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Agricultura — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Agricultura

A agricultura constituiu a base econômica da sociedade israelita antiga e condicionou amplamente sua organização doméstica, seus ciclos de trabalho, suas relações de propriedade e parte significativa de sua linguagem religiosa. Em sentido amplo, compreendia não apenas o cultivo do solo, mas também a viticultura, a olivicultura, a horticultura e a criação de animais associada à exploração familiar da terra. A arqueologia, os textos bíblicos e outras fontes do antigo Oriente Próximo mostram que os agricultores de Israel receberam uma tradição agrícola muito anterior à formação do povo israelita e a adaptaram às condições particulares das terras altas, dos vales e das regiões semiáridas da Palestina (Borowski, 1992: 1.95–96).

As condições naturais determinavam fortemente o ritmo da produção. Grande parte da agricultura dependia das chuvas sazonais, sobretudo das precipitações que permitiam preparar e semear o solo após o verão seco e das chuvas posteriores necessárias à maturação dos cereais (Dt 11.13–15; Jr 5.24). A irregularidade das chuvas, a escassez de fontes permanentes e o relevo rochoso exigiram técnicas como terraceamento, aproveitamento do escoamento superficial e armazenamento de água. Secas, gafanhotos, doenças das plantas e incursões militares podiam comprometer rapidamente uma colheita, circunstância que ajuda a explicar a importância econômica e teológica atribuída à chuva e à fertilidade da terra na literatura bíblica (Borowski, 1992: 1.96).

Trigo e cevada figuravam entre os principais cereais, acompanhados por leguminosas e diversas hortaliças; entre as culturas arbóreas destacavam-se videira, oliveira, figueira, tamareira e romãzeira. Grão, vinho e azeite formavam um conjunto particularmente importante para alimentação, armazenamento, comércio e culto. O trabalho agrícola seguia um ciclo definido de preparo do terreno, aração, semeadura, colheita, debulha, joeiramento e armazenamento, ao qual se acrescentavam a vindima e a produção de vinho e azeite. O calendário agrícola de Gezer, do séc. X a.C., oferece testemunho extrabíblico particularmente importante dessa sucessão sazonal de atividades (Borowski, 1992: 1.97–98).

A importância da agricultura ultrapassava a subsistência. Leis sobre propriedade hereditária, respiga, dízimos, primícias, ano sabático e proteção dos pobres pressupõem uma sociedade profundamente vinculada à terra (Lv 19.9–10; 25.1–7; Dt 24.19–21). As grandes festas de peregrinação também se relacionavam aos ciclos de colheita e recolhimento (Êx 23.14–17), enquanto profetas, salmistas e sábios recorreram continuamente à semeadura, vinha, colheita, seca e fertilidade como imagens de julgamento, bênção e restauração. Por isso, a agricultura constitui não apenas um dado econômico da vida bíblica, mas um dos contextos fundamentais para compreender sua legislação, sua imagética e sua teologia da terra (Borowski, 1992: 1.98).

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