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Amorreus — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Amorreus 

(Heb. ʾĕmōrî; acád. amurru(m); sum. MAR.TU)

Designação aplicada, em diferentes épocas e contextos, a populações, territórios e entidades políticas do antigo Oriente Próximo ocidental. Na tradição bíblica, os amorreus figuram entre os povos que habitavam Canaã antes da consolidação de Israel (Gn 10.16; 15.16; Js 24.15, 18), mas o emprego do nome não é uniforme: pode indicar uma população particular das regiões montanhosas, em contraste com grupos da planície, abranger de modo mais amplo habitantes pré-israelitas de Canaã ou designar reinos específicos, sobretudo os de Seon e Og na Transjordânia (Nm 13.29; Dt 2.24–3.11). Essa amplitude semântica impede que todas as ocorrências bíblicas sejam tomadas automaticamente como referências a uma única população etnicamente homogênea (Millard, 1982: 31–32).

O quadro extrabíblico é ainda mais amplo. O acádico amurru aparece inicialmente relacionado ao “Oeste”, tanto como indicação geográfica quanto como designação de populações situadas a oeste ou noroeste da Mesopotâmia; o sumério MAR.TU possui uso comparável já no III milênio a.C. Com o tempo, tais termos adquiriram funções étnicas, culturais, geográficas e políticas distintas. Fontes mesopotâmicas documentam populações de língua semítica ocidental associadas a esse nome, enquanto dinastias com nomes amorreus alcançaram proeminência em centros como Mari, Babilônia, Ugarit e Biblos; posteriormente, Amurru tornou-se também o nome de um reino sírio da Idade do Bronze Tardio. Por isso, “amorreu” deve ser tratado historicamente como uma designação de significado variável, e não como um etnônimo estático preservado sem alteração durante mais de um milênio (Mendenhall, 1992: 1.199–202).

A narrativa bíblica conserva essa diversidade de usos. Abraão aparece aliado a amorreus da região de Hebron (Gn 14.13), enquanto Hazazon-Tamar é associada a eles em Gn 14.7; mais tarde, Seon de Hesebon e Og de Basã aparecem como reis amorreus a leste do Jordão, e Josué emprega a designação para governantes de cidades do sul de Canaã (Js 10.1–27). Em outros textos, porém, “amorreu” funciona quase como uma denominação representativa da população cananeia anterior a Israel, como em Gn 15.16 e Js 24.15, 18. A memória de sua força permaneceu viva na tradição profética, que podia apresentá-los como paradigma dos antigos habitantes da terra (Am 2.9–10; Ez 16.3). O estudo dos amorreus exige, assim, distinguir cuidadosamente a terminologia bíblica, os testemunhos cuneiformes e a reconstrução histórico-arqueológica, sem identificar automaticamente categorias que pertencem a épocas e contextos diferentes (Mendenhall, 1992: 1.199–202).

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