automaticamente convertido em uma afirmação de toxicidade: a literatura de referência observa expressamente que sua função imagética pode sugerir morte sem pressupor que o absinto vegetal seja, por isso, intrinsecamente venenoso (Knapp, 1988: 4.1117).

I. Terminologia e identificação botânica

O substantivo hebraico לַעֲנָה (laʿănâ) ocorre em Dt 29.18; Pr 5.4; Jr 9.15; 23.15; Lm 3.15, 19; Am 5.7; 6.12. Seu referente é tradicionalmente reconhecido como uma planta de sabor intensamente amargo, e as identificações botânicas modernas concentram-se no gênero Artemisia. A ocorrência em ambientes literários distintos não demonstra, contudo, que todos os autores bíblicos tivessem necessariamente uma única espécie botânica em vista. A correspondência lexical é mais segura no nível do tipo de planta e de sua propriedade sensorial característica do que no nível da espécie (Hepper et al., 1982: 948).

Duas espécies recebem particular destaque na literatura sobre a flora bíblica: Artemisia herba-alba e Artemisia judaica. Ambas pertencem a um grupo de plantas conhecido na região e caracterizado pelo forte sabor amargo; outra proposta, registrada na literatura enciclopédica, é Artemisia absinthium (Hepper et al., 1982: 948; Knapp, 1988: 4.1117). A enumeração dessas espécies deve ser entendida como conjunto de identificações propostas, e não como equivalência taxonômica demonstrada entre laʿănâ e uma espécie moderna determinada.

Artemisia herba-alba, uma das candidatas mais frequentemente associadas ao termo, é um pequeno arbusto; espécies de absinto podem apresentar folhagem acinzentada e fragrante e flores igualmente aromáticas, embora pouco vistosas (Jacob e Jacob, 1992: 2.813). Essas características ajudam a situar materialmente o referente, mas o dado botânico decisivo para o uso bíblico permanece o amargor. É essa propriedade, e não a forma, a altura ou o habitat da planta, que os textos exploram sistematicamente como veículo metafórico.

O grego ἄψινθος (apsinthos) aparece em Ap 8.11, onde serve tanto de nome para a estrela quanto de descrição da amargura produzida nas águas após sua queda. A correspondência com o campo semântico de laʿănâ é evidente no elemento do amargor, mas não autoriza a reconstrução de uma identidade botânica precisa entre todas as ocorrências hebraicas e o emprego apocalíptico. Em ambos os idiomas, o dado lexical mais estável é a associação com uma planta marcadamente amarga; a determinação da espécie permanece uma identificação botânica provável e discutível, que deve ser distinguida do significado literário efetivamente atestado nos textos.

Pro Blogger Templates
-->