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Pedro (Apóstolos) — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Pedro

(Aram. Kēfāʾ, “rocha”; gr. Pétros, “pedra”)

Pedro, originalmente chamado Simeão ou Simão, foi um dos Doze e ocupa posição de especial destaque nas tradições do cristianismo primitivo. Era filho de João — ou Jonas, conforme a forma preservada em Mt 16.17 —, irmão de André e natural de Betsaida (Jo 1.40–44). Os Evangelhos também o vinculam a Cafarnaum, onde exercia a pesca e possuía vínculos domésticos; era casado, como indicam Mc 1.29–31 e a referência paulina à esposa que o acompanhava em viagens missionárias (1Co 9.5). Sua caracterização como homem “sem instrução” em At 4.13 não implica necessariamente analfabetismo, mas sobretudo ausência de formação especializada nas escolas da Lei (Martin, 1986: 3.802–803).

Segundo Jo 1.40–42, André apresentou Simão a Jesus, que lhe atribuiu o nome aramaico Kēfāʾ, vertido em grego como Pétros. Os Sinóticos preservam posteriormente a vocação junto ao mar da Galileia e sua inclusão entre os Doze (Mc 1.16–18; 3.13–19). Pedro aparece repetidamente como porta-voz dos discípulos e integra, com Tiago e João, o círculo presente em episódios como a ressurreição da filha de Jairo, a transfiguração e o Getsêmani (Mc 5.37; 9.2; 14.33). Essa proeminência, contudo, não elimina a representação de sua fragilidade: sua confissão messiânica é seguida por uma severa repreensão de Jesus, e as narrativas da paixão registram sua tríplice negação, seguida pela perspectiva de restauração após a ressurreição (Mc 8.27–33; 14.66–72; 16.7; Martin, 1986: 3.803–804).

As cartas paulinas fornecem os testemunhos canônicos mais antigos sobre sua posição no movimento cristão, geralmente designando-o como Cefas. 1Co 15.5 preserva uma tradição segundo a qual o Cristo ressuscitado apareceu a Cefas antes dos Doze, enquanto Gl 1.18–19 e 2.1–14 o apresenta como figura de autoridade na igreja primitiva e participante destacado das discussões sobre a missão aos gentios. Atos desenvolve ainda mais esse retrato: Pedro atua como porta-voz em Jerusalém, proclama a ressurreição de Jesus, participa da missão em Samaria e ocupa papel decisivo na narrativa da admissão de Cornélio e de sua casa (At 1–5; 8.14–25; 10.1–11.18). A tradição neotestamentária, assim, preserva simultaneamente sua proeminência apostólica e a complexidade de sua trajetória como discípulo, missionário e líder (Donfried, 1992: 5.251–252; Martin, 1986: 3.804–805).

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