Os Atributos de Deus

Os Atributos de Deus — Estudo Bíblico

Os Atributos de Deus


Na metafísica e na teologia, um atributo é um a qualidade de uma entidade que expressa sua natureza essencial. Assim, é algo indispensável ou necessário para a integridade daquele ser. Os atributos são a summa genera através das quais os modos são entendidos e existem na substância. 

I. Atributo de Deus 

O teísmo clássico vê Deus como um a pessoa transcendente, embora não apenas como um a força cósmica, que não se inter-relaciona com outros seres. Deus criou o homem à Sua própria imagem (Gên. 1:26,27), intelectual e moralmente falando, e isso implica na personalidade de Deus, embora não obtenhamos grande conhecimento real através dessa afirmativa.

1. Onisciência. 

Como pessoa, Deus a conhece, estando cônscio de Si mesmo e de Sua criação. Esse conhecimento desconhece limites, restrições ou defeitos. A filosofia ensina-nos que todas as palavras omni são realmente negativas em seu caráter, porque não tem experiência ou conhecimento, sem importar os meios de conhecimento, sobre qualquer coisa ilimitada. Para nós, portanto, os termos iniciados com omni apenas exprimem um grau superlativo daquilo que sabemos apenas de forma limitada. O conhecimento de Deus estende-se para trás por todo o tempo, até quando ainda não havia tempo, todo o presente e todo o futuro possível. Aristóteles chamava Deus de “o Intelecto”, e os homens de “intelectos”.

2. Sensibilidade. 

Deus, como pessoa, tem sentimentos racionais e morais, embora não físicos, como se dá com o homem. Vários termos antropomórficos são usados para exprimir esse aspecto de Deus, como Seu deleite ou Sua ira, Seu arrependimento ou mudança de atitude acerca de algo, Seu amor, Seu desprazer, etc. (Gên. 6:6; I Sam. 13:14; Exo. 4:14; Rom. 9:13).

3. Qualidades morais. 

Dificilmente poderíamos atribuir qualidades morais a uma força cósmica impessoal. Isso exemplifica a natureza pessoal de Deus.

a. Santidade. 
Deus não peca e todas as Suas virtudes são perfeitas. (Isa. 6:3; I João 1:5; Apo. 6:10; 15:4). Nessa qualidade, Deus ocupa lugar impar, pois, embora outros seres também não pequem, não com partilham das virtudes positivas de Deus com a mesma extensão.

b. Justiça.  
Em Si mesmo e em Seu governo, não se acha qualquer defeito de injustiça, erro ou ação duvidosa. Ele exerce direito e autoridade absolutos sobre as Suas criaturas, embora isso repouse sobre Sua bondade, e não sobre o Seu mero poder. Uma coisa qualquer não é justa somente porque Deus a faz; mas o que Ele faz segue algum padrão de justiça, que Ele estabeleceu para os homens. (I João 1:9; I Cor. 11:31,32; Rom. 2:12-16; II Crô. 19:7; Isa. 45:21; Apo. 15:3).

c. Amor.  
Esse é o único atributo moral de Deus que também Lhe serve de nome (I João 4:8). Consiste no interesse final e em ações beneficentes baseadas nesse interesse, no que todos os homens estão envolvidos (João 3:16), e que serve de impulso motivador de todos os atos da providência e da missão salvatícia de Cristo. Os próprios juízos divinos estão baseados no amor — tendo em vista a restauração (I Ped. 4:6; H eb. 12:6-8). O amor é a base de todas as demais virtudes morais, o solo onde elas medram (Gál. 5:22 ss).

d. Bondade.  
Deus é benévolo tanto para os homens mortais como para as almas, e também para toda a Sua criação. A misericórdia faz parte da bondade de Deus. Ele é o “Pai de misericórdias” (II Cor. 1:3), que dispensa atos de bondade a todos. A misericórdia e a bondade, tendo em vista a salvação, são manifestações fundamentais de Deus (Efé. 2:4,5; Rom. 9:15,18; I Tim. 1:13). Todos os dons perfeitos e bons são outorgados por Deus (Tia. 1:17).

e. Veracidade.  
Em Deus não há falsidade, em Seu ser ou em Seus atos. A revelação repousa sobre esse atributo, como reflexo do mesmo, pois, sendo Ele veraz, transmite a verdade (João 1:18), por meio de Seu Filho. Deus é veraz, e todo homem é mentiroso (Rom. 3:4). Os pactos de Deus repousam sobre a Sua veracidade (Sal. 12:6; Heb. 10:23). Jamais falha tudo quanto Deus declara (Exo. 12:41). Em Cristo, Deus manifestou a verdade, pelo que o Filho é a Verdade (João 14:6).

f. Sabedoria.  
Deus sabe o que fazer e como agir, com base em recursos ilimitados (Rom. 11:33; I Cor. 1:17 ss ; Apo. 5:12).

4. Qualidade Estética. 

Deus é beleza. O diálogo de Platão, Simpósio, expõe a verdade de que todos os objetos e entidades de beleza assim o são por refletirem a Beleza Suprema, que é Deus. Beleza fala de harmonia, graça, simetria em pessoa e em ato. Deus exemplifica essa qualidade em grau supremo. A missão de Cristo é um a bela obra, proveniente do Pai. Encontram os beleza em outras coisas e pessoas, quando elas têm qualidades que nos fazem lembrar a beleza divina. Aqueles que anunciam o evangelho realizam uma bela missão (Rom. 10:15). Tudo Deus fez formoso (Ecl. 3:11; Sal. 48:2). Sua santidade é uma bela qualidade (Sal. 29:2). O Senhor é a própria beleza (Sal. 27:4).

5. Vontade. 

Somente de uma pessoa se pode esperar a qualidade da vontade. As palavras: “...faça-se a tu a vontade, assim na terra com o no céu...” (Mat. 6:10), subentendem que Deus pode agir e realmente age, intervindo, recompensando, punindo e dirigindo. A vontade de Deus está detrás de seu propósito de salvar (II Ped. 3:9; I Tim . 2:4). Sua vontade é absoluta, realizando aquilo que Ele quer (Efé. 1:11). Essa é a qualidade onipotente da vontade de Deus. A vontade de Deus é livre.  É argumento falso afirmar que a vontade de Deus não pode ser livre, que Ele não pode pecar, porque o pecado é a própria negação da liberdade, e não um aspecto da mesma. A vontade de Deus não faz um a coisa ser certa ou errada, arbitrariamente, conforme é sugerido pelo voluntarismo (ver o artigo). Antes, a vontade de Deus sempre opera segundo a justiça absoluta. Aquilo que é aprovado aos olhos de Deus, deve ser bom (Mat. 11:26).

II. Qualidade” Divinas:

1. Onipotência. 

O poder de Deus é ilimitado, o que é ilustrado na criação e demonstrado na sustentação da mesma (Gên. 1 e 2; Col. 1:16). Ele pode cumprir todos os Seus desejos (E fé. 1:11; Rom. 9). Ele é o Todo-Poderoso (Gên. 17:1; Núm. 24:4, 16; Sal. 19:1; II Cor. 6:18; Apo. 1:8; 4:8; 16:7,14; 19:15 e 21:22). As objeções sofistas contidas em declarações como: “Deus pode criar um peso que Ele mesmo não pode carregar”, são pseudoproblemas..

2. Simplicidade. 

O ser divino não é composto. Deus é puro Espírito (João 4:24), e não espírito e matéria, como os homens. Em Sua essência, propriedade e modo são uma só coisa. Ele se expressa em três Pessoas, mas todas elas são da mesma substância. Seus atributos fazem parte de Sua unidade e simplicidade, e esses atributos, devem ser concebidos como porções destacadas de Sua pessoa, mediante a abstração humana.

3. Unidade. 

Deus tem apenas uma substância ou essência, e seus atributos compõem a sua unidade. Ele tem uma só natureza e vontade. Não há contradições em Deus, não há conflitos. Ele é triúno, mas cada Pessoa é da mesma substância. Deus é singular em Sua essência, em um a categoria toda própria (Deu. 6:4; Isa. 44:6; I Cor. 8:4). Por isso declara o Credo Atanasiano (ver o artigo a respeito): “Adoramos a um só Deus em trindade, e trindade em unidade; nem confundindo as pessoas e nem dividindo a substância”.

4. Espiritualidade. 

Deus é Espírito puro. Se há categorias entre os espíritos (o que é provável), então Deus é a forma mais elevada de Espírito (João 4:24), a origem de toda outra existência espiritual, bem como o criador de todas as coisas físicas. tipos de existência, material ou outra qualquer. A palavra eternidade reveste-se dos aspectos de não temporalidade e de uma qualidade distintiva, e ambas essas coisas podem ser ditas acerca da essência divina. Deus é o autor do tempo, mas não está condicionado ao tempo. Ele já existia antes do tempo, e sempre existirá, porquanto Ele é o auto-existente, a Causa sem causa. (Gên. 21:33; Sal. 41:13; 90:2; Hab. 1:12; Rom. 1:20; 16:26; Heb. 9:14).

6. Infinitude. 

Não há graus ou limitações nos atributos de Deus. Ele não está limitado ao tempo e ao espaço. Seu conhecimento desconhece fronteiras. Sua presença é sentida em todos os lugares. Seu poder não conhece restrições. Ele é o Absoluto. Ele é auto-existente pelo que não depende de ninguém e de coisa alguma, quanto ao Seu ser. As referências bíblicas que aludem à Sua onipotência, à Sua onisciência e à Sua onipresença, falam sobre aspectos de Sua infinitude.

5. Eternidade. 

Coisa alguma criou Deus. Ele sempre existiu. Outrossim, seu tipo de existência é singular,  pelo que ele é contrastado com todos os atributos de Deus com o propósito de tipos de existência, material ou outra qualquer. A palavra eternidade reveste-se dos aspectos de não-temporalidade e de uma qualidade distintiva, e ambas essas coisas podem ser ditas acerca da essência divina. Deus é o autor do tempo, mas não está condicionado ao tempo. Ele já existia antes do tempo, e sempre existirá, porquanto Ele é o auto-existente, a Causa sem causa. (Gên. 21:33; Sal. 41:13; 90:2; Hab. 1:12; Rom. 1:20; 16:26; Heb. 9:14).

7. Imutabilidade. 

Aristóteles concebia um Movedor inabalável que, em Si mesmo não se modificaria, mas que, ao ser amado, produziria todas as alterações que ocorrem na criação. Assim, Deus não seria susceptível e nem capaz de modificações. Em Seu ser não há qualquer tipo de evolução, embora Suas obras estejam em um contínuo estágio de desenvolvimento. Ele preenche todas as coisas, e nEle todas as coisas se completam (Efé. 1:23; ver também Sal. 102:24-27; Isa. 46:9,10; Mal. 3-6). “...em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tia. 1:17). Assim como é o Pai, é também o Filho (Heb. 13:8). Embora seja imutável, Deus não é estático, pois Suas obras nunca cessam, e estão sempre em mutação.

8. Onipresença ou Imensidade. 

O Espírito de Deus permeia a tudo, e Sua inteligência perscruta a todas as coisas. Ele não está confinado ao espaço, mas é imanente em tudo. Ele está acima de tudo, através de tudo e em tudo (Efé. 4:6). O Espírito habita nos crentes e está onipresente no mundo (Rom. 8:9; Sal. 139:7-12). Sua presença garante a continuação de todos os outros seres (Atos 17:28).

9. Soberania. 

Esse é um dos aspectos da onipotência de Deus, mas administrada através de Sua bondade e amor, ou seja, Seus atributos morais. A passagem de Rom. 9 mostra a soberania de Deus. O evangelho ensina que a mesma é administrada em bondade e amor (Efé. 1:10). Isso prova que a soberania de Deus está por detrás da unidade que finalmente deverá caracterizar todas as coisas em tomo de Cristo, além de ensinar-nos que a soberania de Deus é uma aliada da esperança e da salvação, e não um a reprovação às mesmas. O amor de Deus controlou a missão de Cristo (João 3:16), não havendo tal coisa como soberania sem amor. O próprio julgamento final requer o controle absoluto da parte de Deus, visando propósitos beneficentes, e não destrutivos. (Ver I Ped. 4:6 e as notas no NTI).

10. Independência. 

Deus não tem causa. Ele é o auto-existente, e perpetua-se a Si mesmo. Ele tem vida em Si mesmo, tendo dado da mesma ao Filho; e através do Filho, aos filhos. Assim, finalmente, eles compartilham da vida necessária e independente do Pai (João 5:25,26). Deus é o Ser necessário. Não pode deixar de existir. Esse é um profundo mistério. Mas as pessoas indagam: “Quem criou Deus?” Tais perguntas, porém, não podem ser formuladas, visto como ninguém pode formular um a resposta à mesma, ou iniciar uma investigação a respeito.

5. Eternidade. 

Coisa alguma criou Deus. Outrossim, seu tipo de existência é ramos atributos de Deus com o propósito de singular, pelo que Ele é contrastado com todos os discuti-los, embora se encontrem entretecidos nEle e sejam dependentes uns dos outros. A maioria, se não mesmo todos desses atributos são aquelas qualidades também presentes no homem, em grau muito menor. A debilidade da linguagem humana força-nos a usar uma linguagem antropomórfica. Isso, naturalmente, obscurece o quadro, pois, quando falam os sobre Deus, o mais profundo de todos os assuntos, a maior de todas as realidades, o mais misterioso de todos os seres, os nossos melhores esforços são fraquíssimos. Ver estudos sobre antropomórfico 

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