Adoração – Significado Bíblico
Atualização:
Adoração – Significado Bíblico
O termo “adoração”, do latim adoratio, expressa a resposta religiosa interna que se exterioriza nas ações denotadas por adorare: “rezar, suplicar, adorar, homenagear”. A palavra normalmente não aparece nas traduções da Bíblia para o português, e é usada com mais frequência na católica romana do que na expressão religiosa protestante. Os católicos romanos prestam homenagem (o que exclui a adoração) aos santos, suas relíquias e imagens, e prestam adoração às coisas que têm íntima referência ao divino; consequentemente, eles consideram a cruz como um objeto apropriado de adoração. No sentido estrito, entretanto, os católicos romanos, assim como os protestantes, consideram a adoração como algo exclusivamente reservado a Deus.
Em seu sentido mais amplo, adoração é simplesmente a admiração apreciativa das perfeições e excelências do Criador conforme refletidas nas realidades criadas, e o termo é comumente usado para expressar o espanto que tais reflexos da glória divina provocam no espírito humano. Um homem pode adorar uma mulher, uma mulher um homem, e ambos adorar as maravilhas das realidades criadas. Nesta ampla cobertura, a adoração normalmente não resulta em oração ou adoração; quando isso acontece, o senso natural de temor e adoração do homem torna-se idólatra.
Em seu sentido religioso mais restrito, a adoração pode ser prestada apenas a Deus, pois somente ele é o objeto apropriado de homenagem, oração e adoração. Embora o termo tenha origem latina (em vez de grega ou hebraica), seu uso religioso é legítimo, pois expressa o que a Bíblia quer dizer com adoração, oração, prostração e levantar as mãos a Deus. Tanto os católicos romanos quanto os protestantes consideram o ato de adoração um equivalente do verbo grego proskyneō G4686 do NT (“prostrar-se diante de [alguém], adorar”).
Adoração, neste sentido distintamente religioso, é a resposta humana à revelação de Deus de si mesmo em Jesus Cristo como o Deus que, por seu ato gratuito de graça, é para a humanidade em todo o seu amor e poder majestosos. Esta resposta humana é uma resposta total da pessoa inteira, sem vestígios. Na adoração, o intelecto percebe e registra o amor e a graça de Deus revelados em Jesus Cristo pelo pecador. A vontade ratifica o que o intelecto percebe, elogiando-o assim e declarando seu Amém, ou seja, que quer que Deus seja o que é em Jesus Cristo. Nossas afeições são agitadas até os limites de sua intensidade e respondem com um deleite sobrenatural, uma alegria indescritível e uma paz que ultrapassa tanto nosso entendimento quanto nossa capacidade de articulação. A adoração é o esforço da pessoa total para dar total expressão à sua alegre compreensão e aprovação de sua visão de Deus em Jesus Cristo. Visto que nossa resposta a essa visão nunca expressa adequadamente aquela paz e alegria que ultrapassam todo o entendimento, buscamos os auxílios litúrgicos de canto, música e símbolo.
Se a adoração é aquela resposta total dos seres humanos a Deus na qual eles reconhecem que poder e glória, amor e graça verdadeira e infinitamente pertencem somente a Deus, e que somente Deus é digno de toda adoração e adoração, que tal adoração seja prestada a Cristo quem é tão verdadeiramente humano quanto divino? A igreja do NT, de acordo com o NT, prestou a Cristo após sua ascensão a mesma adoração que prestou a Deus. Essa prática fica clara na história da igreja primitiva registrada em Atos. O Apocalipse atribui não apenas àquele que se assenta no trono, mas também ao Cordeiro, bênção e honra, glória e domínio, para todo o sempre (Apocalipse 5:13). Veja também adoração.
Fonte: Silva, Moisés; Tenney, Merrill Chapin: The Zondervan Encyclopedia of the Bible, Volume 1, The Zondervan Corporation, 2009, p. 73