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Apedrejamento — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Apedrejamento

(Heb. sāqal, “apedrejar, matar por meio de pedras”; rāgam, “lançar pedras”; gr. litházō, lithoboléō, katalitházō). 

Forma de execução atestada repetidamente na legislação e nas narrativas bíblicas. No Pentateuco, o apedrejamento é prescrito para determinados delitos considerados particularmente graves dentro da ordem da aliança, entre eles a idolatria e sua promoção (Dt 13.7–11; 17.2–5), a blasfêmia contra o nome divino (Lv 24.14–16, 23), práticas de necromancia (Lv 20.27) e algumas transgressões sexuais e familiares (Dt 21.18–21; 22.20–24). Também aparece em episódios específicos, como a execução do homem que violou o sábado (Nm 15.32–36) e o julgamento de Acã após a tomada de Jericó (Js 7.22–26). O procedimento possuía, assim, caráter simultaneamente penal e comunitário: a sentença era executada pela assembleia, não por um carrasco profissional isolado (Schley, 1988: 4.630).

A legislação deuteronômica procurava circunscrever essa pena mediante exigências probatórias. Uma condenação capital não poderia fundamentar-se no testemunho de uma única pessoa, mas requeria duas ou três testemunhas; estas, por sua vez, deveriam iniciar a execução, sendo posteriormente acompanhadas pelo restante do povo (Dt 17.6–7). O vínculo entre testemunho e participação na sentença tornava a acusação juridicamente grave e deve ser relacionado às disposições contra a falsa testemunha em Dt 19.15–21. O caso de Nabot mostra como esse mecanismo podia ser pervertido mediante testemunhas fraudulentas e uma aparência de procedimento judicial (1Rs 21.8–14). Em determinadas execuções, a exposição posterior do cadáver podia acompanhar a pena, mas a Lei proibia que o corpo permanecesse suspenso durante a noite, exigindo seu sepultamento antes do pôr do sol (Dt 21.22–23; Douglas, 1982: 1146).

As narrativas bíblicas, contudo, empregam a linguagem do apedrejamento também fora do procedimento judicial regular. Moisés foi ameaçado pela multidão (Êx 17.4), e Adoram morreu apedrejado durante a revolta das tribos do norte (1Rs 12.18). No NT, Jesus foi ameaçado de apedrejamento em controvérsias nas quais seus adversários entenderam suas palavras como blasfêmia (Jo 8.59; 10.31–33; 11.8); Jerusalém é lembrada como aquela que “apedreja os que lhe são enviados” (Mt 23.37). Estêvão foi arrastado para fora da cidade e apedrejado enquanto as testemunhas depunham suas vestes aos pés de Saulo (At 7.57–60), ao passo que o apedrejamento de Paulo em Listra apresenta características de violência coletiva espontânea (At 14.19; cf. 2Co 11.25). A documentação bíblica exige, portanto, distinguir a execução prevista pela legislação israelita de atos de violência popular ou de procedimentos politicamente sancionados que igualmente assumiram a forma de apedrejamento (Schley, 1988: 4.630).

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