Ir para o conteúdo principal

JSON Variables

Aniquilacionismo — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Aniquilacionismo

(lat. nihil, “nada”; termo teológico moderno)

Posição escatológica segundo a qual os ímpios não permanecerão eternamente em existência consciente sob punição, mas serão finalmente destruídos, deixando de existir. Em formulações cristãs, costuma estar associado à “imortalidade condicional”, segundo a qual a imortalidade não pertence inerentemente ao ser humano, mas é concedida por Deus como dom aos redimidos. Os dois conceitos, contudo, não são rigorosamente idênticos: o condicionalismo formula uma tese sobre a origem e a posse da imortalidade, enquanto o aniquilacionismo descreve especificamente o destino final dos que permanecem sob o juízo divino.

A discussão exegética concentra-se no vocabulário bíblico de “morte”, “destruição”, “perecer” e “segunda morte”. Textos como Mt 10.28, Rm 6.23, 2Ts 1.9 e Ap 20.14 são interpretados pelos defensores do aniquilacionismo como indicações de destruição definitiva; nessa leitura, uma punição pode ser “eterna” em seus efeitos sem exigir um processo consciente interminável. Outros intérpretes entendem passagens como Mt 25.46, Mc 9.43–48, Ap 14.9–11 e 20.10 como evidência de punição consciente continuada. A própria variedade das imagens neotestamentárias — fogo, trevas, morte, destruição e exclusão — torna discutível a tentativa de reduzir toda a linguagem do juízo a uma única representação literal (Innes, 1982: 472–473).

O aniquilacionismo tampouco surgiu simplesmente como reação moderna à doutrina tradicional do inferno. Fontes judaicas antigas preservam concepções diversas acerca do castigo pós-morte, incluindo tanto punição duradoura quanto a destruição final de determinados pecadores; os Salmos de Salomão, por exemplo, contrapõem a vida eterna dos justos à “destruição eterna” dos pecadores. No cristianismo, a questão permanece vinculada a problemas mais amplos de antropologia, ressurreição, significado de “vida eterna” e natureza do juízo final. Por isso, uma avaliação do aniquilacionismo exige distinguir a linguagem efetivamente empregada pelos textos bíblicos das construções sistemáticas posteriores sobre a duração e a natureza da punição escatológica (Innes, 1982: 472–473).

Pro Blogger Templates
-->