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Analogia — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Analogia

(Gr. analogía, “proporção, correspondência”)

Relação de semelhança entre realidades distintas que permite compreender ou descrever uma delas mediante comparação com a outra, sem afirmar identidade entre ambas. No raciocínio analógico, características conhecidas de uma realidade são empregadas para esclarecer outra; a validade da inferência depende, porém, da pertinência da semelhança e do reconhecimento das diferenças. Em teologia, o problema torna-se particularmente importante porque a linguagem religiosa aplica a Deus predicados provenientes da experiência criada — como bondade, conhecimento, paternidade, realeza ou cuidado — sem pressupor que sejam realizados em Deus exatamente segundo o modo em que aparecem nas criaturas.

O substantivo grego analogía ocorre no NT em Rm 12.6, na expressão referente ao exercício da profecia segundo a “proporção” ou “medida” da fé. Nesse contexto, porém, o termo não apresenta uma teoria filosófica da linguagem sobre Deus. A analogia como procedimento discursivo está muito mais amplamente presente na própria linguagem bíblica: Yahweh é denominado rei, pastor, pai, rocha e guerreiro, entre outras imagens (Dt 32.4; Sl 23.1; 47.7–8; Is 63.16; Ex 15.3). Essas designações estabelecem correspondências inteligíveis a partir da experiência humana ou criada, mas o contexto determina quais aspectos da comparação são pertinentes; afirmar que Deus é “rocha”, por exemplo, não atribui materialidade à divindade, mas emprega uma realidade concreta para expressar estabilidade, proteção ou segurança.

A criação da humanidade à “imagem” e “semelhança” de Deus oferece um caso especialmente relevante para a reflexão teológica sobre semelhança e diferença entre Criador e criatura (Gn 1.26–27; 5.1–3; 9.6). O sentido preciso dessas expressões permanece discutido, e o texto não identifica a imagem de Deus com uma única faculdade humana. Gn 5.3, entretanto, descreve Set como gerado segundo a semelhança e imagem de Adão utilizando o mesmo vocabulário básico empregado para a relação entre humanidade e Deus; essa correspondência sugere uma relação real de semelhança sem implicar identidade de natureza ou igualdade entre os termos comparados (Curtis, 1992: 3.389–391).

Na tradição teológica cristã, essa questão foi sistematizada na discussão sobre predicação unívoca, equívoca e analógica. Se um termo fosse empregado de maneira inteiramente unívoca para Deus e para a criatura, correria o risco de reduzir a realidade divina às categorias criadas; se fosse inteiramente equívoco, a mesma palavra não comunicaria qualquer conteúdo comum e a linguagem sobre Deus se tornaria ininteligível. A predicação analógica procura preservar simultaneamente uma correspondência verdadeira e uma diferença fundamental. Dessa problemática desenvolveram-se formulações distintas, entre elas a analogia entis e a analogia fidei, cuja relação com revelação, criação e conhecimento de Deus tornou-se um tema importante da teologia filosófica e dogmática.

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