Bárbaro — Enciclopédia Bíblica e Teológica
Bárbaro
(gr. βάρβαρος, bárbaros, “estrangeiro; não grego; pessoa de fala não grega”.)
O termo gr. bárbaros designava fundamentalmente aquele cuja língua e costumes não pertenciam ao mundo grego. Sua formação é geralmente explicada como onomatopaica: a repetição bar-bar representaria, para o ouvido grego, uma fala estrangeira incompreensível. O vocábulo não identificava originalmente um povo determinado, mas estabelecia uma distinção linguística e cultural entre gregos e não gregos; em determinados períodos e contextos, entretanto, adquiriu também conotações depreciativas de incultura, rudeza ou inferioridade cultural. Por isso, o sentido moderno de “bárbaro”, associado sobretudo a brutalidade ou selvageria, não deve ser automaticamente transferido para todas as ocorrências antigas (Rees, 1979: 1.109).
No NT, o significado mais antigo permanece claramente perceptível. Em Rm 1.14, a expressão “gregos e bárbaros” funciona como uma divisão abrangente do mundo gentílico segundo a pertença ou não à cultura de língua grega. Em 1Co 14.11, Paulo emprega bárbaros para ilustrar a incompreensão linguística: quando duas pessoas não compreendem a língua uma da outra, cada uma se torna, da perspectiva da outra, estrangeira. O termo descreve, portanto, uma barreira de comunicação, e não necessariamente um juízo sobre o grau de civilização do interlocutor (Rees, 1979: 1.109).
At 28.2, 4 chama bárbaroi os habitantes de Malta que acolhem Paulo e seus companheiros após o naufrágio; o próprio relato atribui-lhes “extraordinária humanidade”, mostrando que a designação não possui ali sentido moral depreciativo. Em Cl 3.11, “bárbaro” aparece ao lado de “cita” numa série de distinções étnicas, culturais e sociais cuja importância é relativizada pela nova identidade em Cristo. Nessas passagens, o vocábulo deve ser entendido dentro das classificações linguísticas e culturais do mundo greco-romano, não segundo o significado pejorativo predominante que “bárbaro” adquiriu posteriormente nas línguas modernas (Rees, 1979: 1.109).
