Judaísmo Helenístico e Identidade Judaica na Diáspora: Entre Atenas e Jerusalém

Resumo: Este estudo analisa a construção da identidade judaica na diáspora helenística a partir de Between Athens and Jerusalem: Jewish Identity in the Hellenistic Diaspora, de John J. Collins, examinando como comunidades e autores judeus preservaram a continuidade com sua tradição enquanto participavam intensamente do ambiente cultural, político e intelectual grego. A investigação acompanha os principais eixos utilizados por Collins para reconstruir essa identidade — memória nacional, relações políticas, Torah, ética, filosofia, revelação e interação com gentios — e considera os limites documentais de seu corpus, especialmente sua concentração no Egito, a representação desigual dos diferentes estratos sociais e o tratamento deliberadamente limitado de Fílon de Alexandria. A análise mostra que a identidade judaica helenística não pode ser explicada por uma oposição simples entre assimilação e isolamento, nem por uma única definição normativa de judaísmo. Os documentos revelam diferentes graus de acomodação e aculturação, nos quais formas literárias, conceitos filosóficos e valores helenísticos podiam ser seletivamente apropriados sem implicar abandono da pertença judaica. Conclui-se que, para Collins, o elemento de continuidade fundamental não reside numa interpretação uniforme da Torah ou num padrão religioso único, mas na persistente dependência da tradição judaica, continuamente reinterpretada como fundamento de autodefinição em contextos helenísticos diversos.

Palavras-chave: judaísmo helenístico; diáspora judaica; identidade judaica; helenismo; John J. Collins.

Between Athens and Jerusalem

I. Introdução

A diáspora judaica do período helenístico oferece um campo particularmente importante para compreender como identidades religiosas e coletivas são preservadas quando seus portadores passam a viver dentro de ambientes culturais que não controlam. Para os judeus estabelecidos sobretudo no Egito e em outras regiões do Mediterrâneo, a cultura grega não constituía apenas uma influência exterior: o grego podia ser sua língua, gêneros literários helenísticos seus meios de expressão e instituições políticas gentílicas o espaço efetivo de sua vida social. Ao mesmo tempo, esses judeus continuavam a definir-se mediante uma tradição vinculada à história de Israel, à Torah, aos ancestrais e a diferentes formas de pertencimento comunitário. Essa combinação torna inadequada uma reconstrução fundada numa oposição simples entre judaísmo e helenismo.

É esse problema que John J. Collins investiga na segunda edição de Between Athens and Jerusalem: Jewish Identity in the Hellenistic Diaspora. Seu corpus é predominantemente literário e está especialmente concentrado no Egito, onde a documentação é mais abundante. Collins reconhece ainda que nem sempre é possível distinguir com segurança uma obra “palestina” de uma obra “diaspórica”, sobretudo porque a própria Judeia estava profundamente inserida no mundo helenístico. A diferença relevante não consiste, portanto, em imaginar uma Palestina culturalmente não helenizada, mas em reconhecer que a condição minoritária da diáspora intensificava o problema da plausibilidade e da expressão da tradição em formas culturalmente gregas (COLLINS, 2000, pp. 16–18; âncora: “the main evidence for the attempt to present Judaism in Hellenistic dress derives from the Diaspora”).

Este artigo propõe uma leitura panorâmica e crítica da arquitetura interpretativa de Collins, concentrando-se na pergunta que atravessa o livro: o que permitia que formas tão diferentes de judaísmo continuassem sendo reconhecidas como judaicas dentro do mundo helenístico? O objetivo não é esgotar individualmente autores como Artapanus, Aristóbulo, Pseudo-Focílides ou os escritores sibilinos, nem desenvolver integralmente debates específicos sobre nomismo pactual, missão judaica, filosofia ou apocalíptica. Esses temas possuem densidade própria. Aqui interessa reconstruir como eles se relacionam dentro da tese maior da obra e quais critérios Collins utiliza para explicar simultaneamente diversidade e continuidade.

A resposta formulada pelo autor somente se torna plenamente visível quando os diferentes capítulos são considerados em conjunto. A identidade pode aparecer ligada à memória de um passado nacional glorioso, à Torah, à ética, à filosofia, à revelação transcendente, à posição política das comunidades ou às fronteiras estabelecidas diante dos gentios. Collins (2000, p. 273) conclui justamente que não havia uma definição normativa simples capaz de determinar todas essas configurações, mas identifica nelas um movimento recorrente entre dois polos: as exigências da tradição judaica e os valores do mundo helenístico.

A hipótese interpretativa que orienta esta análise decorre dessa conclusão: a helenização não deve ser medida simplesmente como perda progressiva de judaísmo. Apropriação cultural e afirmação identitária podiam coexistir. Um texto podia utilizar historiografia crítica, retórica, filosofia ou formas literárias gregas enquanto reforçava a superioridade dos ancestrais, defendia a Torah ou estabelecia limites religiosos bastante rígidos em relação aos gentios. O elemento de continuidade, para Collins, encontra-se menos numa interpretação uniforme da tradição do que na persistência dessa tradição como matriz de autodefinição — uma “reliance, in whatever form, on the Jewish tradition” (COLLINS, 2000, p. 274).

A análise seguirá esse argumento desde o problema inicial da identidade em terra estrangeira até suas principais manifestações literárias, políticas, éticas, filosóficas e religiosas, examinando também os limites documentais e historiográficos da proposta de Collins. Dessa maneira, Between Athens and Jerusalem pode ser avaliado não apenas como estudo de um conjunto de textos judaico-helenísticos, mas como uma tentativa de explicar como uma tradição permanece reconhecível justamente enquanto é continuamente reinterpretada em novos ambientes culturais.

II. Entre Atenas e Jerusalém: o problema da identidade

John J. Collins inicia Between Athens and Jerusalem com a pergunta de Salmos 137.4: “Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estrangeira?”. A epígrafe não desempenha função meramente literária. Ela introduz o problema que organiza toda a investigação: como Israel poderia preservar uma identidade coletiva reconhecivelmente judaica quando grande parte de seu povo já não vivia na terra de Israel e estava inserida em sociedades governadas, culturalmente estruturadas e linguisticamente dominadas por gentios? Para Collins (2000, p. 1), o “cântico do Senhor” era também a narrativa dos atos de Yahweh e, portanto, a história mediante a qual Israel compreendia sua própria origem como povo. Religião e identidade nacional estavam profundamente entrelaçadas (COLLINS, 2000, p. 1).

Durante grande parte da história israelita, essa identidade havia sido sustentada pela convergência de diversos fatores: território comum, lealdade política, continuidade étnica, língua, observância religiosa e tradição. A dispersão alterou essa configuração. Os judeus passaram a viver sob diferentes autoridades e a utilizar diferentes línguas, enquanto a relação cotidiana com a terra de Israel já não podia funcionar da mesma maneira para todos. Nessas condições, a tradição e a observância religiosa adquiriram importância crescente na preservação da diferença judaica. Collins não sugere que etnicidade, território ou vínculos nacionais tenham desaparecido; sua tese é que o peso relativo dos elementos constitutivos da identidade foi reorganizado pela experiência da diáspora (COLLINS, 2000, p. 1).

“A religião e a identidade nacional caminhavam lado a lado, e ambas estavam profundamente enraizadas na própria terra de Israel. Durante grande parte da história de Israel, a identidade do povo havia sido moldada e sustentada por diversos fatores complementares — território comum, lealdade política, continuidade étnica, língua comum, observância religiosa e tradição. Após o exílio, o povo ficou geograficamente disperso, submetido a diferentes autoridades políticas e diversificado linguisticamente. A tradição e a observância religiosas passaram a desempenhar um papel cada vez mais importante na preservação de uma identidade distintiva.” (COLLINS, 2000, p. 1, tradução nossa).

A diáspora helenística, contudo, não deve ser confundida simplesmente com uma continuação do exílio babilônico. Collins estabelece uma diferença decisiva entre as duas situações. O exílio babilônico fora essencialmente compulsório e podia ser experimentado como derrota nacional e crise religiosa. No período helenístico, entretanto, muitos judeus que viviam fora da Judeia não eram exilados involuntários. Comunidades judaicas permaneceram na Babilônia mesmo depois de existir possibilidade de retorno, enquanto no Egito e em outras regiões do Mediterrâneo a população judaica cresceu também por migrações que não decorreram de deportação (COLLINS, 2000, pp. 3–5).

Essa diferença torna o problema da identidade ainda mais complexo. Os judeus da diáspora não viviam necessariamente desejando retirar-se do mundo helenístico. A documentação discutida por Collins mostra participação econômica, uso de nomes gregos, recurso ao direito helenístico e, entre alguns segmentos, familiaridade com literatura e filosofia gregas. A própria reivindicação dos judeus alexandrinos por reconhecimento político comparável ao dos gregos demonstra desejo de inserção naquela sociedade. Collins chega a caracterizá-los como pessoas atraídas pela cultura helenística, interessadas no respeito dos gregos e dispostas a adaptar-se às formas de vida de seu ambiente (COLLINS, 2000, p. 5).

É nesse ponto que a oposição simplista entre “judaísmo” e “helenismo” começa a revelar sua insuficiência. O helenismo não era apenas uma força externa pressionando comunidades judaicas supostamente intactas; constituía parte do ambiente social, linguístico e intelectual no qual muitos judeus efetivamente construíam sua vida. Ao mesmo tempo, sua identidade continuava vinculada a uma tradição que os distinguia religiosa e historicamente de seus vizinhos gentios. A pergunta fundamental de Between Athens and Jerusalem pode, assim, ser formulada com maior precisão: como permanecer judeu sem rejeitar o mundo helenístico no qual se vivia, e como participar desse mundo sem dissolver a particularidade da tradição judaica?

Essa tensão entre pertencimento e diferenciação fornece o horizonte dentro do qual Collins examinará historiografia, política, ética, filosofia, revelação e relações com gentios. “Atenas” e “Jerusalém” não aparecem, portanto, como dois mundos hermeticamente separados, mas como polos entre os quais diferentes autores judaicos procuraram definir quem eram e de que maneira sua herança poderia continuar sendo vivida em “terra estrangeira”.

III. O projeto de Collins e seu corpus

A obra Between Athens and Jerusalem nasceu de um projeto mais amplo sobre autodefinição normativa no judaísmo e no cristianismo (Normative Self-Definition in Judaism and Christianity), coordenado por E. P. Sanders na McMaster University. Dentro desse empreendimento, o estudo do judaísmo helenístico foi dividido entre John J. Collins, David Winston e Alan Mendelson. Winston e Mendelson concentraram-se no extenso corpus de Fílon de Alexandria, enquanto Collins assumiu a investigação dos numerosos autores menores da diáspora helenística (COLLINS, 2000, p. xii).

Essa origem explica a configuração incomum e particularmente produtiva do livro. Fílon aparece diversas vezes na argumentação, mas não constitui seu centro documental. Collins volta-se sobretudo para uma literatura muito mais dispersa: historiadores como Demétrio, Artapanus e Eupolemus; poesia judaica em formas gregas; Oráculos Sibilinos; Carta de Aristeas; José e Aseneth; 3 Macabeus; Pseudo-Focílides; Aristóbulo; Sabedoria de Salomão; 4 Macabeus e diferentes textos pseudepigráficos. Em vez de reconstruir a identidade judaica principalmente a partir de um grande pensador, o livro confronta uma pluralidade de estratégias literárias pelas quais judeus helenizados reinterpretaram e apresentaram sua tradição. A ausência de um tratamento sistemático de Fílon decorre, portanto, da própria divisão de trabalho que originou a pesquisa, algo que Collins reconhece expressamente como a lacuna mais evidente do volume (COLLINS, 2000, p. xii).

A versão considerada neste artigo é a segunda edição, publicada em 2000, concluída aproximadamente quinze anos depois da primeira. Collins informa que o intervalo havia produzido uma expansão considerável da literatura secundária e que a revisão exigiu não apenas atualização bibliográfica, mas também numerosas modificações do texto. As ampliações mais importantes atingiram os capítulos sobre os períodos ptolomaico e romano e a discussão final sobre missão judaica e “tementes a Deus” (COLLINS, 2000, p. xiii).

Embora o título se refira à diáspora helenística em sentido amplo, o Egito ocupa posição predominante no estudo. A razão apresentada por Collins é documental: trata-se da região para a qual existe a evidência mais abundante (COLLINS, 2000, p. 16). Isso explica a importância de Alexandria e do judaísmo egípcio no livro sem pressupor que sua experiência possa ser automaticamente tomada como modelo de toda a diáspora mediterrânea.

O próprio conceito de “literatura da diáspora” também exige cautela. Collins observa que a helenização não estava confinada às comunidades estabelecidas fora da Judeia: a própria Judeia havia sido profundamente afetada pelo helenismo. Além disso, a proveniência de alguns escritos não permite classificação geográfica simples. 2 Macabeus, por exemplo, trabalha com material relacionado à Judeia, apresenta-se como abreviação da história de Jasão de Cirene e se dirige também a leitores no Egito, constituindo para Collins uma obra que “defies classification as either Palestinian or Diasporic” (COLLINS, 2000, pp. 17–18). Ainda assim, ele mantém a diáspora como categoria historicamente útil porque é sobretudo nela que se concentra a evidência de tentativas de apresentar a tradição judaica em formas explicitamente helenísticas (COLLINS, 2000, p. 18).

O corpus de Between Athens and Jerusalem deve ser entendido, portanto, como uma seleção literária orientada por um problema histórico, e não como inventário exaustivo de todo o judaísmo helenístico. Collins reúne documentos de gêneros, períodos e proveniências diferentes para investigar como a identidade judaica foi articulada quando a tradição ancestral passou a ser expressa no interior de um mundo culturalmente grego. É essa diversidade documental que permite ao livro avançar para sua questão central: se esses autores podiam relacionar-se de maneiras tão distintas com a Torah, a política, a filosofia, a ética e os gentios, o que ainda tornava reconhecivelmente judaicas essas diferentes formas de autodefinição?

IV. A tese central: tradição judaica dentro do mundo helenístico

A tese que organiza Between Athens and Jerusalem torna-se especialmente clara quando Collins retorna, na conclusão, à diversidade dos documentos examinados ao longo da obra. Historiadores, textos sapienciais, escritos filosóficos, obras apocalípticas e produções de caráter político não atribuem o mesmo peso à Torah, à memória nacional, à ética, a Jerusalém ou às relações com os gentios. Essa variedade impede que a identidade judaica da diáspora seja definida por uma fórmula normativa única. Collins (2000, p. 273) afirma expressamente que “não havia uma definição normativa simples que determinasse a identidade judaica na diáspora helenística” (tradução nossa).

Essa ausência de uniformidade não significa, contudo, que os documentos sejam historicamente desconectados. Collins identifica dois polos recorrentes entre os quais as diferentes formulações de identidade se desenvolvem: de um lado, “as restrições impostas pela tradição judaica”; de outro, “os valores do mundo helenístico” (COLLINS, 2000, p. 273, tradução nossa). Esses polos não correspondem a duas comunidades distintas — uma supostamente fiel à tradição e outra assimilada —, mas a referências que podiam atuar simultaneamente sobre o mesmo autor e dentro do mesmo texto. A questão fundamental passa a ser como diferentes judeus articularam sua pertença à tradição ancestral em condições culturais nas quais valores e formas de pensamento helenísticos já integravam seu ambiente.

Collins descreve, por isso, a literatura da diáspora como um espectro de tentativas de estabelecer equilíbrio entre fatores concorrentes e superar a dissonância entre eles (COLLINS, 2000, p. 273; âncora: “um espectro de tentativas de estabelecer um equilíbrio entre esses fatores concorrentes e superar a dissonância entre eles”, tradução nossa). A noção de espectro é importante porque impede que a diversidade seja convertida numa oposição rígida. Os documentos podem posicionar-se de maneiras diferentes entre esses polos, selecionando distintos elementos da tradição e atribuindo pesos diversos aos valores encontrados no ambiente helenístico.

O princípio interpretativo que sustenta o livro pode, assim, ser formulado de maneira precisa: “Atenas” e “Jerusalém” representam polos de uma tensão dentro da qual diferentes formas de identidade judaica foram construídas, e não alternativas absolutas entre as quais os judeus da diáspora precisassem escolher. Nesta etapa do argumento, interessa estabelecer essa estrutura geral; as formas concretas pelas quais aproximação, diferenciação, acomodação e aculturação ocorreram serão examinadas nas seções seguintes. Dessa maneira, a seção preserva sua função própria: apresentar a tese central de Collins sem antecipar a análise específica do mecanismo de interação cultural.

V. As principais formas de identidade encontradas no livro

A estrutura de Between Athens and Jerusalem mostra que Collins não procura uma manifestação única da identidade judaica na diáspora. Depois de estabelecer a permanência da tradição como referência, ele examina diferentes dimensões pelas quais essa pertença podia ser expressa: memória nacional, posição política, ética, filosofia, revelação e relações com os gentios. Essas categorias não correspondem a grupos judaicos rigidamente separados. São perspectivas analíticas que podem aparecer combinadas num mesmo documento e permitem observar quais aspectos da tradição assumem maior importância em diferentes contextos.

A primeira dessas dimensões é a memória do passado. Nos historiadores judaico-helenísticos, recontar a história de Israel podia servir diretamente à construção da identidade presente. Demétrio procura estabelecer a coerência da tradição bíblica, enquanto Artapanus transforma Abraão, José e sobretudo Moisés em figuras capazes de rivalizar com os grandes benfeitores da civilização celebrados pelo mundo antigo. Nessa literatura, Collins percebe que a identidade nem sempre se concentra primordialmente na Lei: para diversos autores, ser judeu significa antes pertencer ao povo de Abraão, Moisés e dos grandes ancestrais, cujo passado sustenta orgulho étnico e nacional (COLLINS, 2000, p. 63).

A identidade possuía também uma dimensão política. A maior parte dos judeus da diáspora vivia sob governantes gentios, e essa condição não produziu necessariamente oposição permanente à ordem política existente. Ao percorrer os períodos ptolomaico e romano, Collins identifica como tendência dominante a disposição de viver como súditos leais e participar amplamente da sociedade circundante, desde que essa integração não ultrapassasse os limites impostos pela tradição religiosa (COLLINS, 2000, p. 151). A pertença ao povo judeu podia, assim, coexistir com lealdade política a poderes não judaicos.

Na segunda parte do livro, Collins mostra que a identidade podia ser articulada igualmente por meio de uma ética compartilhável. Textos como os Oráculos Sibilinos, Pseudo-Focílides e os Testamentos dos Doze Patriarcas apresentam deveres religiosos e morais mediante categorias compreensíveis no ambiente helenístico. Nesse processo, a sinagoga assume especial importância como espaço de instrução e de apresentação pública da tradição. Collins relaciona a relativa unidade ética dessa literatura à pregação sinagogal, na qual temas como piedade, justiça e humanidade podiam ser expressos em linguagem acessível também a gentios interessados (COLLINS, 2000, p. 185; âncora: “the interpretation of Jewish tradition presented was thoroughly Hellenistic and accessible to interested Gentiles”).

Outra forma de articulação aparece no judaísmo filosófico. Aristóbulo, Sabedoria de Salomão e 4 Macabeus demonstram que categorias filosóficas gregas podiam ser empregadas para interpretar a tradição judaica sem que isso exigisse abandono de práticas distintivas. 4 Macabeus constitui para Collins um caso particularmente esclarecedor: sua linguagem é fortemente marcada pela retórica e pela filosofia helenísticas, enquanto sua defesa da Torah permanece rigorosa. O documento combina, assim, aproximação cultural e separatismo religioso, justificando posições especificamente judaicas por meio de categorias intelectualmente reconhecíveis no mundo grego (COLLINS, 2000, p. 209).

Collins identifica ainda uma vertente em que a identidade se articula mediante mistério e revelação transcendente. Textos como José e Aseneth, Testamento de Jó, 2 Enoque e 3 Baruque concedem destaque a sonhos, visões, jornadas celestes e conhecimentos inacessíveis à experiência ordinária. Essa tendência não constitui para Collins um “judaísmo místico” uniforme, mas representa uma modalidade na qual a revelação do mundo superior passa a exercer papel especialmente importante na compreensão religiosa (COLLINS, 2000, p. 210). Em determinados textos, o centro da revelação desloca-se significativamente para uma esfera celestial (COLLINS, 2000, p. 219).

A última dimensão examinada sistematicamente é a relação entre judeus e gentios. As fronteiras comunitárias podiam admitir diferentes graus de aproximação: desde a conversão plena até formas menos definidas de associação, posteriormente relacionadas pela pesquisa aos chamados “tementes a Deus”. Collins, contudo, distingue esse fenômeno da existência de um movimento missionário judaico organizado comparável ao cristianismo primitivo. As evidências apontam antes para diferentes níveis de adesão e para casos de proselitismo do que para uma campanha sistemática de conversão dos povos (COLLINS, 2000, pp. 264–271).

Essas dimensões — passado nacional, política, ética, filosofia, revelação e relação com os gentios — não constituem seis definições concorrentes do judaísmo. Elas mostram onde a identidade podia encontrar diferentes centros de expressão dentro do corpus estudado por Collins. Um mesmo documento podia reunir mais de uma dessas orientações, e nenhuma delas, tomada isoladamente, explica toda a diáspora helenística. Essa variedade prepara a questão seguinte do artigo: como compreender tamanha diversidade sem recorrer às categorias simplificadoras de assimilação completa ou isolamento cultural.

VI. Nem assimilação nem isolamento

Se a seção anterior mostrou que a identidade judaica podia encontrar diferentes centros de expressão, Collins procura agora explicar como essas formas de judaísmo se relacionavam concretamente com o ambiente helenístico. Sua interpretação rejeita uma escala simples em que, de um lado, estariam judeus que preservaram intacta sua tradição e, de outro, aqueles progressivamente assimilados à cultura grega. Nenhum dos escritos preservados demonstra, segundo Collins (2000, p. 24), rejeição indiscriminada do helenismo ou aceitação irrestrita dele. O processo é antes seletivo: língua, gêneros literários, formas de argumentação e categorias intelectuais podiam ser incorporados, enquanto determinadas práticas religiosas e cultuais continuavam sendo consideradas incompatíveis com a tradição judaica.

Essa leitura leva Collins a considerar insuficiente a oposição entre “convergência cultural” e “antagonismo cultural” utilizada por John M. G. Barclay. Embora Barclay admita que as duas tendências possam coexistir, Collins entende que o modelo binário tende a obscurecer justamente a combinação de aproximação e diferenciação que caracteriza muitos documentos (BARCLAY apud COLLINS, 2000, p. 24). Também dialoga criticamente com Erich Gruen, que enfatizara a confiança dos autores judaicos em sua própria herança e sua capacidade de manipulá-la criativamente. Collins reconhece a importância dessa correção, mas considera insuficiente uma interpretação que diminua excessivamente as tensões reais produzidas pelo encontro com o ambiente gentílico (GRUEN apud COLLINS, 2000, p. 24).

O mecanismo fundamental é a seleção cultural. Os judeus da diáspora não precisavam aceitar ou rejeitar o helenismo como um sistema indivisível. Podiam distinguir entre aquilo que consideravam culturalmente apropriável e aquilo que ultrapassava os limites de sua fidelidade religiosa. Collins observa que a seletividade operava também sobre a própria herança judaica: os escritores gregos da diáspora não davam igual destaque a todos os aspectos da tradição, mas escolhiam aqueles que melhor respondiam às circunstâncias em que procuravam expressar sua identidade (COLLINS, 2000, p. 25).

É nesse contexto que aparece uma das formulações mais importantes de toda a obra:

“Grande parte da literatura do judaísmo helenístico é inspirada pela tentativa de alcançar essa separação, acolhendo alguns elementos da cultura helenística enquanto rejeita outros. [...] Em vez disso, encontramos a tradição matizada de várias maneiras que a colocam em continuidade com o mundo helenístico, ainda que o judaísmo preserve algumas ênfases distintivas. Há sempre alguma medida de acomodação e aculturação. A apreciação dessa literatura reside precisamente no grau e na nuance.” (COLLINS, 2000, p. 25, tradução nossa).

Os conceitos de acomodação e aculturação são decisivos porque não equivalem, para Collins, a abandono progressivo da identidade. Aculturação descreve o fato de que formas provenientes do mundo helenístico efetivamente se tornaram parte da maneira pela qual judeus da diáspora pensavam e se expressavam. Acomodação indica a capacidade de ajustar a apresentação ou a interpretação da tradição às condições desse ambiente. Em nenhum dos casos é necessário pressupor que uma incorporação cultural corresponda automaticamente a uma perda religiosa. A questão historicamente relevante está justamente no “grau e nuance”: quanto era apropriado, de que maneira e onde cada autor estabelecia os limites da adaptação (COLLINS, 2000, p. 25).

A conclusão do livro confirma que essa interação atravessa até mesmo textos que manifestam posições religiosas fortemente conservadoras. Collins observa que diferentes correntes da diáspora continuam procurando algum equilíbrio com a cultura helenística, ainda que o façam de maneiras muito distintas. Esse fenômeno não pode ser explicado apenas como estratégia propagandística destinada a tornar o judaísmo atraente aos gentios. O emprego de formas helenísticas decorria também da maneira como os próprios judeus se concebiam: como membros respeitáveis e civilizados da sociedade helenística, mesmo preservando uma tradição religiosa que os distinguia de seus vizinhos (COLLINS, 2000, p. 274).

Essa observação muda o sentido da própria palavra “helenização”. O grego, a retórica, a filosofia ou determinados gêneros literários não precisam ser tratados exclusivamente como elementos estrangeiros que penetraram numa identidade judaica originalmente isolada. Para muitos judeus da diáspora, essas formas já faziam parte do ambiente cultural em que sua identidade precisava ser formulada. A pergunta deixa, portanto, de ser quanto helenismo um judeu poderia absorver antes de deixar de ser judeu e passa a ser como diferentes judeus utilizaram recursos helenísticos enquanto continuavam a definir-se por referência à sua própria tradição.

É justamente por isso que “assimilação” e “isolamento” são categorias insuficientes para organizar o corpus. Entre esses extremos existia um amplo espectro de combinações possíveis, marcado por apropriação, adaptação, diferenciação e rejeição seletiva. A análise de Collins procura recuperar essa zona intermediária sem dissolver as fronteiras religiosas existentes. O que ainda precisa ser determinado é qual elemento permitia reconhecer continuidade judaica através de formas tão diversas de aculturação — questão que conduz diretamente ao papel da Torah e, de maneira mais ampla, da própria tradição judaica.

VII. O que permanecia comum em meio à diversidade

A variedade de formas de identidade descrita por Collins levanta a questão decisiva do livro: se os judeus da diáspora podiam atribuir pesos tão diferentes à Lei, à memória nacional, à ética, à filosofia ou à revelação, o que ainda permitia reconhecê-los como participantes de uma mesma tradição? A resposta começa pela Torah. Collins considera que ela constituía o componente básico da tradição judaica e que aqueles que permaneciam dentro do judaísmo precisavam relacionar-se com ela de alguma maneira. Essa centralidade, porém, não produzia uma única configuração religiosa. A Torah fornecia uma referência comum sem prescrever, segundo Collins, “uma única maneira ortodoxa de ser judeu” (COLLINS, 2000, pp. 20, 23, tradução nossa; âncora: “a single orthodox way of being Jewish”).

Essa distinção impede que base compartilhada seja confundida com uniformidade interpretativa. Collins observa que diferentes formas de judaísmo podiam concentrar-se em aspectos distintos da tradição e até combinar compreensões religiosas que não constituíam um sistema perfeitamente coerente. Algumas davam grande destaque à Lei; outras a pressupunham sem fazer dela seu principal centro de interesse. Para Collins (2000, p. 23), nenhuma das variantes examinadas rejeitava propriamente a Lei, embora algumas lhe concedessem pouca atenção explícita.

É nesse contexto que deve ser situada sua relação com o nomismo pactual de E. P. Sanders. Sanders o definia como o padrão segundo o qual a pertença à aliança estabelecia a condição do indivíduo, enquanto a obediência aos mandamentos preservava sua posição dentro dela (SANDERS apud COLLINS, 2000, p. 21; âncora: “salvation comes by membership in the covenant, while obedience to the commandments preserves one's place in the covenant”). Collins reconhece a presença desse padrão na diáspora, mas considera inadequado transformá-lo numa explicação totalizante: na conclusão do livro, afirma que o nomismo pactual “não era o único fator, nem mesmo o fator dominante, na religião do judaísmo helenístico” (COLLINS, 2000, p. 273, tradução nossa; âncora: “was not the only, or even the dominant, factor in the religion of Hellenistic Judaism”). Sabedoria, revelação apocalíptica, memória nacional e outras configurações podiam igualmente organizar a experiência religiosa.

Por isso, a continuidade judaica precisa ser procurada num nível mais abrangente. Collins formula esse princípio ainda na introdução: as pessoas permanecem dentro de uma religião enquanto continuam definindo sua identidade por referência à tradição e encontrando nela recursos para a vida (COLLINS, 2000, p. 23). A tradição funciona, assim, menos como um esquema interpretativo invariável do que como matriz comum a partir da qual diferentes configurações de identidade podem ser construídas.

A conclusão de Between Athens and Jerusalem oferece a demonstração mais concentrada desse argumento ao comparar autores situados em pontos bastante distintos do espectro:

“O fio condutor da identidade judaica, contudo, provém da dependência, sob qualquer forma, da tradição judaica. O autor de 3 Baruque ainda utiliza o pseudônimo de um profeta hebreu. Artapanus pode dedicar pouca atenção à legislação deuteronômica, mas está determinado a glorificar os ancestrais dos judeus. A filosofia de Fílon pode derivar basicamente da tradição grega, mas ele a expressa por meio da exegese da Torah judaica. Até mesmo Pseudo-Focílides, que não faz referências explícitas ao judaísmo, revela sua identidade pelo uso da Septuaginta. Essa dependência comum da tradição, mais do que qualquer interpretação específica dela, é o que nos permite distinguir judeu de gentio na diáspora helenística.” (COLLINS, 2000, p. 274, tradução nossa).

O contraste entre esses exemplos constitui o próprio argumento de Collins: o elemento comum não precisa ser localizado numa interpretação específica da Torah, nem numa combinação uniforme de práticas, crenças ou prioridades, mas na continuidade da referência à tradição judaica. A diversidade das formas assumidas por essa dependência não elimina sua função identitária; mostra, antes, a amplitude das maneiras pelas quais a pertença judaica podia ser articulada no ambiente helenístico (COLLINS, 2000, p. 274).

A unidade do judaísmo helenístico proposta por Collins é, portanto, uma unidade de referência e pertença, não de uniformidade. A Torah permanece como componente fundamental de uma tradição mais ampla, mobilizada de maneiras diversas por meio da memória ancestral, da interpretação das Escrituras, da ética ou da revelação. Essa distinção entre continuidade da tradição e pluralidade de suas interpretações fornece o fundamento para avaliar, na seção seguinte, a contribuição historiográfica e os limites da reconstrução proposta por Between Athens and Jerusalem.

IX. Conclusão: identidade judaica entre Atenas e Jerusalém

A análise de Between Athens and Jerusalem mostra que a identidade judaica da diáspora helenística não pode ser reconstruída como uma escolha entre fidelidade ancestral e assimilação grega. Os documentos estudados por Collins revelam diferentes maneiras de preservar continuidade com a tradição enquanto seus autores participavam do universo linguístico, intelectual, político e literário helenístico. Torah, memória nacional, ética, filosofia e revelação podiam receber pesos distintos; por isso, a helenização funciona menos como medida de abandono do judaísmo do que como uma das condições históricas em que diferentes formas de pertença judaica foram articuladas. Collins (2000, p. 273) sintetiza esse resultado afirmando que “não havia uma definição normativa simples que determinasse a identidade judaica na diáspora helenística” (tradução nossa).

O desfecho histórico dessa experiência ocupa lugar importante na conclusão de Collins. A tentativa de estabelecer terreno comum com os vizinhos gentios sofreu um golpe severo com a revolta judaica ocorrida sob Trajano. Collins não afirma que a tradição judaico-helenística tenha desaparecido imediatamente — os Oráculos Sibilinos judaicos continuaram sendo produzidos —, mas considera que “a tentativa de síntese cultural foi solapada e nunca mais pôde ser empreendida com tamanho vigor” (COLLINS, 2000, pp. 274–275, tradução nossa). Esse resultado não deve ser atribuído, em sua interpretação, à própria helenização do judaísmo, pois “o desastre da grande revolta não foi resultado da helenização do judaísmo, mas das tensões sociais e políticas existentes no interior do Império Romano” (COLLINS, 2000, p. 275, tradução nossa).

Collins encerra a obra atribuindo valor mais amplo à tentativa de aproximar “Atenas” e “Jerusalém”. O empreendimento não deve ser considerado fracassado apenas porque os judeus helenizados não alcançaram o grau de aceitação social que desejavam. Para Collins (2000, p. 275), “o esforço para encontrar um terreno comum entre Atenas e Jerusalém continua sendo um empreendimento nobre” (tradução nossa). Essa avaliação está especialmente relacionada à tentativa de formular valores que pudessem ultrapassar fronteiras particulares: “a tentativa de articular uma ética comum, aceitável para tradições diversas, e de relacionar tradições particulares a valores universais continua sendo um objetivo digno” (COLLINS, 2000, p. 275, tradução nossa).

O significado de Between Athens and Jerusalem reside, assim, em mostrar que continuidade cultural e transformação não precisam ser tratadas como processos mutuamente excludentes. A identidade judaica da diáspora foi preservada não pela imobilidade, mas pela capacidade de reinterpretar uma tradição recebida em circunstâncias históricas novas, estabelecendo continuamente limites entre aquilo que podia ser incorporado e aquilo que precisava permanecer distinto. “Atenas” e “Jerusalém” tornam-se, nesse sentido, imagens de uma relação marcada simultaneamente por continuidade, adaptação e tensão — o espaço histórico no qual diferentes maneiras de permanecer judeu foram articuladas no mundo helenístico.

IX. Conclusão: identidade judaica entre Atenas e Jerusalém

A análise de Between Athens and Jerusalem mostra que a diáspora helenística não pode ser compreendida adequadamente a partir de uma oposição simples entre fidelidade judaica e assimilação grega. Os documentos reunidos por Collins revelam uma realidade mais complexa: judeus que participavam do universo linguístico, intelectual, político e literário helenístico continuavam a construir sua identidade a partir de uma herança especificamente judaica, embora selecionassem, interpretassem e hierarquizassem seus elementos de maneiras diferentes. A helenização, portanto, não funciona no livro como medida automática de abandono da tradição, mas como uma das condições históricas dentro das quais essa tradição passou a ser expressa.

Essa perspectiva ajuda a explicar por que Collins rejeita uma definição normativa única para a identidade judaica da diáspora. A variedade encontrada no corpus não representa simplesmente diferentes graus de afastamento de um modelo original, mas diferentes soluções para um mesmo problema histórico: como preservar uma pertença distintivamente judaica enquanto se vivia como participante efetivo do mundo helenístico. A Torah permanece fundamental, mas não ocupa exatamente a mesma posição em todos os textos; memória nacional, ética, filosofia, revelação, solidariedade comunitária e relações políticas podem adquirir importância diferenciada. Como demonstrado ao longo do artigo, a continuidade precisa ser compreendida juntamente com essa pluralidade, e não contra ela (COLLINS, 2000, pp. 273–274).

O desfecho histórico dessa experiência, entretanto, ocupa um lugar importante na conclusão de Collins. A tentativa de estabelecer terreno comum com os vizinhos gentios sofreu um golpe severo com a revolta judaica ocorrida sob Trajano. Collins não afirma que a tradição judaico-helenística tenha desaparecido imediatamente — os Oráculos Sibilinos judaicos continuaram sendo produzidos —, mas considera que a vigorosa tentativa de síntese cultural característica dos séculos anteriores ficou profundamente enfraquecida. Em sua interpretação, esse resultado não deve ser atribuído ao simples fato de o judaísmo ter se helenizado, mas às tensões sociais e políticas do Império Romano, sobre as quais os judeus possuíam controle limitado (COLLINS, 2000, pp. 274–275).

Collins leva essa reconstrução histórica a uma avaliação mais ampla. Para ele, o esforço de aproximar “Atenas” e “Jerusalém” não deve ser julgado fracassado apenas porque os judeus helenizados não conseguiram obter do mundo circundante o grau de respeito e aceitação que desejavam. Sua importância reside também na tentativa de articular tradições particulares com valores capazes de ultrapassar fronteiras nacionais, étnicas e religiosas. O autor encerra o livro valorizando justamente a busca de uma ética comum e a possibilidade de relacionar tradições específicas a valores universais (COLLINS, 2000, p. 275).

O significado de Between Athens and Jerusalem ultrapassa, assim, a descrição de uma comunidade antiga colocada entre duas culturas. Collins mostra que a identidade judaica da diáspora foi preservada não pela imobilidade, mas pela capacidade de reinterpretar uma tradição recebida em circunstâncias históricas novas, estabelecendo continuamente fronteiras entre aquilo que podia ser apropriado e aquilo que precisava permanecer distinto. “Atenas” e “Jerusalém” tornam-se, nesse sentido, imagens de uma relação marcada simultaneamente por continuidade, adaptação e tensão. É nesse espaço intermediário — e não numa escolha absoluta entre os dois polos — que o livro localiza uma das experiências mais criativas do judaísmo no mundo helenístico.

Referências bibliográficas

COLLINS, John J. Between Athens and Jerusalem: Jewish Identity in the Hellenistic Diaspora. 2. ed. Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Company; Livonia, MI: Dove Booksellers, 2000.

Citação acadêmica:

GALVÃO, Eduardo. Judaísmo Helenístico e Identidade Judaica na Diáspora: Entre Atenas e Jerusalém. Biblioteca Bíblica. [S. l.], 26 ago. 2026. Disponível em: [Cole o link sem colchetes]. Acesso em: [Coloque a data que você acessou este estudo, com dia, mês abreviado, e ano].

Pesquisar mais estudos