Livro de Deuteronômio
Atualização:
O Livro de Deuteronômio é o quinto livro da Bíblia. Nele estão registrados os discursos que Moisés fez quando o povo de Israel estava na terra de Moabe, antes de atravessar o rio Jordão e tomar posse de Canaã. Nesses discursos Moisés se refere aos 40 anos de peregrinação pelo deserto. Ele manda que o povo obedeça a Deus porque a desobediência traz como resultado o castigo. O povo de Israel deve adorar somente o SENHOR, o Deus dos seus antepassados. Depois de escolher Josué para ficar no seu lugar, morre no monte Pisga Moisés, o maior de todos os profetas de Israel. A passagem-chave do livro se encontra em 6.4-6.
De acordo com seu cenário literário e histórico, bem como seu tema principal, vários estudiosos compararam a estrutura do livro à forma de antigos tratados vassalos do Oriente Próximo. Esses componentes do tratado incluem o preâmbulo (1:1–5), prólogo histórico (1:6–4:49), declaração de princípios básicos (caps. 5–11), regulamentos específicos (caps. 12–26), maldições e bênçãos sancionando o juramento (caps. 27–28), invocação de testemunhas divinas (30:19; 31:19; 32:1-43) e provisão para continuidade do convênio (caps. 31–34).
Título
O título em português Deuteronômio deriva da designação do livro na LXX como gr. deuteronômio, “segunda (ou repetida) lei”, baseada na tradução de Deut. 17:18 como “esta repetição da lei” (do hebraico mišnēh hattôrâ hazz’ôṯ “uma cópia desta lei”). O livro não constitui um corpo de lei distinto daquele registrado nos livros precedentes do Pentateuco; ao contrário, é uma expansão ou reinterpretação das estipulações do pacto do Sinai (Horeb) apresentadas no contexto de uma renovação daquele acordo entre Israel e Deus promulgado nas fronteiras de Moabe (29:1), daí a repetição ou recitação de legislação anterior. Seu título hebraico ’ēlleh haddeḇārîm “estas são as palavras”, retirado das palavras iniciais do texto, reflete a fórmula padrão de abertura dos textos do tratado do antigo Oriente Próximo (aliança).Autor e Data
O Livro de Deuteronômio é composto quase que inteiramente de discursos atribuídos a Moisés. Há também breves seções históricas consideradas da lavra de Moisés. Quando o Antigo e o Novo Testamento citam a lei de Moisés, referem-se, em sua maioria, a este livro do Pentateuco. Por estas e outras razões, os estudiosos conservadores conferem sua autoria ao grande legislador de Israel. Isto não significa que não haja comentários e dados de informação histórica editados e inseridos por outros escritores. Mas, este ponto de vista leva a sério as declarações exaradas no livro e o testemunho geral pontilhado no restante da Bíblia concernente à autoria mosaica. Os estudiosos que adotam o, digamos, ponto de vista de Wellhausen, sustentam, com várias modificações, que Deuteronômio é uma composição que contém algum material antigo, parte do qual derivado de Moisés, mas produzido por um profeta ou escola de profetas pouco antes de 621 a.C. Neste ano, o livro da lei foi descoberto por Hilquias, no Templo, e lido na presença do rei Josias. Este episódio desencadeou uma série de reformas que os estudiosos deste ponto de vista declaram que foi baseada em Deuteronômio (2 Rs 22.8—23.25; 2 Cr 34.14—35.19). Ponto de destaque entre estas reformas foi a retirada dos altares idólatras e dos altares erigidos ao Senhor nos lugares altos. Os reformadores também insistiram que os sacrifícios deviam ser oferecidos somente no santuário central em Jerusalém. Estes estudiosos asseveram que a perspectiva de Deuteronômio é semelhante ao Livro de Jeremias, aos dois livros de Reis e a outra literatura profética de fins do século VIII a.C. a início do século VII a.C. Afirmam que a ideia de um santuário central exclusivo era desconhecida a tais dignitários como Samuel e Elias. Estas são algumas das principais razões apresentadas para imputar a autoria de Deuteronômio a um profeta ou escola profética mais ou menos no começo do século VII a.C. A evidência para este ponto de vista não é bastante forte para ocasionar um consenso geral entre os estudiosos. E. Robertson atribui a edição de Deuteronômio a Samuel. Por outro lado, Hölescher imputa esta tarefa ao período pós-exílico. Ademais, se o livro foi escrito para corrigir a prática de adoração nos lugares altos, é surpreendente que tal costume não seja especificamente mencionado. Supomos que um autor escrevendo em princípios do século VII a.C. fizesse alusão a Jerusalém ser o santuário central, se um dos propósitos primários do autor (ou autores) fosse centralizar todos os sacrifícios ali. A semelhança em perspectiva entre este livro e a literatura profética pode ser explicada pela influência de Deuteronômio nos escritores proféticos. O fato de a leitura de Deuteronômio ter ocasionado certas reformas não é indicação segura de que foi escrito nos dias de erros de adoração, mais do que a Bíblia foi escrita pouco antes da Reforma protestante. Contribuição importante ao assunto é o Treaty of the Great King (Tratado do Grande Rei).1 Kline afirma que a estrutura e o conteúdo de Deuteronômio se ajustam ao padrão de tratados redigidos entre uma suserania e seu vassalo. Estes tratados começavam com um preâmbulo que identificava o estado suserano (cf. 1.1-5), seguido por um prólogo histórico (cf. 1.5—4.49). Depois, vinham as estipulações do tratado (cf. caps. 5—26), sucedidas por uma exposição de maldições, no caso de não observância, e de bênçãos, na observação fiel (cf. caps. 27—30). O tratado era concluído com a listagem das testemunhas (cf. 31.16-22; 31.28—32.45), instruções sobre onde guardá-lo e suas proclamações recorrentes e periódicas (cf. 31.9-13), e providências para a sucessão dinástica (cf. caps. 31—34, joassim). Kline alega que a estrutura de Deuteronômio tem afinidade mais estreita com os tratados do segundo milênio a.C. Sua tese dá impulso ao ponto de vista de que Deuteronômio é uma unidade pertencente à era mosaica. O assunto da autoria é vasto e complicado, e não é o propósito deste comentário analisá-lo em detalhes. Esta breve exposição serve para indicar algumas das principais questões relacionadas à autoria e data, e explicar a razão para tratar Deuteronômio como substancialmente mosaico.Conteúdo
Intercaladas dentro da narrativa dos últimos dias de Moisés estão três discursos que o grande líder dirige ao povo de Israel nos estágios finais de suas peregrinações ao deserto. Após uma breve introdução, a primeira oração analisa a história do povo no deserto da diretiva de Deus em Horebe (Sinai) que eles tomam posse da terra prometida através da conquista de Hesbom e Basã e da alocação da terra a leste do Jordão. (1:6–3:29); o discurso termina com a admoestação à obediência fiel às leis de Deus, particularmente aquelas que proíbem a idolatria (4:1-40). A narrativa narra a nomeação de Moisés de cidades de refúgio na Transjordânia (vv. 41-43). O segundo discurso de Moisés compreende uma revisão das leis de Israel, incluindo uma reafirmação e exposição dos Dez Mandamentos como a base da aliança de Israel (5:1-11:32) e uma compilação de legislação específica (12:1-26:15); o discurso conclui com uma exortação ou declaração a respeito do compromisso com a aliança (vv. 16-19). A seguir, uma narrativa da cerimônia de renovação da aliança nas planícies de Moabe (27:1-29:1), retratada em termos de sua posterior observância em Siquém. O terceiro discurso de Moisés (29:2–30:20) constitui uma acusação à fidelidade da aliança. Os capítulos restantes registram os eventos finais da vida de Moisés, incluindo uma acusação final ao povo e a nomeação de Josué como seu sucessor (cap. 31), o “Cântico de Moisés” (32:1-43), a “Bênção” de Moisés” (cap. 33), e um relato da morte e sepultamento de Moisés (cap. 34).Estrutura e Origem
Embora os primeiros críticos literários tenham visto o Deuteronômio como primariamente o trabalho da fonte Deuteronômica (D), o livro foi submetido a numerosas interpretações críticas e sua composição foi atribuída a uma variedade de autores e editores, variando do Mosaico aos tempos pós-exílicos. Tradicionalmente, o livro é o trabalho de Moisés (embora alguns aceitem o capítulo 34 como um apêndice talvez atribuído a Josué), e muitos estudiosos críticos aceitam pelo menos as raízes mosaicas de sua teologia e leis. Uma visão proeminente é que o cerne do livro (caps. 12-26) representa o Livro da Lei descoberto por Josias em 622/621 a.C. (2 Rs 22-23 par. 2 Cr 34-35) e que formavam a base de suas reformas, promovidas pela elaboração editorial na forma de uma estrutura “Deuteronômica” ou “Deuteronomista” (por exemplo, caps. 5–11 30–34); acréscimos posteriores trouxeram o livro dentro do escopo da “História Deuteronômica” pré-exílica (Deuteronômio - 2 Reis) e da “História Primária” exílica (Gênesis - 2 Reis). Uma adaptação desse ponto de vista data a compilação do “Código Deuteronômico” até o reinado de Ezequias (715–687), possivelmente pelos sacerdotes levitas do norte que haviam fugido para Jerusalém após a queda de Samaria em 722. De qualquer forma, a variedade de Materiais jurídicos, narrativos, exuberantes e poéticos que compreendem Deuteronômio sugerem um longo e complexo desenvolvimento antes da canonização do livro no século IV a.C como parte do Pentateuco.De acordo com seu cenário literário e histórico, bem como seu tema principal, vários estudiosos compararam a estrutura do livro à forma de antigos tratados vassalos do Oriente Próximo. Esses componentes do tratado incluem o preâmbulo (1:1–5), prólogo histórico (1:6–4:49), declaração de princípios básicos (caps. 5–11), regulamentos específicos (caps. 12–26), maldições e bênçãos sancionando o juramento (caps. 27–28), invocação de testemunhas divinas (30:19; 31:19; 32:1-43) e provisão para continuidade do convênio (caps. 31–34).
