Estudo sobre o Éden


ÉDEN = Deleite.
1. Nome de um lugar que Deus plantou  árvores, convertendo-o em um jardim, que, pela sua posição, foi chamado Éden. Deste lugar de delícias saía um rio que regava o paraíso, o qual dali se dividia em quatro canais, chamados, Pisom, Giom, Tigre e Eufrates. Destes quatro rios, o Eufrates é o mais conhecido. O Pisom torneava todo o país de Havilá onde nasce ouro,  e Giom, que torneia todo o país da Etiópia. As principais teorias que procuram determinar a posição exata do Éden, podem ser classificadas em dois grupos:
1. O daqueles que, identificando os quatro rios ainda existentes, não podem encontrar a posição geográfica de um rio que se divide em quatro. O local investigado é a Armênia. Os nascentes do Tigre e do Eufrates estão lá. O Pisom ou é o Fasis, na Pérsia atual, ou o Hur, grande tributário dos Araxes. O Giom dizem ser o Araxes, cujo nome árabe, é Gaihum er-Ras. As objeções a esta teoria são: (a) a dificuldade de descobrir o rio donde procedem os quatro; (b) ausência de provas de que a terra de Etiópia ou Cuse, se estendia até aquela região; (c) o Havilá, locado pelo escritor sagrado, não está na Armênia. Segundo outros, o jardim devia estar situado entre o Nilo e a Índia, ou entre a Índia e o Oxus. O país de Havilá  identificado em local indiano, onde existe ouro,  a Etiópia ou Cuse, no planalto central da Ásia. O Giom, o rio da Etiópia ou de Cuse, é pois, ou o Nilo, chamado pelos etíopes Gewon ou Geyon, ou O Oxus. A mesma objeção, mutatis mutandis, é feita à segunda teoria. Pode-se acrescentar ainda que a identificação de Giom com o Nilo, vem dos tempos de Josefo. Neste caso, a teoria baseia-se em uma noção errada. A única terra de Cuse, conhecida geograficamente pelos israelitas, era a Etiópia;  segundo Josefo entendia, o Nilo era o Giom, porque é o grande rio da terra de Cuse. 
2. As teorias que procuram determinar a exata posição geográfica, contraria à descrição bíblica a identificar, não só os quatro rios, como o outro rio donde eles procedem. Calvino observa que o Tigre e o Eufrates, corriam juntos, formando um só rio, durante pequeno curso, que depois se abria, entrando no Gôlfo Pérsico, por duas embocaduras:  que o território banhado pelas duas correntes unidas, era o lugar do Éden. Há razões para crer que este ponto era antigamente o leito do Gôlfo Pérsico. O aspecto geral deste local tem muito em favor de ser ele onde existiu o jardim de delícias. Frederich Delitzch pensa que o rio do Éden é o Eufrates. Correndo em plano superior ao Tigre, a superabundância de suas águas, corria pelas planícies estratificadas do norte de Babilônia, abrindo caminho para lançar-se no Tigre. Esta região tão abundantemente regada, devia ser fertilíssima. Sabia-se que os antigos babilônios consideravam esta região como sendo o jardim do deus Duniás. É aqui que se deve procurar o Éden. O vocábulo edinu em assírio quer dizer planície. O leito dos dois rios da Mesopotâmia meridional,  a parte baixa de aluvião, formam uma planície que se denominava edinu. Um dos descendentes de Cuse, pai de Ninrode, governou nas planícies de Babilônia, Gn 10:8-10. Os cusitas, que eram relacionados com os elamitas, em breve desceram para Babilônia, onde temporariamente exerceram hegemonia política. Deste modo, a terra de Cuse pode ser satisfatoriamente considerada como emprestando o seu nome à Babilônia e a todo o seu território meridional. Havilá estava situado a noroeste do Gôlfo Pérsico, conforme diz a Escritura,  bem se pode conjeturar que se tenha dilatado até ao Eufrates, atingindo os limites de Babilônia. Nestas condições o rio Fisom pode razoavelmente ser identificado com o canal Pallakopas, que havia sido antes um rio;  o Giom, com um grande canal que formava um braço do Eufrates ao oriente de Babilônia, onde existiam as duas cidades cusitas de Nerode, Babilônia, Ereque. Pode também ser que este rio seja o canal perto de Babilônia, cujo nome era Kahana ou Guhana, correspondente a Giom. Esta erudita teoria, apesar disso, carece de provas. A sua fraqueza está na abundância de hipóteses, pela dificuldade de demonstrar que os limites de Havilá se estendiam até às margens do Eufrates, e não eram separados do rio pela terra de Mesa, estabelecendo a conjetura que o país perto de Babilônia para o oriente, era designado terra de Cuse. Glaser oferece uma explicação natural da linguagem empregada nesta descrição. Considera os quatro rios como sendo tributários do rio do Éden. Estes quatro afluentes, uniam-se em algum ponto abaixo do jardim, ou para melhor dizer, dentro do próprio jardim. O nome Pisom ele o encontra ainda na Idade Média, na vertente Faisã ao norte da Arábia central que se escoa no Gôlfo Pérsico. Esta região produz ouro  corresponde ao local de Havilá, como é indicado pelos escritores bíblicos. Ele crê também ter encontrado o nome Giom aplicado ao rio er-Kumma que recebe as vertentes da região para os lados de Jebel  Samar e os leva para o Eufrates, e tira daí a conclusão que os cusitas ocuparam esta região durante sua emigração do oriente da África, e por isso, aquele lugar foi conhecido pela terra de Cuse durante muito tempo.
Não obstante, ele erra, acreditando ter descoberto que o rio er-Kumma seja o Giom. Os poetas árabes, por ele citados, referem-se a um rio da Cilícia.
O local do jardim do Éden deve ser procurado nas cabeceiras do Gôlfo Pérsico. Esta  localidade está ao oriente da Palestina, como se depreende, lendo-se Gn 2:8. O Tigre e o Eufrates ali estão. Havilá era um distrito ao norte da Arábia central. A terra de Cuse correspondente aproximadamente a Elão, onde os nomes Kashshu e Cosseano, ali, por muito tempo, se dilataram. A planície de Babilônia podia ser, e evidentemente foi, chamada edinu, como Delitzsch já demonstrou. Como o Gôlfo Pérsico fosse em algum tempo chamado rio, talvez que traga uma solução para o problema. Ao jardim do Éden fazem referências as seguintes passagens das escrituras: Is  51:3; Ez 28:13; 31:9; 31:16-18; 36:35; Jl 2:3; comp. Gn 13:10.
2. Nome de uma região da Mesopotâmia mencionada em conexão com Gozã, Harã, Resefe, Telassar, 2 Rs 19:12; Is 37:12  com Harã e Quene, Ez 27:23, 24. Esta região é mencionada em documentos assírios com o nome de Bit-Adini nas duas margens do Eufrates  ao norte do rio Belique.
3. Nome de um levita gersonita, filho de Joá, 2 Cr 29:12; 31:15.

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