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Gômer — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Gômer 

(Heb. גֹּמֶר, Gōmer; nome provavelmente relacionado à raiz גמר, “completar”, “chegar ao fim”.)

O nome ocorre no AT aplicado a duas personagens inteiramente distintas: Gômer, filho de Jafé e neto de Noé, na Tabela das Nações de Gn 10.2–3 e na genealogia paralela de 1Cr 1.5–6; e Gômer, filha de Diblaim, esposa do profeta Oseias em Os 1.3. A primeira ocorrência pertence à geografia etnográfica de Gênesis 10, na qual ancestrais epônimos representam povos e agrupamentos conhecidos pelo horizonte israelita; a segunda integra a ação simbólica mediante a qual a vida familiar de Oséias se torna representação profética da relação entre YHWH e Israel (Baker, 1992: 2.1073–1074).

Na Tabela das Nações, Gômer é apresentado como primogênito de Jafé e pai de Asquenaz, Rifá e Togarma (Gn 10.2–3). A identificação histórica tradicional e ainda plausível relaciona o nome aos cimerianos, conhecidos nas fontes assírias como Gimirrai e nas fontes gregas como Kimmerioi. Esses grupos aparecem no horizonte histórico do séc. VIII a.C. ao norte e nordeste da Anatólia, entram em conflito com Urartu e a Assíria e posteriormente avançam pela Ásia Menor, alcançando a Frígia e a Lídia. A identificação entre o Gômer bíblico e os cimerianos não deve, contudo, ser apresentada como equivalência demonstrada, mas como correlação histórico-etnográfica provável (Baker, 1992: 2.1073). Em Ez 38.6, “Gômer e todas as suas tropas” aparece ao lado de Bet-Togarma entre os povos incorporados à coalizão escatológica de Gogue.

A segunda Gômer pertence ao mundo profético do séc. VIII a.C. Os 1.3 a identifica como filha de Diblaim e esposa de Oseias; dela nascem Jezreel, Lo-Ruhama e Lo-Ami, cujos nomes recebem função oracular na interpretação da crise religiosa e política do reino do Norte. O texto explicita Oseias como pai de Jezreel, mas emprega formulação mais simples no nascimento dos dois filhos seguintes (Os 1.3, 6, 8); essa diferença permitiu a alguns intérpretes supor paternidades distintas, embora o texto não o declare expressamente (Baker, 1992: 2.1073–1074). Também permanece discutido se a mulher adquirida por Oséias em Os 3.1–3 deve ser identificada diretamente com Gômer. Na forma final do livro, porém, casamento, infidelidade, julgamento e restauração pertencem ao mesmo complexo simbólico pelo qual a relação conjugal dramatiza a infidelidade de Israel e a persistência da iniciativa restauradora de Yahweh.

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