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Amarelo — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Amarelo

(Heb. ṣāhōb, “amarelo, amarelado”; gr. chlōros, “verde, esverdeado, pálido”)

O amarelo não constitui, na linguagem bíblica das cores, uma categoria tão definida e recorrente quanto o branco, o vermelho ou o negro. O vocabulário hebraico tende a descrever tonalidades por associação com objetos, materiais ou estados visíveis, e determinadas palavras abrangem faixas cromáticas que não coincidem exatamente com as categorias modernas. Por isso, traduções como “amarelo”, “esverdeado”, “pálido” ou “dourado” podem representar, em diferentes contextos, termos antigos cujo campo semântico não se deixa reduzir a uma única tonalidade moderna (Garber, 1979: 1.730–732). A Bíblia tampouco apresenta um corante especificamente denominado “amarelo”; isso não significa, porém, que pigmentos ou materiais dessa coloração fossem desconhecidos no AOP.

A ocorrência mais inequívoca de um termo hebraico associado ao amarelo encontra-se nas prescrições de Lv 13.29–37. O adjetivo ṣāhōb descreve pelos finos de coloração amarelada ou acobreada numa afecção do couro cabeludo ou da barba, constituindo um dos sinais utilizados pelo sacerdote para determinar a condição ritual da pessoa (Lv 13.30, 32, 36). O texto pertence à legislação sobre ṣāraʿat, termo tradicionalmente traduzido por “lepra”, mas que designa uma categoria bem mais ampla de alterações da pele e não deve ser identificado simplesmente com a hanseníase moderna (Wright e Jones, 1992: 4.277–282). Nesse contexto, portanto, o amarelo não possui valor simbólico autônomo; funciona como característica observável dentro de um procedimento diagnóstico e ritual.

Em Sl 68.14, a BJ descreve as penas da pomba com “o brilho do ouro”. O hebraico emprega nessa expressão uma forma relacionada ao campo cromático do verde ou verde-amarelado, razão pela qual traduções antigas e modernas divergem entre “amarelo”, “esverdeado” e formulações que simplesmente destacam o fulgor do ouro (Garber, 1979: 1.731). A imagem pertence à linguagem poética do salmo e provavelmente evoca o efeito luminoso ou iridescente da plumagem; não oferece base segura para estabelecer um simbolismo bíblico geral do amarelo.

No NT, a passagem mais frequentemente relacionada à cor é Ap 6.8. O quarto cavalo é designado pelo adjetivo grego chlōros, palavra normalmente aplicada ao verde da vegetação (Mc 6.39; Ap 8.7; 9.4), mas capaz de descrever uma tonalidade pálida ou esverdeada. Em Ap 6.8, onde o cavaleiro se chama Morte, a cor produz deliberadamente uma impressão cadavérica; por isso, traduções variam entre “pálido”, “amarelo” e “esverdeado” (Garber, 1979: 1.730–732). O simbolismo provém diretamente do contexto apocalíptico, no qual a tonalidade está associada à morte. Não há, em contrapartida, fundamento bíblico ou histórico-crítico para atribuir ao amarelo um significado universal de “atividade intelectual”, nem para relacionar sua interpretação às chamadas fotografias de aura ou ao efeito Kirlian.

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