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Antíoco — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Antíoco

(Gr. Antíochos, tradicionalmente interpretado como “opositor”)

Nome dinástico macedônico particularmente associado aos reis selêucidas, sucessores de Seleuco I Nicátor no império formado após a fragmentação dos domínios de Alexandre, o Grande. A historiografia moderna numera diversos soberanos chamados Antíoco de I a XIII, embora a sucessão tenha sido intercalada por reis chamados Seleuco, Demétrio e Alexandre e, no período final, marcada por disputas dinásticas e reinados concorrentes. O nome já pertencia ao pai de Seleuco I e tornou-se recorrente na casa real selêucida (Whitehorne, 1992: 1.269–272).

A importância dos Antíocos para a história bíblica decorre sobretudo da incorporação da Judeia ao domínio selêucida. Antíoco III, o Grande (223–187 a.C.), derrotou definitivamente as forças ptolomaicas na região no início do séc. II a.C. e estabeleceu o controle selêucida sobre a Palestina; episódios de suas guerras com o Egito e de sua posterior expansão em direção à Ásia Menor encontram correspondência histórica na sequência de reis descrita em Dn 11.10–19 (Whitehorne, 1992: 1.270). Seu confronto com Roma terminou na derrota de Magnésia e no tratado de Apameia, que restringiu a expansão selêucida e impôs pesadas obrigações ao reino.

Entre todos os soberanos desse nome, Antíoco IV Epifânio (175–164 a.C.) ocupa posição singular na literatura judaica. As disputas internas pelo sumo sacerdócio, a política de helenização de Jerusalém e a intervenção do rei na Judeia culminaram na repressão das práticas religiosas judaicas, na profanação do templo e na instalação de um culto incompatível com a tradição de Israel. Em 167 a.C., medidas selêucidas atingiram práticas como a observância da Torá e a circuncisão, enquanto um altar associado ao culto de Zeus foi erguido no complexo do templo. Esses acontecimentos formam o contexto imediato da revolta iniciada por Matatias e continuada por Judas Macabeu, que resultou na purificação e rededicação do santuário em 164 a.C. (Whitehorne, 1992: 1.270–271).

A figura de Antíoco IV é também fundamental para a interpretação histórica de Daniel. Dn 11.21–39 é amplamente relacionado à sua ascensão, às campanhas contra o Egito, à intervenção em Jerusalém e à profanação do santuário; a “abominação devastadora” de Dn 11.31 e 12.11 é situada nesse contexto por 1Mac 1.54. A linguagem simbólica de Dn 7–8 também tem sido relacionada, em sua referência histórica imediata, à perseguição promovida por esse soberano, embora esses capítulos tenham recebido posteriormente interpretações escatológicas diversas. A relevância bíblica da dinastia, contudo, não termina com Epifânio: Antíoco V Eupator aparece nas campanhas contra Judas Macabeu, Antíoco VI nas disputas que envolveram Jônatas, e Antíoco VII Sidetes na relação entre o poder selêucida e a crescente autonomia hasmoneia (Whitehorne, 1992: 1.271–272).

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