Oração — Estudos Bíblicos

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ORAÇÃO

Esboço:
1.    Oração como Submissão
2.    Oração como Ato de Adoração
3.    Oração como Ato Criador
4.    Oração nas Páginas do Antigo Testamento
5.    Ensinamentos de Jesus sobre a Oração
6.    Ensinamentos de Paulo sobre a Oração
7.    Outros Conceitos Neotestamentários sobre a Oração
8.    Orar sem Cessar
9.    Intercessão Mútua
1. Oração como Submissão
O soldado cristão está empenhado em uma luta que lhe defende a própria vida. Nada há de insignificante acerca da vida que o crente leva Os perigos são graves e muitos. Mas seu grande Comandante lhe oferece a sua ajuda. Essa ajuda pode ser solicitada por intermédio da oração, mas só é possível recebê-la quando a alma crente se encontra em estado de submissão a Cristo. E tal ajuda vem da parte de Deus. A fé consiste na “entrega de alma” (ver as notas expositivas sobre Heb. 11:1 no NTI). Portanto, toda oração deve estar alicerçada sobre a fé. Por isso é que devemos pedir “crendo”, já que essa atitude, por isso só, é um ato de submissão a Cristo, na certeza de que ele é capaz de fazer aquilo que lhe solicitamos (ver Mat. 21:22). A oração é um ato da alma, mediante o qual nos pomos sob os cuidados de Deus, pois reconhecemos, em qualquer ocasião em que orarmos, que dependemos de Deus e que temos limitações que só podem ser contrabalançadas por ele. A oração consiste em “pedir e receber”, mas consiste ainda em muito mais do que isso. Pois basicamente consiste na entrega da alma a Deus; a expectação do favor divino e suas muitas solicitações são apenas resultados disso. A oração ocasionalmente é respondida com um Não, porque, nesse estado de submissão, a alma quer mais que se faça a vontade de Deus, que o cumprimento de seus próprios desejos. Portanto, a oração é um campo de provas, onde podemos aprender sobre Deus, não servindo meramente de instrumento pelo qual obtemos as coisas que queremos, embora nos seja assegurado que assim é, e que as vantagens recebidas serão importantes.
2.    Oração como Ato de Adoração
A oração faz parte da liturgia, a qual faz parte da adoração coletiva. Mas a oração também faz parte da adoração individual. No trecho de Efé. 6:18, lemos que a oração do crente deve ser feita “no Espírito”, e é nessa expressão que vemos tanto a atitude de adoração como a submissão ao Senhor. A oração incorpora em si as atitudes essenciais da adoração, como a confiança em Deus, a submissão à sua vontade, a adoração à sua pessoa, o louvor devido às obras divinas entre os homens. Quando a oração transcende ao mero ato de pedir, torna-se um ato de adoração, em sua própria essência. Sendo esse um ato de adoração, a oração é um estado no qual muito aprendemos de Deus; e assim a sua vontade pode cumprir-se em nós, transformando-nos conforme a imagem de Cristo.
3.    Oração como Ato Criador
A oração vale-se do poder criador de Deus, pelo que também se diz: “A oração modifica as coisas”. Essa modificação não vem da parte do homem, pois depende da ajuda dada pelo Criador. Na oração, pois, entregamos nas mãos de Deus, na ordem presente de coisas, para que elas sejam “modificadas”. Essa modificação talvez exija, antes de tudo, a nossa própria transformação moral. Mas uma vez que nos tornemos seres transformados, podemos ser, nós mesmos, instrumentos modificadores. Todavia, a oração também pode criar novas situações nas circunstâncias externas, ou diferenças de atitude em outras pessoas, as quais podem modificar os acontecimentos. Quando a oração é um genuíno exercício da alma, isso nos põe sob o controle do poder criador de Deus. Isso também nos torna mais sensíveis para com a vontade de Deus, para com as necessidades alheias e para com as nossas próprias necessidades, diminuindo nossos desejos por coisas meramente físicas. Por conseguinte, em seu poder criador, a oração eleva o inteiro tom espiritual de nossas vidas. Quando a oração é devidamente usada, ela se torna uma maneira de adorar o Senhor, se o servirmos com nossas vidas. A oração cria grande receptividade entre as pessoas, e é dessa maneira que, com grande frequência, nossas orações são respondidas, sem a necessidade de qualquer milagre.
4.    Oração nas Páginas do Antigo Testamento
a. A oração reconhece a personalidade e o poder de Deus, bem como o seu interesse pelos homens (teísmo, em contraste com deísmo). O teísmo ensina que Deus continua interessado pelos homens, fazendo intervenção na história humana, recompensando e punindo. Já o deísmo afiança que Deus não tem interesse pelos homens ou pelo mundo, mas estabeleceu leis impessoais que governam tudo. De acordo com essa segunda posição, Deus não dá atenção aos homens e nem faz intervenção em sua história, não querendo puni-los ou recompensá-los. Mas a Bíblia inteira mostra-se altamente teísta, e não deísta, e a ênfase posta sobre a oração demonstra isso. (Quanto a conceitos filosóficos e teológicos de Deus, sua natureza e relação para com os homens, ver sobre Deus.) b. A oração é um meio de comunhão entre Deus e o homem: e isso pode ser pessoal, conforme temos nas narrativas dos patriarcas e suas intercessões, c. A oração é uma intercessão em benefício próprio e em benefício de outros, em que o crente busca melhoria espiritual e material. Abraão intercedeu por Sodoma (ver o décimo oitavo capítulo de Gênesis); Moisés intercedeu por Israel (ver Êxo. 32:10-12); Jó, pelos seus amigos (Jó 42:8-10). Petições individuais são comuns nos salmos (ver Sal. 31:86, 123 e 142). d. A oração é um meio de louvarmos ao Senhor, como é muito evidente nos Salmos (ver Sal. 113-118). Há orações pedindo perdão (ver Sal. 51), solicitando comunhão (ver Sal. 63), pedindo proteção (ver Sal. 57), pedindo cura (ver Sal. 6), pedindo reivindicação (ver Sal. 119), louvando ao Senhor (ver Sal. 103). e. As orações fazem parte da liturgia. Isso transparece nos Salmos Halel, na forma de oração e louvor, que vieram a ser incorporados à liturgia (ver Sal. 113-118), e formas específicas foram estabelecidas para efetuar as orações diárias (ver Atos 3:1 no NTI quanto às notas expositivas sobre essa questão). f. A oração é um ato de devoção (ver Esd. 7:27; 8.22 e ss; Nee. 2:4; 4:4,9 e Dan. 9:4-19).
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5.    Ensinamentos de Jesus sobre a Oração
a. Jesus enfatizou a paternidade de Deus, o qual é retratado como generoso para com os seus filhos (ver Mat. 7:7-11). b. O indivíduo se reveste de grande valor perante Deus, pelo que também pode esperar a resposta para as suas orações (ver Mat. 10:30; 6:25 esse 7:7-11). c. A verdadeira oração é espiritual, e não formal (ver Mat. 6:5-8). d. Há grande poder na oração, pelo que também deve ser usada perseverantemente. (Ver Mar. 11:23 e Mat. 7:20). e. A oração deve ser feita com fé (ver Mat. 17:20). f. A oração deve ser perseverante (ver Luc. 18:1-8). g. A oração precisa ser governada com uma disposição amorosa e perdoadora (ver Mat. 18:21-35). h. A oração pode envolver coisas práticas e terrenas (ver Mat. 7:6-11 e 6:11). i. A oração visa também elevadas realidades espirituais (ver o décimo sétimo capítulo do evangelho de João), j. A oração pode solicitar força espiritual (ver Mat. 6:13). I. A oração tem por escopo o avanço na direção do reino de Deus sobre a terra e sua final inauguração (ver Mat. 6:10,13). m. O próprio Jesus nos deixou o exemplo mais elevado de uma vida de oração (ver Luc. 5:15; 6:12; João 12:20-28 e 17:6-19).
6.    Ensinamentos de Paulo sobre a Oração
a. Tal como Jesus, Paulo nos deixou grande exemplo de orações práticas (ver Col. 1:3; 4:12; Fii. 1:4; I Tes. 1:2; Rom. 1:9 e File. 4). b. A oração consiste em adoração (ver Efé. 5:19; Col. 3:16), particular e coletiva, c. Faz intercessão em prol de todos os homens (ver I Tim. 2:1), como também é intercessão do Espírito Santo em favor dos homens (ver Rom. 8:26) e de Cristo em favor dos homens (ver Rom. 8:34). Portanto, envolve toda a trindade, porquanto o Filho e o Espírito de Deus intercedem juntamente com Deus Pai. d. A oração é exigente, pois requer perseverança (ver Rom. 15:30; Col. 4: 12; Efé. 6:18 e I Tes. 5:17). e. A oração é uma expressão de ação de graças (ver Rom. 1:8 e ss). f. A oração aprofunda nossa comunhão com Deus (ver II Cor. 12:7 e ss). g. A oração visa ao benefício e ao crescimento espiritual de outros crentes (Efé. 1:18 e ss; e 3:13 e ss). h. A oração solicita a salvação dos perdidos (ver I Tim. 2:4). i. A oração é feita “no Espírito”, como exercício espiritual, que se vale do poder divino (ver Efé. 6:18). j. A oração chega mesmo a ser um dom do Espírito Santo (ver I Cor. 14: 14-16).
7.    Outros Conceitos Neotestamentários sobre a Oração
a. O livro de Atos frisa a natureza coletiva da oração, como também o fez o trecho de Tia. 5:13-18. Paulo enfatiza a mesma verdade em Efé. 6:18. A igreja cristã nasceu dentro da atmosfera da oração (ver Atos 1:4), pois em resposta à oração é que o Espírito Santo veio sobre a comunidade da igreja (ver Atos 1:4 e 2:4). Em períodos de crise, a igreja apelou para a oração (ver Atos 4:21 e ss) b. A igreja cristã, mediante os seus líderes, sempre se dedicou à oração (ver Atos 9:40; 10:9; 16:25 e 28:8). A oração deve ser praticada em benefício da comunidade cristã (ver Atos 20:28,36 e 21:5). c. A oração é possível por causa do nosso Sumo Sacerdote, divino humano, o qual garante o cumprimento do desejo sincero de corações crentes (ver Heb. 4:14-16. Ver também Heb. 5:7-10, que ilustra a necessidade de oração, dentro da vida de oração do Senhor Jesus, porquanto nos ensina a necessidade de submissão e obediência), d. A oração é um meio de entrarmos em nossos privilégios espirituais em Cristo (ver Heb. 10:19 e ss), pois procura apelar para o poder de Deus, a fim de termos forças na vida. A oração penetra para além do véu, chegando ao próprio Santo dos Santos, até a presença de Deus (ver Heb. 6:19). e. A oração nos confere sabedoria espiritual (ver Tia. 1:5-8). f. A oração deve ser oferecida com base nas motivações certas, pois não pode servir ao egoísmo e ao pecado (ver Tia. 4:1-3). g. A oração pode curar o corpo, e deve ser usada com essa finalidade (Tia. 5:13-18). h. A oração deve ser ousada, e assim será eficaz (ver I João 3:21 e ss).
i. A oração sempre deve estar sujeita à vontade de Deus, sendo limitada por ela (ver I João 5:14-16).
8.    Orar Sem Cessar (I Tes. 5:17)
1. Isso não pode significar, naturalmente, uma oração constante e sem a mínima interrupção, em que as cordas vocais físicas sejam permanentemente usadas.
2. Mas pode indicar uma espécie de espírito dedicado à oração, sem qualquer hiato, e que se expressa em um constante “hábito de oração”.
3. Também pode estar subentendida a obra intercessória do Espírito Santo, mediante o que ele intercede ininterruptamente por nós, contanto que nossas vidas sejam corretas de modo a serem uma oração viva.
O mais provável é que esteja em foco o hábito constante de orar. Conforme diz Coleridge (‘notes on the Book of Commom Prayer’, iii.11, vs. 23); “Orai sempre, diz o apóstolo. Em outras palavras, formai o hábito da oração, transformando vossos pensamentos em ações, vinculando-as à idéia do Deus redentor”.
“O caminho da alegria constante, em meio à perseguições, é a oração constante, expressa ou não em palavras. A exortação visa a constância na oração (ver Rom. 12:12 e Col. 4:2), para que oremos com ‘toda a alegria’ ver (Efé. 6:18). Isso caracterizava os ensinamentos e a prática diária de Paulo (ver I Tes. 3:10 e II Tes. 1:11). Que os crentes podem orar como devem, se explica pela presença habitadora de Cristo (ver Rom. 8:26 e Efé. 6:18)” (Frame, In loc.).
9.    Interesse Mútua
Paulo recomenda a intercessão mútua entre os crentes. Quando dois ou três fizerem algum pedido coletivo, isso lhes será outorgado (ver Mat. 18:19). Além disso, nenhum santo de Deus é tão perfeito ou tão forte que não necessite da ajuda de outros. No dizer de Wedel (in loc.): “Assim como um soldado, na linha de batalha, se desanimaria se não tivesse o conhecimento que seus camaradas lutam ao seu lado, assim também o crente individual vive com base na fé e na confiança inspiradas pelo Espírito de Deus acerca da fraternidade de Cristo. Quão desesperadamente, na qualidade de soldados cristãos, precisamos da comunhão do Espírito Santo, conforme nossa era conturbada o demonstra!”
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Ninguém se encontra isolado, na batalha espiritual. Cumpre-se assim o ditado popular que diz: “Ninguém é uma ilha”. A batalha é ganha pelo corpo inteiro de Cristo, coletivamente considerado. Nenhum crente poderá obter a vitória total sem compartilhar da mesma com outros, participando igualmente das vitórias dos demais. A plena glorificação, tanto do Cabeça como do corpo, ocorre coletivamente (ver Efé. 1:23 e 2:6). O desenvolvimento espiritual envolve todo o corpo místico de Cristo, considerado juntamente os seus muitos membros, e não algum membro isoladamente (ver Efé. 4:16). Portanto, a oração deve envolver o corpo inteiro de Cristo, e não apenas o próprio crente individual; e isso é útil, tanto para os outros crentes como para cada crente que assim ora.
Que é Orar?
A oração é o desejo sincero da alma,
Que fica mudo ou é expresso
E o movimento de uma chama oculta
Que tremula no peito:
A oração é o enunciado de um suspiro,
O cair de uma lágrima,
O volver os olhos úmidos para cima,
Quando ninguém, senão Deus, está perto.
A oração é a linguagem mais simples
Que lábios infantis podem experimentar;
A oração é o clamor mais sublime que atinge A Majestade nas alturas:
A oração é o hábito vital do crente,
E a sua atmosfera nativa,
E o seu lema às portas da morte,
Pois ele entra no céu pela oração.
A oração é a voz contrita do pecador.
Que retorna de seus maus caminhos Quando anjos se regozijam em cânticos,
E dizem: Eis que ele ora!
Os santos, na oração, aparecem como um só,
Na palavra, nos feitos, na mente,
Quando, com o Pai e o Filho,
Encontram seu companheirismo.
Nenhuma oração é feita só no mundo:
Pois o Espírito Santo intercede;
E Jesus, no trono eterno,
Intercede pelos pecadores.
Ó, Tu, por meio de quem chegamos a Deus!
Vida, Verdade e Caminho,
Tu mesmo palmilhaste o caminho da oração,
Senhor, ensina-nos como orar!
(Montgomery)


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