Capítulo 3 — O Império Romano por Hᴀɴs-Jᴏsᴇғ Kʟᴀᴜᴄᴋ
Capítulo 3 — O Império Romano
Título original: The Roman Empire
Tradução livre adotada: “O Império Romano”
Autor: Hans-Josef Klauck
Páginas: 69–84
Ideia geral
O Império Romano constitui o horizonte político, social e religioso mais amplo no qual o cristianismo primitivo surgiu e iniciou sua expansão. A exposição parte de duas transformações decisivas: a conquista progressiva do Mediterrâneo oriental por Roma, favorecida pelo mundo helenístico posterior a Alexandre, e a passagem da República para uma autocracia de fato que conservava nominalmente as instituições republicanas. A partir desse quadro, examinam-se os mecanismos que davam coesão ao espaço imperial — poder do princeps, exército, administração, estradas, cidades, hierarquias sociais, patronato, religião, filosofia, educação e cultura visual — como componentes do meio histórico habitado pelas primeiras comunidades cristãs.
I. Da República ao Principado
Júlio César abriu o caminho para a transformação política, mas sua concentração de poder despertou o temor de que pretendesse tornar-se rei, contribuindo para seu assassinato em 44 a.C. Depois das guerras civis, Otaviano derrotou Marco Antônio em Áccio, em 31 a.C. Em vez de assumir formalmente uma monarquia, preservou instituições republicanas enquanto concentrava em suas mãos uma posição política e militar sem equivalente. Dessa combinação surgiu o principado.
Em 27 a.C., o Senado concedeu-lhe o título de Augusto, carregado de conotações religiosas. A autoridade imperial passou, assim, a possuir também uma dimensão sacral. Um decreto calendárico da Ásia Menor chegou a caracterizar o aniversário do imperador como início de “boas-novas”, mostrando como poder político e linguagem religiosa podiam convergir no discurso imperial (Klauck, 2006: 69–70).
A realização mais celebrada de Augusto foi a pax Augusta, posteriormente denominada pax Romana. Para seus contemporâneos, ela significava sobretudo o término das devastadoras guerras civis. Essa paz, contudo, tinha um custo: guerras continuavam a ser travadas nas fronteiras, legiões permanentes eram mantidas nas províncias imperiais e a tributação sustentava o aparato de domínio. A exposição recusa tanto sua idealização quanto sua redução a simples instrumento de opressão: autores gregos podiam aceitar os benefícios da ordem romana e, simultaneamente, formular críticas veladas à dominação. Para muitos habitantes do Império, a paz romana representou uma melhoria efetiva, ainda que respaldada pela força (Klauck, 2006: 70).
II. Sucessão imperial e primeiras políticas relativas aos cristãos
A fragilidade do novo sistema aparecia sobretudo na sucessão imperial. Como não existia inicialmente um cargo monárquico formal com mecanismo estável de transmissão, cada mudança de princeps podia produzir uma nova crise. Os reinados de Tibério, Calígula, Cláudio, Nero e seus sucessores mostram diferentes maneiras de lidar com esse problema.
Cláudio interessa particularmente à história das primeiras comunidades cristãs. Em matéria religiosa, sua orientação era conservadora, mas a intervenção contra grupos religiosos ocorria principalmente quando a ordem pública parecia ameaçada. Em Alexandria, protegeu os judeus contra perseguições da população grega sem lhes conceder cidadania plena. Em Roma, proibiu reuniões judaicas em 41 d.C. e, em 49, expulsou um grupo de judeus envolvidos em distúrbios. A participação de líderes comunitários e de missionários judeu-cristãos nesse segundo episódio é apresentada apenas como possibilidade, não como dado estabelecido (Klauck, 2006: 70–71).
Sob Nero ocorreu um episódio decisivo. Depois do grande incêndio de Roma em 64, os cristãos da cidade tornaram-se alvo de repressão. O episódio é caracterizado como a primeira perseguição oficial contra cristãos, mas permaneceu restrito a Roma. Também é rejeitada a ideia de uma perseguição mundial organizada durante o governo de Domiciano: a documentação preservada aponta antes para ações isoladas de autoridades locais, especialmente na Ásia Menor (Klauck, 2006: 71).
Uma situação mais clara aparece por volta de 111, quando Plínio, o Jovem, governava Bitínia e Ponto. Diante de acusações contra cristãos e sem encontrar procedimento jurídico estabelecido, consultou Trajano. O imperador determinou que os cristãos não deveriam ser procurados ativamente e que denúncias anônimas não deveriam ser aceitas; quando alguém fosse formalmente identificado como cristão, porém, deveria oferecer incenso e libações aos deuses romanos ou, recusando-se, sofrer a pena de morte. A resposta combinava moderação processual com exigência inequívoca de conformidade religiosa quando o caso chegava às autoridades (Klauck, 2006: 71).
Perseguições sistemáticas e de maior escala pertencem a períodos posteriores, sobretudo sob Décio, Valeriano e Diocleciano. Esse longo quadro político permaneceria fundamentalmente em vigor até Constantino, quando o cristianismo passou a ocupar uma posição radicalmente diferente no interior do Império.
III. Culto imperial e legitimação do poder
O culto ao imperador possuía antecedentes nas monarquias helenísticas, nas quais governantes recebiam formas de veneração anteriormente dirigidas às divindades. Roma adaptou esse modelo às próprias sensibilidades. Na capital, o Senado normalmente declarava um imperador deus apenas depois de sua morte; nas províncias, sobretudo no Oriente, honras divinas ao governante vivo eram muito mais facilmente aceitáveis (Klauck, 2006: 72).
Augusto encontrou uma solução particularmente adequada ao ambiente romano: em vez de receber diretamente sacrifícios na cidade, seu genius, entendido como poder divino ligado à sua pessoa, podia receber honras. A diferença entre Roma e as províncias permaneceu importante, assim como a diferença entre o Oriente, já familiarizado com o culto aos governantes, e o Ocidente.
O culto imperial não substituía as religiões locais, mas funcionava como uma superestrutura acrescentada a elas. Tornava visível a presença do domínio romano, fornecia-lhe fundamento ideológico e ampliava sua aceitabilidade social, sobretudo entre as elites provinciais, às quais oferecia carreiras prestigiosas nos sacerdócios do culto imperial. Religião, posição social e lealdade política encontravam-se, assim, estreitamente associadas (Klauck, 2006: 72).
IV. Administração, exército e integração territorial
Uma das características mais notáveis do domínio romano era a capacidade de governar enorme território com relativamente poucos funcionários. Isso foi possível porque Roma não substituiu sistematicamente as estruturas locais. Conselhos urbanos, assembleias, tribunais e elites provinciais continuaram funcionando, desde que permanecessem compatíveis com a soberania romana. Os reis clientes constituíam outra expressão dessa política de governo indireto (Klauck, 2006: 73).
O exército representava o componente coercitivo e estabilizador dessa ordem. Entre vinte e trinta legiões estavam normalmente em serviço. Uma legião ideal possuía aproximadamente cinco mil homens, organizados em coortes e centúrias e comandados por uma hierarquia própria. Tropas auxiliares recrutadas entre populações provinciais ofereciam cavalaria, infantaria leve e arqueiros.
O serviço militar também participava da integração social. Legionários aposentados podiam receber terras e estabelecer-se em colônias como Filipos e Corinto. Integrantes das tropas auxiliares podiam receber cidadania romana depois de vinte e cinco anos de serviço. Dessa forma, o exército funcionava não apenas como força militar, mas também como mecanismo de mobilidade, colonização e romanização.
V. Infraestrutura, línguas e comunicação
A mobilidade das legiões e dos administradores exigia uma infraestrutura eficiente. Roma desenvolveu uma extensa rede de estradas e o cursus publicus, sistema estatal de correios e mensageiros. Embora concebida prioritariamente para objetivos militares e administrativos, essa infraestrutura ampliou as possibilidades gerais de viagem e circulação de informações (Klauck, 2006: 73–74).
O Império era linguisticamente plural. O grego continuava a funcionar como principal língua comum em grande parte do Mediterrâneo e era amplamente utilizado até mesmo em Roma. O latim possuía importância particular na administração imperial. Ao lado de ambos continuavam vivas línguas regionais, como aramaico na Judeia, púnico em Cartago e lício na Ásia Menor.
A cultura greco-romana permanecia fortemente oral ou, mais precisamente, semioral, pois oralidade e registro escrito interagiam de modo contínuo. A leitura era frequentemente realizada em voz alta e em contexto comunitário, enquanto escrever podia significar ditar a um escriba. A alfabetização geral é apresentada como difícil de estimar. Uma proposta mobilizada de forma mediada situa-a em torno de 10% da população, podendo alcançar 30–40% entre homens livres de algumas cidades e cair para aproximadamente 5% no Ocidente latino (Harris, citado por Klauck, 2006: 74).
VI. Estratificação social e escravidão
A sociedade imperial era fortemente hierarquizada. No topo encontrava-se o imperador. Abaixo dele, uma reduzida elite senatorial composta por aproximadamente seiscentas famílias; seguiam-se os cavaleiros e, nas cidades provinciais, as aristocracias municipais dos decuriones. Esses grupos privilegiados, os honestiores, constituíam parcela mínima de uma população imperial estimada em dezenas de milhões (Klauck, 2006: 74).
A existência de algo comparável a uma classe média moderna é apresentada como questão disputada. Artesãos, comerciantes, pequenos proprietários e agricultores ocupavam posições intermediárias, mas a maior parte da população precisava trabalhar intensamente para garantir condições modestas de existência. Em Roma, muitos pobres dependiam de distribuições públicas de alimentos.
Na base encontravam-se os escravizados, que, segundo estimativas mobilizadas pelo capítulo, podiam representar aproximadamente um terço da população, pelo menos nas cidades. Sua situação variava profundamente. Escravizados ligados à casa imperial podiam desfrutar condições e oportunidades incomparavelmente superiores às dos trabalhadores submetidos às minas ou a outras formas extremas de exploração. A própria escravidão possuía, portanto, uma hierarquia interna (Klauck, 2006: 74–75).
As fontes de escravização incluíam nascimento de pais escravizados, exposição de crianças, condenações judiciais, pirataria, endividamento e sobretudo guerras. A manumissão era uma possibilidade real para parcela significativa dos escravizados, mas Klauck adverte contra a generalização de que a maioria necessariamente alcançaria a liberdade.
VII. Família, patronato e associações
A casa constituía unidade fundamental da sociedade. Ela abrangia marido, esposa, filhos e escravizados, sob forte autoridade jurídica do pater familias. O vocabulário familiar também podia ser transferido para relações políticas e sociais, como na caracterização do imperador como pater patriae (Klauck, 2006: 75).
Outra estrutura decisiva era o patronato. Patrono e cliente mantinham uma relação pessoal, duradoura e assimétrica, baseada na troca recíproca de bens materiais, favores, proteção, lealdade e prestígio. O mundo grego possuía uma estrutura próxima no chamado evergetismo: pessoas ricas financiavam obras ou benefícios públicos e recebiam da comunidade honras, inscrições, coroas ou outras distinções.
A amizade também podia envolver reciprocidade e utilidade sem que isso fosse considerado incompatível com o vínculo pessoal. Essas redes criavam uma sociedade em que relações formais e informais de dependência atravessavam quase todos os níveis sociais.
As associações voluntárias constituíam outro componente importante. Podiam reunir pessoas da mesma profissão, origem étnica, casa ou devoção religiosa. Possuíam estatutos, contribuições, sacrifícios e refeições comuns; posteriormente, o sepultamento adequado tornou-se uma função adicional. Como muitas reuniam integrantes dos estratos inferiores, as autoridades romanas tendiam a observá-las com desconfiança e procuravam submetê-las a regulamentação estrita. A recusa de Trajano à proposta de Plínio para criar em Nicomédia um collegium de bombeiros exemplifica essa cautela administrativa (Klauck, 2006: 75–76).
VIII. Judeia sob domínio romano
A Judeia demonstra como os mesmos mecanismos imperiais podiam simultaneamente estabilizar e desestabilizar uma região. Conquistada por Pompeu em 63 a.C., passou por períodos de governo de reis clientes e por administração romana mais direta. Klauck observa que, no século I, ela não constituía tecnicamente uma província imperial ou senatorial independente, mas estava subordinada à província da Síria, embora possuísse governadores próprios sediados em Cesareia Marítima (Klauck, 2006: 76).
Esses governadores eram geralmente de ordem equestre e dispunham de contingentes auxiliares. Pôncio Pilatos, o mais conhecido deles, possuía o título de prefeito; o título de procurador utilizado posteriormente por Tácito para descrevê-lo é, segundo o capítulo, anacrônico. A própria crucificação de Jesus é colocada nesse ambiente de poder imperial, pois a crucificação era uma punição romana particularmente associada a escravizados e insurgentes não cidadãos.
Um episódio extremo ocorreu quando Calígula determinou que uma grande estátua sua fosse instalada no templo de Jerusalém. A execução da ordem foi retardada pelo legado da Síria, enquanto Agripa I tentou intervir politicamente. A crise terminou apenas com o assassinato do imperador em 41.
As tensões culminaram na guerra judaica de 66–73. Vespasiano comandava as operações na Judeia quando entrou na disputa pelo principado. Seu filho Tito assumiu o comando e conquistou Jerusalém, destruindo a cidade e o templo. Décadas depois, Roma enfrentou outra grande rebelião sob Simeão ben Kosiba, Bar Kokhba, entre 132 e 135. Klauck apresenta como possíveis fatores a fundação de Aelia Capitolina no lugar de Jerusalém e a questão da circuncisão. Com sua derrota encerrava-se uma longa fase de conflitos entre o poder militar romano e a luta judaica pela sobrevivência religiosa e política (Klauck, 2006: 77).
IX. Filosofia greco-romana
No campo cultural, Roma reconhecia amplamente a precedência grega. Filosofia, ciência, retórica e literatura romanas desenvolveram-se em diálogo constante com modelos helênicos. Correntes como platonismo, aristotelismo, estoicismo, epicurismo, ceticismo e pitagorismo continuaram ativas durante o período imperial (Klauck, 2006: 77–78).
Cícero teve papel importante na adaptação da filosofia grega ao latim. Filodemo e Lucrécio representaram correntes epicuristas, enquanto o estoicismo encontrou particular receptividade entre os romanos. Sêneca, Epicteto e posteriormente Marco Aurélio mostram diferentes formas dessa tradição. O estoicismo podia inclusive fornecer uma linguagem moral de resistência diante de abusos imperiais.
O platonismo médio permaneceu vigoroso, como mostram Plutarco e Fílon de Alexandria, e posteriormente contribuiria para o neoplatonismo. O aristotelismo também recebeu novo impulso com a redescoberta de escritos de Aristóteles. Cinismo e pitagorismo passaram por formas de renovação durante a época imperial.
Klauck destaca dois campos particularmente importantes para compreender o ambiente intelectual do cristianismo primitivo. O primeiro era a reflexão sobre os deuses, posteriormente chamada teologia; o segundo, a preocupação filosófica com a condução da vida humana e a obtenção da eudaimonia. Cosmologia, metafísica, antropologia e ética pertenciam a esse universo, enquanto a interpretação alegórica permitia aos filósofos extrair significado teológico de textos tradicionais, especialmente Homero (Klauck, 2006: 78–79).
X. Religião romana, sincretismo e opções cultuais
A religião tradicional romana estava profundamente associada ao Estado. A manutenção da relação correta com os deuses, por meio de ritos, sacrifícios e interpretação de sinais, era considerada condição para a prosperidade política. Por isso, sacerdócios importantes estavam estreitamente ligados às magistraturas e às elites públicas (Klauck, 2006: 79).
Roma inicialmente mostrou alguma resistência à importação indiscriminada de cultos externos, embora divindades como a Grande Mãe, Asclépio e Ísis tenham sido admitidas. A interação entre religiões tornou-se particularmente visível mediante a interpretatio graeca, pela qual divindades romanas eram identificadas com equivalentes gregos. O mesmo processo podia atingir deuses de outras culturas.
Esse mecanismo fundamenta o que é designado como sincretismo: formas religiosas originalmente distintas eram reinterpretadas de modo recíproco no interior do espaço imperial. A interpretatio graeca podia abranger não apenas divindades romanas e egípcias, mas também representações gregas do Deus judaico. O resultado não era necessariamente a substituição de uma religião por outra, mas a sobreposição e recombinação de sistemas cultuais e conceituais (Klauck, 2006: 79–80).
As opções religiosas funcionavam frequentemente de maneira cumulativa. O indivíduo podia participar da religião cívica, dos cultos domésticos, de práticas divinatórias, astrologia e cultos de mistério sem compreender necessariamente essas práticas como escolhas mutuamente excludentes. Os mistérios de Elêusis coexistiam com cultos posteriormente populares de Ísis, Osíris e Mitra (Klauck, 2006: 80).
A magia ocupava posição mais ambígua. Embora socialmente marginalizada e periodicamente reprimida por legislação romana, possuía procura constante. Papiros mágicos preservados mostram a existência de tradições profissionais amplamente utilizadas, frequentemente associadas no imaginário romano e grego ao prestígio misterioso do Egito e da Babilônia.
XI. Literatura, educação e retórica
O mundo imperial produziu vasta literatura técnica e científica sobre medicina, direito, gramática, astronomia, arquitetura, geografia, agricultura e até culinária. Ao mesmo tempo, a literatura latina alcançou no período de Augusto aquilo que tradicionalmente se chamou sua idade de ouro, com Virgílio, Horácio, Ovídio, Tibulo e Propércio. O período posterior, de Tibério a Adriano, foi convencionalmente chamado de idade de prata.
O século I também testemunhou o desenvolvimento do romance greco-romano, gênero pouco reconhecido pela crítica literária antiga. Petrônio oferece em latim um dos primeiros exemplos importantes, embora sua obra sobreviva apenas fragmentariamente (Klauck, 2006: 80–81).
A paideia grega conferia grande importância à retórica, necessária nos tribunais, assembleias e ocasiões públicas. Roma apropriou-se intensamente dessa tradição. Cícero, Tácito e Quintiliano exemplificam a centralidade da arte oratória na cultura romana, enquanto Dio Crisóstomo representa seu desenvolvimento no mundo grego oriental. A formação retórica constituía, assim, parte decisiva da cultura pública do Império.
XII. Arte, arquitetura e comunicação imperial
A arte romana dos séculos I e II resultou da combinação entre tradições etruscas e italianas e modelos gregos e helenísticos. Durante a época júlio-claudiana, o classicismo grego exerceu influência especialmente intensa. A escultura romana desenvolveu forte interesse por retratos individuais, inclusive pela produção de modelos oficiais do imperador destinados à reprodução em diferentes partes do Império (Klauck, 2006: 82).
Pinturas, mosaicos, relevos funerários e monumentos públicos integravam a paisagem visual. O programa construtivo iniciado por Augusto continuou sob seus sucessores. A Ara Pacis, o Coliseu, o fórum e a coluna de Trajano e o Pantheon reconstruído sob Adriano são apresentados como exemplos de arquitetura monumental na capital.
Projetos semelhantes espalharam-se pelas províncias. Por isso, sua função excedia a ornamentação urbana: eles ajudavam a difundir a ideologia romana e a tornar visível o poder imperial. Moedas, edifícios, monumentos, esculturas e outras imagens criavam no espaço público uma presença contínua de temas políticos e religiosos.
O conjunto dessas formas de comunicação visual produzia uma espécie de “campo de força” imperial, no qual temas políticos e religiosos adquiriam presença pública contínua. O poder romano não se manifestava apenas nas legiões ou nos governadores, mas também em cidades, instituições, relações sociais, cultos, moedas, edifícios, textos e imagens. Esse milieu imperial constitui o espaço histórico habitado pelas primeiras comunidades cristãs (Klauck, 2006: 83).
Bibliografia
Referência consultada
Klauck, Hans-Josef. “The Roman Empire.” In: Mitchell, Margaret M.; Young, Frances M. (ed.). The Cambridge History of Christianity: Origins to Constantine. v. 1. Cambridge: Cambridge University Press, 2006. p. 69–84.
Referências citadas por Klauck e mediadas pelo capítulo
Beard, Mary; North, John; Price, Simon. Religions of Rome. 2 v. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.
Bradley, Keith R. Slavery and Society at Rome. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.
Campbell, J. B. The Roman Army, 31 BC–AD 337: A Sourcebook. London: Routledge, 1994.
Casson, Lionel. Travel in the Ancient World. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1994.
Clauss, Manfred. Kaiser und Gott: Herrscherkult im römischen Reich. Stuttgart: Teubner, 1999.
Garnsey, Peter; Saller, Richard P. The Roman Empire: Economy, Society and Culture. London: Duckworth, 1987.
Graf, Fritz. Magic in the Ancient World. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1997.
Harris, William V. Ancient Literacy. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1989.
Reale, Giovanni. A History of Ancient Philosophy. Vol. 4: The Schools of the Imperial Age. Albany: State University of New York Press, 1990.
Saller, Richard P. Personal Patronage under the Early Empire. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.
Zanker, Paul. The Power of Images in the Age of Augustus. Tradução de Alan Shapiro. Ann Arbor: University of Michigan Press, 1989.
As obras da segunda seção foram empregadas por Klauck no capítulo e não foram consultadas independentemente para ampliar o conteúdo desta síntese.

