Ir para o conteúdo principal

JSON Variables

Oseias (Profeta) — Enciclopédia Bíblica e Teológica

OSEIAS (Profeta)

(Heb. הוֹשֵׁעַ [Hôšēaʿ]; gr. Ὡσηέ [Hōsēé]; lat. Osee.)

Oseias foi um profeta israelita do século VIII a.C., identificado em Os 1.1 como “filho de Beeri”, cuja atividade se dirigiu principalmente ao reino de Israel, frequentemente denominado Efraim em seus oráculos. Seu ministério pertence à fase final da monarquia do Norte: começa no horizonte do reinado de Jeroboão II e se desenvolve durante as décadas em que a estabilidade política de Israel cedeu lugar a sucessões violentas, dependência externa e crescente pressão assíria. O livro canônico que leva seu nome preserva a tradição fundamental de sua pregação e associa de maneira singular sua experiência familiar à mensagem profética.

A reconstrução histórica de sua vida, entretanto, é excepcionalmente limitada. Não existe uma narrativa biográfica contínua de Oseias, e o livro dos Reis não descreve sua atuação, embora registre extensamente os reis e acontecimentos políticos de seu tempo. Quase tudo o que pode ser afirmado sobre sua pessoa deriva de Os 1–3 e de inferências extraídas dos próprios oráculos. A distinção entre informação explícita, probabilidade histórica e reconstrução interpretativa é, por isso, indispensável para qualquer perfil do profeta.

I. Nome, identidade e fontes para a vida de Oseias

As fontes fornecem muito menos informação acerca da pessoa de Oseias do que acerca do mundo político e religioso ao qual sua pregação se dirigiu. O texto conserva o nome de seu pai, alguns dados relativos ao casamento e aos filhos e numerosos indícios do ambiente no qual exerceu sua atividade; não informa, porém, sua cidade natal, ascendência além de Beeri, ocupação anterior, idade, circunstâncias de sua vocação inicial ou morte. A própria bibliografia especializada adverte contra a tentativa de preencher essas lacunas mediante detalhes deduzidos de suas imagens agrícolas, conhecimentos religiosos ou referências políticas (Hubbard, 1989: 26; Freedman, 1992: 3.293).

A. O nome Oseias

O antropônimo de Oseias pertence a uma família onomástica bem documentada na Bíblia Hebraica e não era exclusivo do profeta. Sua interpretação requer distinguir a forma hebraica propriamente dita de traduções tradicionais que a reduzem simplesmente a “salvação”. As versões grega e latina, por sua vez, preservam o nome essencialmente por transliteração.

1. Forma hebraica e significado

O Texto Massorético apresenta o nome הוֹשֵׁעַ (Hôšēaʿ) em Os 1.1. A mesma grafia designa outras pessoas na Bíblia Hebraica, de modo que não se trata de título profético nem de nome criado em função da mensagem de Oseias. O léxico hebraico classifica a forma como um nome masculino abreviado relacionado a uma forma teofórica mais extensa e registra entre seus portadores tanto o profeta como o último rei de Israel e o nome original de Josué.

O nome está ligado à raiz ישׁע, pertencente ao campo semântico de salvar, livrar ou prestar auxílio. Sua explicação, contudo, não deve ser comprimida na glosa popular “salvação”. A forma é geralmente entendida como abreviação de um antropônimo teofórico mais longo; uma análise o interpreta em sentido declarativo, aproximadamente “YHWH livrou”, enquanto outra admite valor petitivo, “salva, ó YHWH”. Essa dupla possibilidade explica por que obras lexicográficas e onomásticas oferecem formulações ligeiramente diferentes sem discordarem quanto ao núcleo semântico do nome (Freedman, 1992: 3.293).

A relação com nomes ampliados também aparece no próprio repertório hebraico. O léxico registra הוֹשַׁעְיָה como forma teofórica relacionada e trata הוֹשֵׁעַ como sua forma abreviada. Isso recomenda cautela diante de etimologias devocionais que procuram extrair do nome do profeta uma antecipação direta de toda a teologia de seu livro: a associação com auxílio ou libertação divina é filologicamente pertinente; consequências teológicas mais amplas pertencem à interpretação da mensagem profética, não à etimologia isolada do antropônimo.

2. Forma na LXX

A Septuaginta preserva o nome por transliteração. Em Os 1.1, o texto grego apresenta Ωσηε, normalmente representado em forma lexical acentuada como Ὡσηέ (Hōsēé): “a palavra do Senhor que veio a Oseias, filho de Beeri”. A escolha não traduz semanticamente o antropônimo hebraico, mas procura reproduzi-lo dentro das possibilidades fonológicas e ortográficas do grego. A mesma forma nominal reaparece na tradição grega do Novo Testamento quando Paulo introduz uma citação do profeta em Rm 9.25. 

Essa continuidade é relevante editorialmente: Ὡσηέ deve ser tratado como a forma grega antiga do nome do profeta, e não como um segundo nome independente. A presença da forma tanto na LXX quanto no texto grego de Rm 9.25 documenta a transmissão do antropônimo dentro da tradição bíblica grega.

3. Forma latina

A Vulgata apresenta Osee. A edição crítica inicia o livro com o título Osee propheta e identifica o profeta em Os 1.1 como Osee filium Beeri. A forma latina, como a grega, conserva o nome em transliteração e tornou-se característica da tradição bíblica latina.

A mesma Vulgata emprega Osee para outros portadores hebraicos de הוֹשֵׁעַ, entre eles Josué antes da mudança de seu nome por Moisés e o último rei do reino de Israel. A identidade gráfica latina torna especialmente importante distinguir cada personagem pelo patronímico e pelo contexto histórico.

4. Relação onomástica com outros personagens chamados Oseias

O profeta não foi o único Hôšēaʿ conhecido pela tradição bíblica. O nome ocorre primeiro como o nome original de Josué, filho de Nun: ele é apresentado como “Oseias, filho de Nun” entre os exploradores enviados à terra (Nm 13.8), e Nm 13.16 registra que Moisés passou a chamá-lo Josué; a forma Oseias ainda reaparece em Dt 32.44.

O homônimo historicamente mais importante para o estudo do profeta é Oseias, filho de Ela, último rei do reino do Norte (2Rs 15.30; 17.1–6; 18.1, 9–10). Profeta e rei pertencem aproximadamente ao mesmo horizonte histórico, mas são personagens inteiramente distintos: o primeiro é Oseias filho de Beeri; o segundo, Oseias filho de Ela. Outros portadores do nome aparecem ainda em Ne 10.24 e 1Cr 27.20. O repertório onomástico, portanto, demonstra que הוֹשֵׁעַ era um antropônimo israelita em circulação e não uma designação excepcional criada para o profeta.

Há também testemunho epigráfico do antropônimo no período monárquico. Selos e impressões atribuídos aos séculos VIII–VII a.C. apresentam o nome ou formas correspondentes, enquanto documentação semítica extrabíblica preserva paralelos onomásticos relacionados. Esse dado reforça o caráter ordinário do nome dentro do ambiente israelita da época, embora nenhuma dessas ocorrências possa ser identificada com segurança com Oseias filho de Beeri (Freedman, 1992: 3.293).

B. Identificação pessoal

A tradição bíblica preservou pouquíssimos dados independentes sobre a pessoa de Oseias. Diferentemente de Jeremias, Ezequiel ou Amós, o profeta não é apresentado mediante uma procedência geográfica, uma profissão anterior ou uma genealogia desenvolvida. Sua identificação pessoal repousa essencialmente no patronímico de Os 1.1 e nas informações familiares de Os 1–3. Fora do livro que leva seu nome, não há notícia bíblica segura sobre Oseias filho de Beeri nem sobre sua família de origem (Seow, 1992: 3.293; Hubbard, 1989: 25–26).

1. Oseias, filho de Beeri

Os 1.1 identifica o profeta simplesmente como “Oseias, filho de Beeri”. O patronímico é a única informação genealógica fornecida pelo texto. Não se menciona tribo, clã, cidade ancestral ou qualquer posição ocupada por Beeri. A ausência desses elementos contrasta com apresentações proféticas mais desenvolvidas e impede que se determine a posição social da família apenas a partir do cabeçalho do livro.

O nome Beeri não permite ampliar com segurança essa identificação. A Bíblia menciona também um Beeri hitita, pai de Judite, uma das mulheres de Esaú (Gn 26.34), mas nada relaciona esse personagem ao pai de Oseias. Uma tradição rabínica posterior identificou o pai do profeta com Beerá, chefe rubenita mencionado em 1Cr 5.6, deportado por Tiglate-Pileser; a identificação, porém, não encontra apoio no texto bíblico nem em evidência histórica independente (Pressler, 1992: 1.646).

O próprio patronímico desempenha, portanto, função primariamente identificadora: distingue o profeta de outros personagens chamados Oseias. Isso é particularmente importante porque um contemporâneo mais jovem, Oseias filho de Ela, tornou-se o último rei de Israel. O profeta é Oseias filho de Beeri; o monarca é Oseias filho de Ela (2Rs 15.30; 17.1). Não há evidência de relação familiar entre ambos.

2. O que se sabe de sua família de origem

Nada seguro pode ser acrescentado à ascendência de Oseias além do nome de seu pai. Beeri não volta a aparecer no livro, e nenhuma genealogia posterior associa o profeta a uma família sacerdotal, levítica ou aristocrática. A afirmação de que Oseias pertenceria a determinada tribo ou linhagem ultrapassa, portanto, o testemunho disponível. A documentação conservada permite reconstruir muito mais facilmente o mundo no qual ele atuou do que sua própria família de nascimento (Seow, 1992: 3.293–294).

O profundo conhecimento demonstrado pelo profeta acerca das tradições históricas de Israel levou à hipótese de alguma proximidade com círculos sacerdotais ou levíticos. Oseias conhece e reelabora tradições relativas ao êxodo, ao deserto, a Jacó e à história religiosa de Israel; também manifesta conhecimento detalhado dos santuários e do funcionamento do culto. Isso, entretanto, não constitui prova de ascendência sacerdotal. A associação com famílias sacerdotais permanece uma reconstrução possível, não um dado biográfico (Seow, 1992: 3.294).

Convém igualmente distinguir sua família de origem da família formada pelo próprio profeta. Gomer e os filhos Jezreel, Lo-Ruhamah e Lo-Ammi pertencem à biografia adulta de Oseias e constituem um componente central de sua atividade profética (Os 1.2–9); serão tratados separadamente, pois o problema histórico e interpretativo de Os 1–3 é muito mais amplo do que aquilo que pode ser inferido sobre a ascendência do profeta.

3. Ausência de informações sobre local de nascimento, profissão e formação

Nenhuma passagem informa a cidade natal de Oseias. Também não existe tradição bíblica antiga que permita localizar com segurança seu nascimento. Sua vinculação ao reino do Norte, por outro lado, é muito mais sólida: o horizonte geográfico, político, religioso e linguístico dos oráculos é predominantemente israelita, e o profeta demonstra familiaridade particular com Efraim, Samaria, Betel e Gilgal. Isso permite caracterizá-lo como profeta israelita do Norte, mas não localizar sua cidade de origem. A hipótese de uma atuação próxima de Samaria e dos principais santuários setentrionais pertence à reconstrução de seu ministério, não à identificação de seu lugar de nascimento (Seow, 1992: 3.294).

Sua profissão anterior também é desconhecida. As numerosas imagens provenientes da agricultura, da criação de animais, da caça e da vida rural não demonstram que fosse agricultor, pastor ou proprietário de terras. Esse repertório metafórico poderia pertencer ao conhecimento comum de um israelita bem familiarizado com o ambiente de seu país. Por isso, não é possível deduzir uma ocupação específica a partir das imagens utilizadas em sua pregação (Hubbard, 1989: 26).

O mesmo cuidado se aplica à sua formação. Oseias conhece tradições proféticas, históricas, jurídicas e sapienciais, mas esse domínio não autoriza identificá-lo como sacerdote, levita ou membro de uma “escola de sábios”. A presença de vocabulário e motivos sapienciais mostra contato com um patrimônio intelectual compartilhado no Israel do século VIII a.C.; não comprova educação formal numa instituição específica. Seu perfil documentável é, portanto, mais restrito e ao mesmo tempo mais seguro: Oseias filho de Beeri foi um profeta israelita profundamente familiarizado com as tradições religiosas e históricas de seu povo, mas sua cidade natal, tribo, profissão anterior e formação institucional permanecem desconhecidas (Seow, 1992: 3.294; Hubbard, 1989: 26).

II. Origem e pertencimento ao reino do Norte

O local de nascimento de Oseias não é informado, mas sua vinculação ao reino de Israel é muito mais segura. O horizonte dominante de sua pregação é setentrional: os destinatários, a terminologia política, os centros cultuais, os conflitos internos e as relações internacionais pertencem principalmente ao mundo de Israel e de sua capital, Samaria. Essa convergência permite distinguir duas afirmações de graus diferentes: é altamente provável que Oseias tenha pertencido ao reino do Norte e nele desenvolvido seu ministério; não é possível determinar em que cidade ou região específica nasceu.

A. Oseias como profeta israelita

A procedência setentrional de Oseias não depende de uma única indicação biográfica, mas da convergência de diversos elementos presentes em sua pregação. Seus destinatários predominantes pertencem ao reino de Israel; sua linguagem política pressupõe a monarquia de Samaria; seus ataques religiosos se concentram em centros cultuais do Norte; e os acontecimentos históricos pressupostos pelos oráculos pertencem às crises que marcaram os últimos decênios do reino. Esses elementos tornam muito provável sua inserção pessoal e ministerial em Israel, ainda que não permitam determinar uma localidade específica de nascimento.

1. Israel, Efraim e Samaria como horizonte da pregação

A identificação de Oseias com o Norte repousa primeiramente nos próprios destinatários de seus oráculos. “Israel” e “Efraim” ocupam o centro de sua denúncia, enquanto Samaria aparece como sede da monarquia e expressão da ordem política que o profeta confronta (Os 5.3–5; 6.4; 7.1; 8.5–6; 10.5–7; 13.1). Em numerosos contextos, “Efraim” ultrapassa a referência estritamente tribal e funciona como designação do reino setentrional ou de sua população. Judá também aparece no livro, mas não ocupa a mesma posição estrutural na maior parte dos oráculos atribuídos à atividade do profeta.

Essa concentração já constitui um argumento mais sólido que qualquer tentativa de deduzir sua procedência a partir de uma palavra isolada. Os discursos demonstram conhecimento imediato dos problemas internos de Israel e se dirigem predominantemente a Efraim; Samaria, Betel e Gilgal figuram entre os lugares que recebem atenção repetida (Mays, 1969: 1–2). O quadro difere de Amós, cuja atividade profética ocorreu no Norte, mas cuja procedência judaíta é explicitamente indicada pelo próprio livro (Am 1.1; 7.14–15). No caso de Oseias, nenhuma origem meridional correspondente é registrada.

Samaria possui importância particular. Oseias conhece a cidade não simplesmente como referência geográfica, mas como centro do poder monárquico e de práticas religiosas que considera incompatíveis com a fidelidade a YHWH (Os 7.1; 8.5–6; 10.5–7). A frequente associação entre Efraim, Israel e Samaria pressupõe familiaridade com a estrutura política do reino. Por essa razão, sua caracterização como profeta israelita não depende do cabeçalho de Os 1.1, cuja forma final envolve problemas próprios de transmissão e edição.

2. Familiaridade com a geografia política e religiosa do Norte

O repertório geográfico reforça essa localização regional. Além de Samaria, aparecem Gilgal, Gileade, Tabor e localidades benjaminitas ou fronteiriças ligadas às convulsões políticas do século VIII a.C. (Os 5.1, 8; 6.8–9; 9.15; 12.12). Betel é atacada por meio da designação depreciativa “Bet-Áven” em passagens nas quais o santuário real do Norte constitui o pano de fundo da polêmica (Os 4.15; 5.8; 10.5). O conjunto revela uma geografia vivida da monarquia israelita, não uma enumeração antiquária de lugares.

A mesma proximidade aparece na política. O profeta acompanha a instabilidade da realeza, a sucessão violenta de governantes, as conspirações palacianas e a busca alternada de apoio junto à Assíria e ao Egito (Os 7.3–7, 11; 8.4, 9–10; 10.3, 7; 12.2). Parte desses textos tem sido relacionada a acontecimentos específicos das décadas posteriores a Jeroboão II. A correspondência precisa entre determinados oráculos e cada golpe de Estado permanece discutida, mas a atmosfera política pertence inequivocamente aos últimos decênios da monarquia israelita. O comentário histórico de Os 5–8, por exemplo, deve ser usado com cautela na reconstrução de episódios individuais, pois a linguagem poética nem sempre permite identificar um único acontecimento histórico.

Esse conhecimento não demonstra que Oseias residisse em Samaria, Betel ou Gilgal. Centros reais e cultuais eram lugares naturais para a proclamação profética, e familiaridade com eles não equivale a naturalidade ou residência. A evidência permite localizar com segurança o campo de atuação; não permite converter um dos lugares mencionados em cidade natal.

3. A questão do chamado “hebraico israelita”

As peculiaridades linguísticas de Oseias foram durante muito tempo empregadas como argumento adicional para uma origem setentrional. Certas formas lexicais, morfológicas e sintáticas foram interpretadas como reflexos de um dialeto de Samaria ou Efraim. Esse argumento, entretanto, é consideravelmente menos seguro do que a evidência histórica e geográfica. Já uma análise filológica extensa advertia que a hipótese de um dialeto distintamente samaritano no livro não havia sido demonstrada e que os óstracos de Samaria forneciam apenas controles limitados (Andersen e Freedman, 1980: 68).

A pesquisa linguística mais recente tornou a cautela ainda mais necessária. O registro epigráfico propriamente setentrional é reduzido, sobretudo quando comparado à extensão do texto bíblico, e isso cria um problema circular: determinados textos são classificados como setentrionais por apresentarem características consideradas “israelitas”, enquanto essas mesmas características são classificadas como israelitas porque aparecem nos textos previamente considerados setentrionais. Os óstracos de Samaria constituem evidência genuinamente norte-israelita e aproximadamente contemporânea, mas não proporcionam uma gramática suficientemente diferenciada para transformar as peculiaridades de Oseias em prova de procedência.

A conclusão filológica atual é, portanto, mais limitada: é historicamente plausível que houvesse variedades regionais do hebraico no reino do Norte, mas os testemunhos conservados não permitem reconstruí-las com segurança nem demonstrar que a linguagem do livro de Oseias represente um dialeto nitidamente distinto do hebraico de outras composições monárquicas. A procedência setentrional do profeta deve ser sustentada principalmente pelo conjunto histórico, político, religioso e geográfico de sua pregação, e não por uma suposta “marca dialetal” tomada isoladamente.

B. Local de origem

A associação de Oseias ao reino do Norte não permite determinar sua procedência dentro desse território. O livro revela ampla familiaridade com a vida política, religiosa e geográfica de Israel, mas nenhuma dessas referências funciona como indicação explícita de nascimento ou residência. Por isso, convém distinguir a origem regional do profeta, que pode ser estabelecida com razoável segurança, de uma origem local específica, que permanece desconhecida.

1. O silêncio das fontes

Nenhuma cidade é associada ao nome de Oseias na apresentação do livro. Os 1.1 fornece apenas o patronímico “filho de Beeri”; não há equivalente às fórmulas que identificam Amós com Técua (Am 1.1) ou Miqueias com Moreset (Mq 1.1). A introdução biográfica mais antiga preservada pelo próprio livro não oferece tribo, distrito, cidade ou propriedade ancestral.

Essa ausência permanece significativa porque o restante do livro também não fornece um dado capaz de preencher a lacuna. Uma avaliação clássica da documentação observa expressamente que não se conhece a casa ou cidade de Oseias, sua ocupação anterior nem as circunstâncias precisas do início de sua missão (Mays, 1969: 1–2). Mesmo o amplo domínio das tradições de Israel e da geografia setentrional não resolve essa questão.

2. O que a geografia de seus oráculos permite concluir

Samaria poderia naturalmente ser considerada um centro importante de sua atividade por causa da frequência e da natureza das referências à corte e à política real. Betel e Gilgal também surgem como ambientes plausíveis para proclamações relacionadas ao culto. Nenhum desses dados, porém, autoriza a fórmula “Oseias nasceu em Samaria”, “era de Betel” ou equivalente. A distinção entre local de atuação e local de origem precisa ser mantida.

O que se pode afirmar é regional. Oseias demonstra uma inserção extraordinariamente profunda na vida do reino de Israel e dirige a maior parte de sua mensagem a esse mundo. A tradição que o apresenta como profeta do Norte é, por isso, historicamente bem fundamentada; sua naturalidade numa cidade determinada permanece desconhecida. Oseias pode ser localizado no reino de Israel com alto grau de probabilidade, mas não pode ser localizado com segurança dentro dele.

III. Contexto histórico e cronologia do ministério

O ministério de Oseias deve ser situado na fase final do reino de Israel, período que combina a prosperidade alcançada sob Jeroboão II com uma rápida deterioração dinástica e, posteriormente, com a crescente submissão à Assíria. A inscrição de Os 1.1 associa o profeta a Jeroboão II, mas estende a referência cronológica pelos reinados de vários reis de Judá. Essa moldura não deve ser convertida automaticamente numa duração contínua do ministério: alusões presentes no livro parecem pressupor acontecimentos posteriores à morte de Jeroboão, enquanto a extensão exata da atividade do Oseias histórico permanece discutida (Hasegawa, 2024: 23).

A. Do apogeu de Jeroboão II à crise dinástica

O período em que Oseias emerge como profeta coincide com uma das transições mais abruptas da história israelita. A dinastia de Jeú, que governara por aproximadamente nove décadas, chegou ao auge territorial e econômico sob Jeroboão II e desapareceu pouco depois de sua morte. Em poucos anos, a relativa continuidade monárquica deu lugar a assassinatos de reis, usurpações e mudanças de orientação externa. Esse contraste entre prosperidade aparente e fragilidade estrutural constitui parte essencial do horizonte da pregação de Oseias.

1. O reinado de Jeroboão II

Jeroboão II pertenceu à quarta geração da dinastia iniciada por Jeú e governou Israel durante boa parte da primeira metade do século VIII a.C. A cronologia absoluta varia conforme o sistema adotado; uma reconstrução recente situa seu reinado aproximadamente entre 788/787 e 748 a.C. (Hasegawa, 2024: 23). A narrativa de 2Rs 14.23–29 atribui-lhe ampla recuperação territorial e apresenta seu governo como período de fortalecimento do reino.

A prosperidade dessa época não depende apenas da descrição de 2Rs. A arqueologia do período conhecido como Ferro IIB apresenta indícios de crescimento material em diversas localidades israelitas, embora não confirme de maneira inequívoca todas as expansões territoriais atribuídas a Jeroboão. Os óstracos de Samaria, geralmente datados de seu reinado, registram entregas de vinho e azeite e testemunham uma administração capaz de organizar a arrecadação e o transporte de produtos agrícolas para a capital. Esse material é compatível com um aparelho estatal centralizado e economicamente ativo (Hasegawa, 2024: 27).

Esse ambiente oferece um pano de fundo plausível para determinadas críticas de Oseias à abundância agrícola, ao luxo cultual e à autossuficiência econômica (Os 2.7–10; 4.7–13; 10.1; 12.9). A correspondência, porém, não permite datar automaticamente tais oráculos no reinado de Jeroboão II. A prosperidade do período pode explicar parte do mundo pressuposto pelo livro, mas a forma atual dos discursos não conserva marcadores históricos suficientemente precisos para vincular cada denúncia a uma etapa específica do reinado. A própria pesquisa recente trata essa associação como possibilidade histórica, e não como identificação segura de contexto (Hasegawa, 2024: 30–31).

Os 1.4 é particularmente significativo porque anuncia juízo contra a “casa de Jeú”. A profecia pressupõe, em sua leitura histórica mais natural, que a dinastia ainda existia quando o anúncio surgiu. O texto associa seu fim ao “sangue de Jezreel”, remetendo o leitor às violências que acompanharam a ascensão de Jeú (2Rs 9–10), embora não seja possível demonstrar que essa seja a única referência histórica pretendida pela expressão. O dado mais seguro é que o anúncio se dirige contra uma dinastia ainda reconhecível como estrutura governante e antecipa seu desaparecimento.

2. O fim da dinastia de Jeú e a sucessão de golpes

A morte de Jeroboão II abriu uma fase de instabilidade quase permanente. Seu filho Zacarias, último representante da dinastia de Jeú, governou apenas seis meses antes de ser assassinado por Salum (2Rs 15.8–12). Com isso terminou a linhagem que dominara Israel por cerca de noventa anos. A reconstrução cronológica utilizada por Hasegawa coloca a morte de Zacarias provavelmente em 747 a.C. (2024: 28).

Salum permaneceu no trono somente um mês. Menaém marchou contra ele, matou-o e assumiu o poder (2Rs 15.13–14). A sucessão evidencia que a crise não consistiu simplesmente na substituição de uma dinastia por outra: o próprio mecanismo de transmissão da realeza havia se tornado instável. Depois de décadas de continuidade sob a casa de Jeú, o trono passou a depender cada vez mais da capacidade de grupos militares e facções palacianas de impor um novo governante.

Esse quadro ilumina a violência política denunciada por Oseias. Os 7.3–7 descreve uma corte marcada por intriga e pelo desaparecimento de reis; Os 8.4 acusa Israel de constituir reis sem aprovação divina. Seria tentador identificar Os 7.3–7 com o assassinato de Zacarias, de Facéias ou de Faceia. A linguagem do poema, contudo, não permite escolher um desses episódios com segurança. A sucessão de regicídios constitui um contexto histórico muito mais sólido do que qualquer identificação individual: a referência a “reis” no plural pode refletir justamente a repetição desse padrão durante as últimas décadas de Israel (Hasegawa, 2024: 32–33).

A ascensão de Menaém marca também uma mudança decisiva na escala da crise. A instabilidade interna passou a ser inseparável da expansão neoassíria. Para preservar seu trono, Menaém entregou pesado tributo a Tiglate-Pileser III, episódio registrado tanto em 2Rs 15.19–20 quanto nas inscrições reais assírias. A partir desse ponto, a cronologia de Oseias cruza diretamente documentação extrabíblica contemporânea, permitindo reconstruir com maior precisão o ambiente político no qual parte de sua pregação deve ser compreendida.

B. A crise sucessória depois de Jeroboão II

A morte de Jeroboão II encerrou o último período prolongado de estabilidade dinástica do reino do Norte. Em contraste com os cerca de noventa anos de domínio da casa de Jeú, as décadas seguintes foram marcadas por sucessões violentas, reinados breves, conspirações militares e crescente interferência assíria. Essa decomposição do poder monárquico constitui um dos contextos mais plausíveis para as críticas de Oseias à realeza: o profeta conhece um sistema no qual reis são elevados e derrubados em rápida sequência e no qual a busca de segurança política acaba submetendo Israel às grandes potências estrangeiras.

1. Zacarias e o fim da casa de Jeú

Zacarias sucedeu a Jeroboão II e foi o quinto e último rei da dinastia fundada por Jeú. Seu governo durou apenas seis meses antes de ser encerrado por uma conspiração de Selum, que o assassinou e tomou o trono (2Rs 15.8–12). Com sua morte cumpriu-se a continuidade de quatro gerações prometida à descendência de Jeú (2Rs 10.30; 15.12). A cronologia absoluta apresenta dificuldades, mas uma reconstrução recente situa a transição entre Zacarias e Selum por volta de 748–747 a.C. (Hasegawa, 2024: 28).

O episódio possui relevância especial para a leitura de Os 1.4, onde é anunciado o castigo da “casa de Jeú” por causa do “sangue de Jezreel”. Se o núcleo desse anúncio precede o desaparecimento da dinastia, ele fornece um dos pontos cronológicos mais importantes para situar a atividade inicial de Oseias. A identificação do “sangue de Jezreel” exclusivamente com o massacre promovido por Jeú em 2Rs 9–10, contudo, não é demonstrável: o texto pode pressupor essa tradição, mas não existem elementos suficientes para excluir outras referências históricas hoje desconhecidas. A relação entre Os 1.4 e o fim da dinastia é mais segura do que a reconstrução exata do acontecimento ao qual a expressão “sangue de Jezreel” se refere.

Selum não conseguiu estabelecer uma nova casa real. Depois de apenas um mês no poder, foi morto por Manaém, que partiu de Tersa, entrou em Samaria e assumiu o trono (2Rs 15.13–14). Em menos de um ano, Israel havia passado do último descendente de uma dinastia quase centenária para dois reis que chegaram ao poder mediante assassinato. A sucessão revela não apenas rivalidade pessoal, mas a erosão do mecanismo de legitimidade que sustentara a monarquia setentrional.

2. Manaém e a dependência da Assíria

Manaém conseguiu permanecer no poder por mais tempo, mas sua estabilidade passou a depender de uma realidade externa que se tornaria decisiva para o destino de Israel. Quando Tiglate-Pileser III avançou sobre a região, o rei israelita entregou-lhe pesado tributo “para que o apoiasse e consolidasse o poder real em suas mãos” (2Rs 15.19–20). A narrativa de Reis associa, portanto, de maneira explícita a preservação do trono de Manaém ao apoio assírio.

Esse contato não depende apenas da historiografia bíblica. As inscrições reais de Tiglate-Pileser III incluem Manaém de Samaria entre os governantes levantinos submetidos ao pagamento de tributo. A convergência entre 2Rs e a documentação assíria torna esse episódio um dos pontos históricos mais firmes para a reconstrução da última fase do reino do Norte. Hasegawa situa o tributo em torno de 738 a.C., no contexto da retomada da expansão imperial assíria para o oeste (2024: 29).

A maneira como o tributo foi obtido também é significativa. Segundo 2Rs 15.20, Manaém distribuiu o encargo entre os proprietários ou homens de posses de Israel, exigindo deles a prata necessária ao pagamento. O episódio mostra como política interna e submissão imperial se entrelaçavam: recursos extraídos da população serviam para sustentar a posição do rei diante da potência dominante. Esse cenário fornece contexto concreto para a crítica de Oseias às tentativas de encontrar segurança por meio da Assíria (Os 5.13; 7.11; 8.9–10; 12.2), embora cada um desses textos deva ser datado individualmente com cautela.

3. Facéias, Facéia e a continuidade dos regicídios

Manaém foi sucedido por seu filho Facéias. A transmissão hereditária pareceu momentaneamente restaurada, mas o novo rei permaneceu no poder por pouco tempo. Facéia, filho de Romelias e oficial do próprio rei, conspirou contra ele em Samaria e o matou com o apoio de cinquenta homens de Galaad (2Rs 15.23–26). A casa de Manaém terminou, assim, na geração seguinte à sua fundação.

Facéia assumiu o trono num momento em que a relação com a Assíria se tornava cada vez mais determinante. Seu governo adotou uma orientação antiassíria e aproximou Israel de Rason de Damasco, movimento que culminaria na guerra siro-efraimita e na intervenção de Tiglate-Pileser III. As campanhas assírias reduziram drasticamente o território israelita, atingindo Galaad, a Galileia e outras regiões antes controladas por Samaria (2Rs 15.29). A crise sucessória deixava, assim, de ser apenas uma luta pelo palácio: passava a ocorrer no interior de um reino territorialmente amputado e submetido à pressão de um império em expansão (Hasegawa, 2024: 29–30).

O próprio Facéia terminou como seus predecessores. Oseias, filho de Ela, conspirou contra ele, matou-o e ocupou o trono (2Rs 15.30). A documentação assíria apresenta a mudança de regime sob outra perspectiva, relacionando a deposição de Facéia e a instalação de Oseias à intervenção de Tiglate-Pileser III. A diferença não exige escolher simplesmente entre uma “versão bíblica” e uma “versão assíria”: uma conspiração interna e a aprovação ou imposição assíria podem ter pertencido ao mesmo processo político. O ponto historicamente seguro é que, nessa altura, a sucessão ao trono de Samaria já não podia ser compreendida sem a presença imperial.

4. A crise monárquica na pregação de Oseias

Esse ciclo ajuda a explicar a intensidade da crítica de Oseias à monarquia. “Eles constituíram reis sem o meu consentimento, estabeleceram chefes sem que eu soubesse”, declara Os 8.4; Os 7.3–7, por sua vez, descreve uma corte envolvida em intriga, embriaguez e queda de governantes. Não é possível identificar com segurança o rei morto em Os 7 com Zacarias, Facéias ou Facéia. O plural empregado no contexto favorece antes a compreensão de uma sucessão recorrente de regicídios do que a referência inequívoca a um único golpe (Hasegawa, 2024: 32–33).

A crítica profética, portanto, não se reduz à condenação de um soberano particular. Oseias contempla uma instituição incapaz de produzir estabilidade: reis são feitos e desfeitos, facções competem pelo poder e alianças internacionais substituem a confiança em YHWH como fundamento da segurança nacional. A crise sucessória depois de Jeroboão II constitui, nesse sentido, não apenas o pano de fundo político da atividade do profeta, mas uma das realidades históricas às quais sua denúncia da monarquia responde mais diretamente.

C. A expansão assíria

A crise interna de Israel coincidiu com a recuperação militar e administrativa da Assíria sob Tiglate-Pileser III. A partir da década de 740 a.C., a política assíria no Levante deixou de consistir apenas na cobrança episódica de tributos e passou a combinar vassalagem, intervenção dinástica, anexação territorial e deportação. Para Israel, isso significou uma mudança decisiva: o reino ainda podia conservar certa autonomia sob Manaém, mas nas décadas seguintes perdeu territórios, população e capacidade de conduzir sua própria política externa. Esse avanço imperial forma o pano de fundo histórico mais importante das referências de Oseias à Assíria.

1. Tiglate-Pileser III

Tiglate-Pileser III governou a Assíria entre 744 e 727 a.C. e promoveu uma reorganização profunda da presença assíria no oeste. Depois de campanhas contra a Síria setentrional, suas operações avançaram progressivamente para a Síria meridional, a Palestina e a Transjordânia. A edição das inscrições reais resume esse processo como uma sequência de conquistas e anexações que alcançou “a maior parte do reino de Israel”, acompanhada por deportações em larga escala e pela transformação de territórios conquistados em províncias assírias (Tadmor e Yamada, 2011: 2).

A importância desse reinado para Oseias reside no fato de que a Assíria deixa de aparecer apenas como potência distante. Ela passa a determinar diretamente as possibilidades políticas de Israel. As campanhas ocidentais de Tiglate-Pileser III culminaram entre 734 e 732 a.C., precisamente quando as tensões entre Israel, Damasco, Judá e Assíria atingiram seu ponto máximo. As inscrições reais organizam essas operações como parte de uma ofensiva mais ampla contra a Síria meridional, a Palestina e a Arábia (Tadmor e Yamada, 2011: 9).

Esse ambiente ajuda a explicar a frequência com que Oseias menciona a Assíria. O império não representa apenas uma ameaça militar futura; ele já integra o horizonte diplomático de Israel. O profeta denuncia justamente a tentativa de buscar segurança política em uma potência que, na prática, estava progressivamente reduzindo a autonomia do reino (Os 5.13; 7.11; 8.9; 10.6; 12.2; 14.4).

2. Dependência tributária

A submissão de Manaém constitui o primeiro ponto firmemente documentado dessa nova etapa. 2Rs 15.19–20 relata que o rei entregou mil talentos de prata a “Pul”, nome pelo qual Tiglate-Pileser III é designado no texto, a fim de obter apoio para consolidar seu poder. O tributo foi levantado entre os homens ricos de Israel, ligando diretamente a sobrevivência política da monarquia ao custo econômico imposto à população.

A documentação assíria confirma independentemente a submissão. Uma das inscrições de Tiglate-Pileser III inclui “Manaém de Samaria” entre os reis ocidentais que lhe pagaram tributo, ao lado de governantes como Rason de Damasco (RINAP 1, Tiglate-Pileser III 35 iii 5). Essa convergência entre fonte bíblica e inscrição real torna a dependência de Manaém um dos dados historicamente mais seguros para essa fase.

O pagamento, porém, não deve ser entendido como simples transação diplomática. O sistema tributário assírio criava uma relação permanente de dependência. O rei vassalo permanecia no trono enquanto reconhecesse a supremacia assíria, efetuasse pagamentos e evitasse alianças consideradas hostis. A linguagem de Oseias sobre “ir à Assíria” em busca de cura ou proteção ganha particular força nesse ambiente, pois o profeta interpreta como infidelidade religiosa aquilo que a corte apresentava como estratégia de sobrevivência política (Os 5.13; 8.9–10).

3. Intervenção política assíria

A presença assíria tornou-se ainda mais direta quando disputas dinásticas e política externa passaram a se entrelaçar. Depois de Manaém, Israel oscilou entre submissão e resistência. Facéia rompeu com a orientação anterior e se associou a Rason de Damasco numa política antiassíria, cenário que desembocou na chamada guerra siro-efraimita.

A resposta de Tiglate-Pileser III ultrapassou a cobrança de tributo. A Assíria passou a intervir na própria configuração política do reino. A tradição de 2Rs 15.30 atribui a morte de Facéia a uma conspiração de Oseias, filho de Ela, enquanto as inscrições assírias apresentam Facéia e Oseias no contexto da intervenção de Tiglate-Pileser III (RINAP 1, Tiglate-Pileser III 42:17′; 44:18′). As duas perspectivas não precisam ser consideradas mutuamente excludentes: uma mudança promovida por facções internas podia ocorrer sob pressão ou com aprovação assíria.

Esse dado é importante para a compreensão da crítica de Oseias à monarquia. Quando o profeta denuncia reis constituídos sem a aprovação divina (Os 8.4), o problema não é apenas teológico em sentido abstrato. A realeza israelita estava cada vez mais sujeita a forças externas, facções palacianas e rearranjos produzidos pela política imperial.

4. Redução territorial de Israel

A consequência mais visível da expansão assíria foi a perda territorial. 2Rs 15.29 atribui a Tiglate-Pileser III a conquista de Ijon, Abel-Bet-Maaca, Janoa, Cedes, Hazor, Galaad, Galileia e toda a terra de Neftali, acompanhada da deportação de habitantes para a Assíria. A lista mostra que Israel perdeu extensas regiões no norte e na Transjordânia, deixando Samaria à frente de um reino muito reduzido.

As inscrições assírias descrevem o mesmo processo em escala imperial: reinos submetidos eram parcialmente ou totalmente anexados, populações deportadas e territórios reorganizados como unidades provinciais. A introdução do RINAP 1 caracteriza a política de Tiglate-Pileser III como responsável pela anexação de numerosos estados sírio-palestinos e da maior parte do território israelita, seguida por deslocamentos populacionais de grande escala (Tadmor e Yamada, 2011: 2).

Essa mutilação territorial alterou radicalmente a posição de Samaria. O reino que sob Jeroboão II havia conhecido expansão e prosperidade encontrava-se agora comprimido em torno de seu núcleo central, tributário e politicamente vulnerável. O contraste ajuda a compreender a urgência das imagens de Oseias: Efraim aparece ferido, enfermo, buscando socorro estrangeiro e incapaz de impedir sua própria desintegração (Os 5.11–14; 7.8–12; 8.8–10).

A expansão assíria, portanto, não constitui apenas o cenário internacional da atividade de Oseias. Ela participa diretamente da crise que o profeta interpreta como juízo sobre Israel. O avanço imperial, a tributação, a perda territorial e a dependência política fornecem o contexto concreto para sua insistência de que nem a diplomacia nem a submissão às grandes potências poderiam oferecer a segurança que Israel procurava.

D. A queda de Samaria

A queda de Samaria encerrou a existência do reino de Israel como Estado independente e levou à incorporação de seu território ao sistema provincial assírio. A reconstrução dos acontecimentos depende da combinação de 2Rs 17–18, da Crônica Babilônica, das inscrições de Sargão II e dos dados arqueológicos. Essas fontes concordam quanto ao resultado — a submissão de Samaria e o fim da monarquia —, mas não apresentam da mesma maneira a conquista, as deportações e o papel desempenhado sucessivamente por Salmanasar V e Sargão II.

1. Oseias, filho de Ela, e a ruptura com a Assíria

Oseias, filho de Ela, foi o último rei de Israel. Sua ascensão já ocorreu num reino profundamente reduzido pelas campanhas de Tiglate-Pileser III. A inscrição assíria que registra a substituição de Faceia por Oseias mostra que o novo soberano assumiu o poder dentro de uma ordem regional dominada pela Assíria; outra documentação indica que Oseias posteriormente lhe pagou tributo. A monarquia de Samaria conservava existência formal, mas sua liberdade de ação externa estava severamente limitada.

Segundo 2Rs 17.3–4, Salmanasar V avançou contra Oseias, que se tornou seu vassalo e lhe entregou tributo. Em seguida, o rei israelita procurou apoio egípcio e deixou de efetuar o pagamento anual, sendo preso pelo soberano assírio. A identificação do governante egípcio chamado “So” e alguns detalhes textuais da passagem são discutidos, razão pela qual não se pode reconstruir com precisão a negociação diplomática. O elemento central da narrativa permanece claro: a tentativa de romper a vassalagem precipitou a intervenção que terminou com a destruição da monarquia israelita (Cogan e Tadmor, 1988: 195–199).

A procura simultânea ou alternada de apoio entre grandes potências encontra paralelo direto nas denúncias de Oseias. Efraim é comparado a uma pomba que “chama o Egito” e “vai para a Assíria” (Os 7.11), enquanto outra passagem afirma que Israel “subiu para a Assíria” (Os 8.9). Em Os 12.2, Assíria e Egito aparecem novamente como polos da diplomacia israelita. Esses textos não precisam ser associados todos ao último reinado, mas mostram que a política de alianças internacionais constituía um problema recorrente no horizonte do profeta.

2. O cerco e a conquista de Samaria

2Rs 17.5–6 relata que o rei da Assíria invadiu o país, sitiou Samaria por três anos e finalmente tomou a cidade. A tradição paralela de 2Rs 18.9–11 situa o início do cerco no sétimo ano de Oseias e sua conclusão no nono. A cronologia absoluta dessas fórmulas apresenta dificuldades próprias, mas a queda é geralmente situada em torno de 722/721 a.C.

A atribuição da conquista a Salmanasar V possui apoio extrabíblico de particular importância. A Crônica Babilônica registra, durante o reinado desse monarca, que ele devastou ou conquistou Samaria. O dado é especialmente significativo porque procede de uma tradição historiográfica independente de Reis. A edição das fontes assírio-babilônicas confirma que Salmanasar reinou até 722 a.C. e que a tradição cronística lhe atribuía a ação contra a capital israelita (Tadmor e Yamada, 2011: 18–19, 177–178).

A arqueologia não oferece, contudo, uma camada de destruição capaz de resolver sozinha a sequência dos acontecimentos. O reexame dos restos de Samaria mostrou que a linguagem de devastação empregada nas inscrições imperiais não deve ser automaticamente tomada como descrição literal de destruição total. O controle assírio podia envolver capitulação, deportação seletiva, reorganização administrativa e continuidade de parcela significativa da população local, além de danos propriamente militares (Tappy, 2019: 147–188).

3. Salmanasar V e Sargão II

A principal dificuldade histórica surge porque as inscrições de Sargão II, sucessor de Salmanasar V, também apresentam a conquista de Samaria como realização sua. Em diferentes textos, Sargão afirma ter sitiado ou conquistado a cidade, deportado milhares de seus habitantes, incorporado carros de guerra ao exército assírio, instalado um governador e imposto tributo. Uma das versões registra cerca de 27.280 deportados, embora os números variem entre os testemunhos e algumas leituras permaneçam incertas.

Não existe, por isso, consenso absoluto sobre a sequência entre 722 e 720 a.C. Uma reconstrução tradicional admite duas intervenções: Salmanasar V teria conquistado Samaria pouco antes de morrer, e Sargão II teria enfrentado nova rebelião e reconquistado a cidade por volta de 720. Cogan e Tadmor adotaram essencialmente esse modelo, distinguindo a primeira tomada sob Salmanasar da reorganização e das deportações posteriores sob Sargão (1988: 195–203).

Outras reconstruções propõem uma única conquista. O balanço interdisciplinar mais recente mostra a diversidade: alguns atribuem a tomada efetiva a Sargão, enquanto o reexame das inscrições conduz Eckart Frahm à conclusão provisória de que Salmanasar V foi responsável pela conquista de Samaria, cabendo a Sargão principalmente as deportações e a reorganização subsequente (Frahm, 2019: 55–85). A convergência entre 2 Reis e a Crônica Babilônica torna a participação de Salmanasar especialmente difícil de descartar, mas as reivindicações de Sargão também pertencem ao conjunto documental e exigem explicação.

A formulação historicamente mais segura é, portanto, que Samaria perdeu sua independência no processo assírio de conquista desenvolvido entre os últimos anos de Salmanasar V e os primeiros de Sargão II, aproximadamente entre 722 e 720 a.C. A natureza exata de cada etapa continua discutida.

4. Deportação e fim do reino de Israel

A queda da capital foi seguida pela deportação de parte da população e pela reorganização do território. 2Rs 17.6 menciona israelitas conduzidos para Hala, junto ao Habor, rio de Gozã, e para cidades da Média. As inscrições de Sargão confirmam a política de deportação e registram também a incorporação de especialistas militares samarianos, particularmente contingentes de carros, ao serviço imperial.

A deportação não significou a remoção de toda a população do antigo reino. O próprio relato assírio distingue os deportados daqueles que permaneceram, e a arqueologia não sustenta uma completa desocupação da região. A política imperial consistia em remover segmentos estrategicamente relevantes, reassentar outros grupos e integrar os territórios conquistados à administração assíria. Samaria continuou habitada, mas já não era a capital de um reino independente.

O desaparecimento do Estado israelita constitui o desfecho histórico do mundo contra o qual Oseias havia profetizado. Ainda assim, não se pode afirmar como dado biográfico que o profeta tenha presenciado pessoalmente a queda de Samaria. O livro contém oráculos que se ajustam às últimas décadas da monarquia e anunciam repetidamente a ruína de Efraim, mas determinar quais deles precedem imediatamente 722 a.C. depende de decisões sobre transmissão e formação literária. O estudo específico dessa questão adverte contra a transformação do livro em uma crônica contínua dos acontecimentos finais do reino (Nissinen, 2019: 369–382).

Assim, a queda de Samaria estabelece um limite histórico fundamental para compreender Oseias, mas não fornece por si mesma o terminus seguro de sua atividade pessoal. A última fase comprovável do profeta deve ser reconstruída a partir dos oráculos que pressupõem a crise assíria e a desintegração da monarquia, não da suposição de que ele necessariamente viveu até assistir à conquista da capital.

IV. Cronologia do ministério profético

A cronologia de Oseias não pode ser estabelecida apenas pela enumeração de reis em Os 1.1. A superscrição fornece um quadro cronológico importante, mas sua forma atual pertence à história literária do livro e precisa ser confrontada com as alusões políticas dos próprios oráculos. Estas indicam atividade durante as últimas décadas do reino do Norte, atravessando a transição entre a relativa estabilidade de Jeroboão II e a desagregação política que precedeu a queda de Samaria. A datação do ministério deve, portanto, combinar a superscrição com os acontecimentos pressupostos pelo corpo do livro, sem transformar nenhum dos dois em cronologia contínua.

A. A superscrição do livro

Os 1.1 apresenta Oseias mediante uma fórmula que abrange todo o livro e situa a palavra profética nos dias de quatro reis de Judá — Ozias, Joatão, Acaz e Ezequias — e de um único rei de Israel, Jeroboão, filho de Joás. A disposição é notável porque Oseias dirigiu sua atividade predominantemente ao reino do Norte. A assimetria entre as duas listas constitui, por isso, um dos principais problemas para determinar quanto da superscrição preserva memória cronológica do profeta e quanto pertence à organização posterior de sua obra (Seow, 1992: 3.294).

1. Os reis de Judá

A sequência Ozias–Joatão–Acaz–Ezequias é semelhante à moldura cronológica de Is 1.1 e cobre um intervalo potencialmente muito maior que aquele que pode ser demonstrado para a atividade de Oseias. Se fossem considerados os reinados completos dos quatro soberanos, o resultado seria uma carreira profética excepcionalmente longa; a própria lista, contudo, não exige que Oseias tenha atuado desde o início do reinado de Ozias até uma fase avançada do governo de Ezequias. A fórmula pode simplesmente localizar a tradição profética dentro de uma era definida por esses reinados.

A comparação com outras superscrições mostra também que os títulos dos livros proféticos passaram por trabalho editorial. No caso de Oseias, Andersen e Freedman observam que os quatro soberanos são agrupados como “reis de Judá” e que a estrutura parece concebê-los como uma sequência cronológica unitária. O intervalo representado pela lista poderia ser relativamente curto caso a atividade começasse no final do reinado de Ozias e alcançasse apenas o início do de Ezequias, e não a totalidade dos quatro reinados (Andersen and Freedman, 1980: 147–148).

Por essa razão, a presença do nome de Ezequias não demonstra que Oseias tenha profetizado até uma data específica de seu reinado, muito menos que estivesse ativo depois da queda de Samaria. Ela estabelece antes o limite mais amplo adotado pela tradição editorial que transmitiu o livro.

2. Jeroboão II de Israel

Do lado israelita, a superscrição menciona somente Jeroboão II, embora diversos reis tenham ocupado o trono de Samaria depois dele durante o período pressuposto pelos oráculos. Essa ausência é particularmente significativa porque a instabilidade posterior a Jeroboão — assassinatos, sucessões rápidas, submissão à Assíria e disputas de política externa — aparece de maneira reconhecível em várias partes do livro.

A menção de Jeroboão II possui, contudo, forte valor para o início da atividade profética. Os 1.4 anuncia o fim da “casa de Jeú”, expressão que pressupõe naturalmente uma época em que essa dinastia ainda subsistia. Jeroboão II foi o penúltimo representante da casa de Jeú, e seu filho Zacarias, assassinado depois de apenas seis meses no trono, encerrou a dinastia (2Rs 15.8–12). Isso torna historicamente plausível que a atividade de Oseias tenha começado nos últimos anos de Jeroboão II, ainda antes da crise sucessória que se seguiu à sua morte.

O conteúdo posterior do livro, entretanto, ultrapassa claramente esse horizonte inicial. A pregação conhece uma monarquia marcada pela repetição de golpes, relações tributárias com a Assíria e diplomacia envolvendo Assíria e Egito. Por isso, a presença exclusiva de Jeroboão II em Os 1.1 não pode ser utilizada para limitar o ministério de Oseias ao seu reinado. A própria pesquisa que aceita uma origem oitocentista substancial para os oráculos situa parte significativa deles depois da morte de Jeroboão (Seow, 1992: 3.294).

3. O problema do desequilíbrio entre as duas listas

A questão decisiva é por que uma obra dirigida principalmente a Israel enumera quatro reis de Judá e apenas um rei israelita. Entre Jeroboão II e a destruição de Samaria sucederam-se Zacarias, Selum, Manaém, Faceias, Faceia e Oseias, e vários acontecimentos associados a esse período parecem pressupostos no livro. O silêncio da superscrição sobre esses soberanos dificilmente representa uma cronologia completa do ministério.

Uma explicação amplamente aceita relaciona a forma atual do título à transmissão do livro em Judá. A precedência concedida aos reis judaítas e a continuidade da lista até Ezequias seriam sinais de que as palavras do profeta do Norte foram preservadas e enquadradas por transmissores judaítas depois da dissolução do reino de Israel. Essa leitura encontra apoio tanto na análise da superscrição quanto no fato de que a obra sobreviveu dentro de uma tradição literária preservada em Judá (Seow, 1992: 3.293–294; McConville, 2002: 135).

A explicação editorial, porém, não resolve todos os detalhes. Andersen e Freedman chamam atenção para o fato de que a omissão não pode ser atribuída simplesmente à ignorância ou ao desprezo de um editor judaíta: nem mesmo Zacarias, herdeiro direto de Jeroboão II e membro da mesma dinastia, aparece na lista. Para eles, a peculiaridade parece pertencer a um esquema de titulação mais complexo, cuja lógica não pode ser integralmente recuperada (Andersen and Freedman, 1980: 147–148).

A superscrição deve, assim, ser utilizada de maneira assimétrica. Jeroboão II fornece um ponto de referência plausível para o início do ministério, enquanto a sucessão de reis judaítas fornece uma moldura editorial mais ampla, mas não uma sequência biográfica literal. A duração efetiva da atividade de Oseias precisa ser determinada sobretudo pelas indicações históricas preservadas nos próprios oráculos.

B. Início provável do ministério

A fase inicial da atividade de Oseias pode ser situada com maior segurança que seu término. A combinação entre a superscrição de Os 1.1 e o anúncio contra a casa de Jeú em Os 1.4 aponta para os últimos anos de Jeroboão II, quando a dinastia fundada por Jeú ainda ocupava o trono de Israel. Não é possível determinar o ano em que Oseias começou a profetizar nem reconstruir uma experiência inaugural de vocação semelhante às preservadas para outros profetas; o dado cronológico resulta sobretudo do contexto histórico pressuposto pelos primeiros oráculos.

1. Os últimos anos de Jeroboão II

Jeroboão II representa o ponto de partida mais provável para a atividade de Oseias. Seu longo reinado correspondeu a uma fase de recuperação territorial e prosperidade econômica, mas a estabilidade da casa de Jeú estava próxima do fim. Os 1.1 o menciona expressamente como o único rei de Israel associado ao profeta, e Os 1.4 anuncia que, “dentro de pouco tempo”, YHWH castigaria a casa de Jeú e faria cessar seu domínio.

A pesquisa recente continua situando o aparecimento de Oseias aproximadamente em meados do século VIII a.C., particularmente nos últimos anos de Jeroboão II. Aster observa que, apesar das grandes divergências sobre a formação literária de Os 1–3, existe ampla convergência quanto a esse ponto histórico: a atividade do profeta começou ainda sob Jeroboão, pouco antes da desagregação da dinastia (Aster, 2012: 31).

Essa localização corresponde também à mudança de ambiente perceptível no livro. Os primeiros capítulos ainda podem pressupor uma monarquia relativamente consolidada, enquanto numerosas passagens posteriores refletem uma realidade de golpes de Estado, reis sucessivos, pressões estrangeiras e crescente dependência da Assíria. O ministério de Oseias parece, assim, ter começado na transição entre a prosperidade do reinado de Jeroboão II e a crise política que explodiu depois de sua morte.

2. Os 1.4 e a “casa de Jeú”

A referência à “casa de Jeú” constitui o indício mais importante para esse início cronológico. O nome Jezreel dado ao primeiro filho de Oseias é acompanhado do anúncio de que YHWH visitaria “os sangues de Jezreel” sobre a dinastia de Jeú e poria fim ao seu domínio sobre Israel (Os 1.4). A interpretação tradicional relaciona a expressão sobretudo à violência que acompanhou a tomada do poder por Jeú e a eliminação da casa de Acab em Jezreel e Samaria (2Rs 9–10). Essa associação é provável, mas o alcance exato da expressão continua discutido.

O plural “sangues de Jezreel” pode abranger mais do que um único homicídio ou episódio. Parte da pesquisa entende a expressão como evocação mais ampla da violência ligada à fundação da dinastia; outros a relacionam de maneira mais direta ao massacre dos omridas. Aster defende esta segunda orientação, mas amplia seu significado: Jezreel não seria apenas lembrança de um acontecimento passado, pois a cidade e seu vale possuíam forte associação com o poder militar israelita. A arqueologia do sítio indica que Jezreel servira, durante o período omrida, como importante instalação militar, provavelmente ligada à concentração de carros, cavalaria e tropas (Aster, 2012: 36–42).

Nessa leitura, Os 1.4–5 forma uma unidade particularmente expressiva. O primeiro versículo anuncia o fim da dinastia que chegou ao poder mediante derramamento de sangue; o segundo anuncia a quebra do “arco de Israel” precisamente no vale de Jezreel. Aster entende essa sequência como crítica não somente à origem violenta da casa de Jeú, mas à confiança israelita no poder militar e nas alianças políticas que sustentavam a monarquia (2012: 42–43). Essa reconstrução detalhada permanece interpretativa, mas a ligação mais básica entre Jezreel, a casa de Jeú e o anúncio de sua queda é firmemente estabelecida pelo próprio texto.

Para a cronologia de Oseias, o aspecto decisivo é outro. Se o núcleo de Os 1.4 pertence à pregação histórica do profeta, a expressão “ainda um pouco” pressupõe naturalmente que a casa de Jeú continuava no poder quando o anúncio foi formulado. Jeroboão II ainda reinava, ou a dinastia estava em seus momentos finais antes do assassinato de Zacarias (2Rs 15.8–12). A primeira alternativa se harmoniza melhor com a superscrição de Os 1.1 e explica por que Jeroboão, e não Zacarias, foi preservado como referência cronológica principal.

3. Data aproximada do início da atividade

Não se pode converter esses indícios em uma data anual precisa. As diferentes cronologias dos reis de Israel produzem pequenas variações, e a história literária de Os 1–3 impede que cada fórmula seja tratada automaticamente como registro contemporâneo. A localização mais prudente situa, portanto, o início da atuação de Oseias por volta de meados do século VIII a.C., provavelmente na década de 750 a.C., durante os últimos anos de Jeroboão II.

Propostas mais estreitas foram apresentadas. Andersen e Freedman, por exemplo, concentraram a atividade inicial num intervalo aproximado entre 750 e 740 a.C.; outras reconstruções estendem o ministério consideravelmente além disso. A existência dessa diversidade recomenda que o verbete não atribua a Oseias um ano de vocação que as fontes não preservam.

O ponto historicamente mais seguro é a sequência relativa: Oseias começou a profetizar quando a casa de Jeú ainda governava Israel, viu ou pressupôs seu desaparecimento e continuou atuando durante parte substancial da instabilidade que se seguiu. Isso torna os últimos anos de Jeroboão II o melhor horizonte disponível para o início de sua carreira profética, sem exigir uma precisão cronológica que o livro não oferece.

C. A última fase do ministério

A fase final da atividade de Oseias é mais difícil de delimitar que seu início. Diversos oráculos pressupõem uma situação posterior a Jeroboão II e refletem a desagregação política do reino, a crescente intervenção assíria e a busca de apoio externo. Esses elementos permitem acompanhar o profeta até uma etapa avançada da crise israelita, mas não demonstram que sua atividade tenha alcançado a conquista de Samaria em 722/721 a.C.

1. A crise política posterior a Jeroboão II

A morte de Jeroboão II foi seguida pelo rápido desaparecimento da casa de Jeú e por uma sucessão de golpes que transformou profundamente a monarquia israelita. Esse ambiente parece refletir-se em passagens nas quais Oseias descreve reis que surgem sem aprovação divina, conspirações palacianas e governantes que caem uns após outros (Os 7.3–7; 8.4; 10.3, 7).

Os 7.3–7 é particularmente expressivo. A descrição culmina na afirmação de que “todos os seus reis caíram”, formulação difícil de explicar dentro da relativa estabilidade de Jeroboão II e muito mais adequada aos anos seguintes, quando Zacarias, Selum, Faceias e Faceia foram removidos violentamente. Não é possível identificar cada elemento do poema com um golpe específico, mas seu horizonte político pertence plausivelmente à fase de instabilidade posterior ao fim da casa de Jeú.

Essa conclusão é importante para a cronologia porque demonstra que a atividade refletida no livro ultrapassa o único rei israelita mencionado em Os 1.1. Mays observa que diversos ditos se ajustam às circunstâncias dos reinados de Manaém, Faceia e Oseias, tornando impossível restringir a pregação histórica do profeta ao período de Jeroboão II (Mays, 1969: 11–12). A superscrição e o corpo do livro preservam, portanto, tipos diferentes de informação cronológica.

2. A guerra siro-efraimita

A guerra siro-efraimita, travada na década de 730 a.C., constitui um possível marco para uma etapa posterior do ministério. Rason de Damasco e Faceia de Israel pressionaram Judá durante o reinado de Acaz, enquanto Tiglate-Pileser III avançava sobre a região (2Rs 16.5–9; Is 7.1–9). O conflito terminou com intervenção assíria, conquista de Damasco e grandes perdas territoriais para Israel.

Os 5.8–6.6 tem sido frequentemente relacionado a esse episódio. A passagem menciona Gabaá, Ramá, Betel, Benjamim, Efraim e Judá num contexto de hostilidade e devastação, o que levou muitos intérpretes a situá-la no contexto da guerra siro-efraimita. Essa identificação, porém, permanece discutida. Andersen e Freedman consideram tênue a ligação direta com a guerra de 735–732 a.C. e admitem que o conflito refletido no texto possa pertencer a outra conjuntura entre Israel e Judá (Andersen and Freedman, 1980: 34–35).

Por isso, Os 5.8–6.6 não deve servir isoladamente como ponto fixo para datar Oseias. Seu valor cronológico é mais modesto: demonstra que parte da tradição profética pressupõe relações militares tensas entre Israel e Judá e um ambiente no qual a pressão assíria já condicionava a política regional.

3. A pressão crescente da Assíria

As referências à Assíria oferecem evidência mais consistente para situar uma parcela significativa da pregação numa fase avançada do século VIII a.C. Em Os 5.13, Efraim reconhece sua enfermidade e procura auxílio junto ao “grande rei”; Os 7.11 descreve Efraim oscilando entre Egito e Assíria; Os 8.9–10 denuncia a ida à Assíria; Os 10.6 prevê que o próprio símbolo cultual de Israel será levado como tributo; e Os 12.2 volta a associar Assíria e Egito à política externa do reino.

Esse conjunto dificilmente pertence integralmente ao período de prosperidade anterior à expansão de Tiglate-Pileser III. Ele corresponde melhor ao momento em que o relacionamento com a Assíria já se tornara realidade política concreta: primeiro mediante tributo e vassalagem sob Manaém, depois através da resistência de Faceia e, finalmente, da submissão de Oseias, filho de Ela. A documentação assíria confirma precisamente essa crescente interferência imperial na sucessão e na política de Samaria.

Os 14.4 conserva, em forma de renúncia, uma das formulações mais claras dessa crítica: “A Assíria não nos salvará”. A frase sintetiza uma convicção recorrente na pregação do livro — a segurança nacional não poderia ser obtida por alianças imperiais ou superioridade militar. Sua presença mostra quão profundamente a experiência da expansão assíria moldou a mensagem transmitida sob o nome de Oseias.

Essas referências tornam provável que o profeta tenha permanecido ativo pelo menos durante parte da década de 730 a.C. O grau de precisão diminui à medida que se tenta associar cada oráculo a acontecimentos individuais, mas a presença constante da Assíria como realidade imediata impede uma datação excessivamente precoce de todo o ministério.

4. Oseias chegou à queda de Samaria?

A questão mais difícil é se Oseias continuou profetizando até a conquista de Samaria. Algumas passagens apresentam o desaparecimento do reino com extraordinária proximidade: Samaria e seu rei são comparados à espuma levada sobre a superfície das águas (Os 10.7), a cidade aparece sob ameaça de destruição (Os 13.16), e o livro conhece um Israel cuja capacidade política e militar já parece próxima do colapso.

Nenhuma dessas passagens, contudo, afirma que a conquista já tenha ocorrido. O livro não contém uma descrição inequívoca da queda de Samaria equivalente àquela preservada em 2Rs 17.5–6. Mays concluiu que nada nos ditos atribuídos a Oseias exige atividade posterior à queda da capital (1969: 12). A ausência é especialmente significativa porque o acontecimento representou o fim do Estado ao qual sua pregação se dirigia.

A investigação recente também recomenda cautela ao usar o livro como registro sequencial dos últimos anos do reino. Nissinen mostra que relacionar cada unidade de Oseias com acontecimentos precisos de 732–722 a.C. exige decisões anteriores sobre composição, transmissão e datação dos oráculos; o livro não funciona como crônica contemporânea da queda de Israel (Nissinen, 2019: 369–382).

A conclusão mais segura é, portanto, que Oseias profetizou durante uma fase avançada da crise que conduziu à destruição do reino do Norte, mas não se pode demonstrar que tenha testemunhado pessoalmente a queda de Samaria. Seu ministério pode ter terminado alguns anos antes de 722/721 a.C.; pode também ter alcançado os momentos imediatamente anteriores à conquista. Ir além disso converteria uma possibilidade histórica em dado biográfico.

D. Duração provável da atividade profética

A duração do ministério de Oseias não pode ser calculada com precisão a partir de Os 1.1. A superscrição oferece uma moldura cronológica ampla demais, enquanto os oráculos conservam alusões históricas de graus muito diferentes de segurança. A reconstrução mais prudente situa o início da atividade nos últimos anos de Jeroboão II e acompanha o profeta por boa parte da crise política e internacional que dominou as décadas seguintes, sem pressupor que ele tenha permanecido ativo até a tomada de Samaria.

1. A faixa cronológica mais defensável

O limite inicial é relativamente firme. A combinação de Os 1.1 com o anúncio contra a “casa de Jeú” em Os 1.4 favorece uma data anterior ao desaparecimento da dinastia. Aster situa a emergência de Oseias nos últimos anos de Jeroboão II, posição que corresponde a uma ampla tendência da pesquisa moderna, embora as propostas para a extensão posterior do ministério variem consideravelmente (Aster, 2012: 31).

Esse início pode ser colocado aproximadamente na década de 750 a.C., sem que seja possível identificar um ano de vocação. A formulação deve permanecer aproximativa porque tanto a cronologia absoluta de Jeroboão II quanto a relação entre Os 1–3 e a atividade original do profeta envolvem questões próprias. O dado mais importante é relativo: Oseias começou a atuar quando a casa de Jeú ainda governava Israel.

O limite posterior é menos definido. Os oráculos que refletem a instabilidade da monarquia, as sucessivas quedas de reis e a crescente dependência da Assíria mostram que a atividade preservada no livro ultrapassa a morte de Jeroboão II. Referências à política externa envolvendo Assíria e Egito e à condição cada vez mais precária de Efraim tornam particularmente plausível uma atuação durante a década de 730 a.C.

Algumas reconstruções propõem uma carreira relativamente concentrada. Andersen e Freedman, por exemplo, situam grande parte da atividade histórica de Oseias aproximadamente entre 750 e 740 a.C., enquanto outros intérpretes prolongam-na pelas campanhas assírias de 734–732 e até muito perto da queda de Samaria. A diversidade das propostas decorre principalmente da dificuldade de atribuir oráculos específicos a acontecimentos datáveis com segurança.

A faixa cronológica mais defensável para o verbete é, portanto, aproximadamente dos últimos anos de Jeroboão II, em torno da década de 750 a.C., até algum momento da crise assíria das décadas de 740–730 a.C. Uma extensão para o início da década de 720 permanece possível, mas não pode ser demonstrada. A conquista de Samaria em 722/721 a.C. funciona melhor como limite histórico máximo do que como data comprovada para o encerramento do ministério.

2. O grau de segurança da reconstrução

Os elementos cronológicos não possuem todos o mesmo peso. O ponto mais seguro é a atuação durante o reinado de Jeroboão II, preservada pela superscrição e reforçada pelo anúncio contra a casa de Jeú. Também é altamente provável que Oseias tenha continuado profetizando depois da morte desse rei, porque diversos oráculos pressupõem a instabilidade política e a intervenção assíria que caracterizaram o período subsequente.

Menor segurança existe quando se tenta relacionar textos específicos a episódios determinados. Os 5.8–6.6 pode refletir a guerra siro-efraimita, mas a identificação permanece discutida; Os 7.3–7 se ajusta à época dos regicídios, sem permitir determinar qual deles está em vista; referências à Assíria pertencem claramente ao ambiente da expansão imperial, mas nem sempre permitem distinguir entre os reinados de Manaém, Faceia e Oseias.

O grau de incerteza aumenta ainda mais na tentativa de fixar o término da carreira. Mays observa que nada nos oráculos exige atividade posterior à queda de Samaria (1969: 12). A afirmação é importante porque impede que a simples presença de Ezequias em Os 1.1 seja transformada em prova de que Oseias continuou profetizando durante todo o seu reinado.

A análise da relação entre Oseias e os últimos anos do reino do Norte conduz à mesma cautela. Nissinen mostra que os textos proféticos não podem ser alinhados automaticamente aos acontecimentos de 732–722 a.C. como se formassem um diário histórico; sua utilização cronológica depende da avaliação prévia de sua formação e transmissão (Nissinen, 2019: 369–382).

Assim, a cronologia biográfica de Oseias pode ser expressa em três níveis de segurança: é seguro situá-lo no século VIII a.C. e no reino do Norte; é muito provável que tenha iniciado sua atividade nos últimos anos de Jeroboão II e continuado durante a crise posterior; é apenas possível que seu ministério tenha alcançado os momentos imediatamente anteriores à queda de Samaria. Não há evidência suficiente para afirmar que tenha profetizado depois de 722/721 a.C. ou que tenha presenciado pessoalmente a destruição do reino.

V. O casamento de Oseias e Gomer

O casamento de Oseias ocupa posição singular entre as ações simbólicas atribuídas aos profetas. Os 1–3 associa a experiência doméstica do profeta à relação entre YHWH e Israel, de modo que casamento, filhos e ruptura conjugal se tornam veículos da mensagem profética. A dimensão biográfica desses capítulos tem sido amplamente discutida, mas o verbete deve partir daquilo que o texto efetivamente afirma: Os 1 apresenta uma ordem divina para que Oseias se case, identifica a mulher como Gomer, filha de Diblaim, e interpreta desde o princípio essa união à luz da infidelidade de Israel.

A. O relato de Os 1

A narrativa começa imediatamente depois da superscrição do livro. Segundo a BJ, YHWH ordena a Oseias: “Vai, toma para ti uma mulher que se entregue à prostituição e filhos da prostituição, porque a terra se prostituiu constantemente, afastando-se de Iahweh” (Os 1.2). O versículo seguinte relata de forma sucinta o cumprimento da ordem: “Ele foi e tomou Gomer, filha de Deblaim” (Os 1.3). A própria formulação do relato une desde a origem a vida familiar do profeta e a situação religiosa de Israel.

1. Gomer, filha de Diblaim

Gomer aparece apenas em Os 1.3 pelo nome e patronímico. O texto não fornece sua cidade de origem, ascendência além do nome do pai, posição social ou ocupação. Também não interpreta seu nome simbolicamente. Essa ausência é significativa porque, logo em seguida, os nomes dos três filhos recebem explicações explícitas; nada semelhante ocorre com Gomer ou Diblaim.

Por isso, é preferível considerar “filha de Diblaim” uma identificação pessoal ordinária. Interpretações antigas e modernas procuraram relacionar Diblaim a bolos de figos ou passas e, a partir daí, encontrar no nome alguma alusão à sexualidade ou ao culto de Baal, mas a explicação carece de apoio textual e linguístico. Andersen e Freedman observam igualmente que o nome de Gomer não recebe jogo de palavras comparável ao dos filhos e que seu patronímico deve ser tratado como dado concreto, não como cifra alegórica.

Nada em Os 1.3 permite, portanto, construir uma biografia anterior de Gomer. Mesmo a descrição de Os 1.2 não deve ser convertida imediatamente em profissão. A narrativa identifica uma mulher real dentro da lógica do relato e, ao mesmo tempo, incorpora seu casamento à função simbólica que passa a dominar os capítulos seguintes.

2. A ordem recebida pelo profeta

A ordem de Os 1.2 utiliza a fórmula normal de tomada de uma esposa, mas acrescenta a qualificação que torna o casamento uma ação profética. Oseias não recebe simplesmente a determinação de casar-se; sua união deve representar corporal e publicamente a condição de Israel diante de YHWH. A explicação vem no próprio versículo: a ordem é dada “porque a terra se prostituiu constantemente, afastando-se de Iahweh” (Os 1.2).

A narrativa não descreve hesitação, protesto ou negociação. Os 1.3 passa diretamente da ordem ao cumprimento: Oseias toma Gomer, que concebe e lhe dá um filho. Essa concisão desloca a atenção da psicologia do casal para o significado profético da família. Os filhos que nascerão também serão incorporados à mensagem mediante os nomes Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami.

A ordem possui, assim, caráter programático. A vida doméstica do profeta não aparece como informação biográfica independente, mas porque se torna parte de sua missão. Andersen e Freedman observam que, em Os 1–3, a história de Oseias e Gomer e a relação entre YHWH e Israel são deliberadamente entrelaçadas, a ponto de ser difícil separar completamente uma da outra (Andersen and Freedman, 1980: 46–47).

3. O significado de “mulher de prostituições”

A expressão traduzida pela BJ como “uma mulher que se entregue à prostituição” é uma das fórmulas mais discutidas do livro. Ela não equivale de maneira simples à designação comum de uma prostituta profissional. Wolff já observava que a construção empregada em Os 1.2 possui caráter mais amplo e que sua interpretação deve considerar também a expressão paralela “filhos da prostituição” e a explicação fornecida pelo próprio versículo (Wolff, 1974: 13–15).

O ponto decisivo é que a frase é imediatamente relacionada à “terra” que se prostitui afastando-se de YHWH. A linguagem sexual funciona, portanto, desde sua primeira ocorrência como linguagem de infidelidade religiosa. Isso impede que a expressão seja usada, sem argumentos adicionais, para afirmar que Gomer exercia prostituição comercial antes do casamento.

Também não há consenso de que ela fosse uma prostituta cultual. Essa leitura foi influente em parte da pesquisa do século XX — Wolff, por exemplo, relacionou a expressão a práticas religiosas cananeias —, mas a existência e a natureza de uma instituição de “prostituição sagrada” em Israel e no antigo Oriente Próximo são hoje tratadas com muito mais cautela. A expressão de Os 1.2, isoladamente, não demonstra tal condição.

Outra interpretação entende a descrição retrospectivamente: Gomer teria se tornado sexualmente infiel posteriormente, e o relato inicial a caracterizaria à luz do desenvolvimento do casamento. Andersen e Freedman defendem uma forma dessa leitura, considerando inadequado concluir que Oseias tomou conscientemente uma prostituta profissional e entendendo a qualificação como antecipação literária do que ocorreria depois.

A formulação mais segura é, portanto, que Os 1.2 apresenta Gomer como “mulher de prostituições” dentro de uma ação simbólica destinada a representar a infidelidade de Israel. O texto não permite estabelecer com segurança se a expressão descreve sua condição anterior ao casamento, uma conduta posterior antecipada pelo narrador ou principalmente sua função representativa no sinal profético. Essa distinção será decisiva para avaliar a identidade e a condição histórica de Gomer.

Pro Blogger Templates
-->