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Víbora — Enciclopédia Bíblica e Teológica

Víbora

(Heb. אפעה, ʾep̄ʿeh; שפיפון, šĕpîp̄ôn; עכשוב, ʿakšûḇ; gr. ἔχιδνα, échidna, “víbora, serpente venenosa”.)

“Víbora” não corresponde, na Bíblia, a um único termo hebraico nem permite identificar automaticamente uma espécie zoológica moderna. Diferentes palavras hebraicas são vertidas como “víbora”, “áspide”, “serpente” ou “cobra”, conforme a versão: ʾep̄ʿeh ocorre em Jó 20.16; Is 30.6; 59.5, šĕpîp̄ôn em Gn 49.17 e ʿakšûḇ em Sl 140.4. A identificação deste último é especialmente incerta, havendo inclusive uma antiga proposta de entendê-lo como outro animal peçonhento. A terminologia bíblica pertence a classificações antigas e não deve ser equiparada sem reservas às categorias da zoologia moderna; embora algumas propostas relacionem esses nomes a víboras conhecidas do Egito, Sinai e Levante, em vários casos a espécie exata permanece indeterminável (Knapp, 1988: 4.968–969).

Grande parte dessas ocorrências aparece em poesia, profecia ou linguagem figurada. A víbora serve sobretudo como imagem de perigo súbito, veneno e poder destrutivo: em Jó 20.16 caracteriza a ruína do ímpio; em Is 59.5 integra uma sequência metafórica sobre a produção do mal; em Gn 49.17 a serpente junto ao caminho representa Dan em linguagem animal; e em Sl 140.4 o veneno da serpente caracteriza a fala hostil dos adversários. Esses contextos podem confirmar que se imagina um animal perigoso, mas oferecem poucos elementos para uma identificação taxonômica segura. A associação entre serpentes venenosas e ameaça à vida explica também sua ampla utilização metafórica na literatura bíblica, sem que toda ocorrência de “serpente” deva ser classificada especificamente como víbora (Knapp, 1988: 4.968–969).

No NT, échidna ocorre tanto metafórica quanto literalmente. João Batista emprega a expressão “raça de víboras” em Mt 3.7 e Lc 3.7, e Jesus a utiliza em Mt 12.34 e 23.33; nesses contextos, a força da metáfora deriva da imagem de uma serpente venenosa e perigosa. At 28.3 apresenta o único episódio neotestamentário em que échidna designa um animal concreto: uma serpente prende-se à mão de Paulo após o naufrágio em Malta, e os habitantes esperam que ele sofra consequências fatais (At 28.3–6). Não existem atualmente víboras ou outras serpentes peçonhentas nativas de Malta, circunstância que impede identificar com segurança o animal do relato; a fauna moderna da ilha, porém, não permite por si só determinar quais espécies estavam presentes no séc. I d.C. (Gasque, 1992: 4.489–490).

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